Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

A Maldição da Chorona | Crítica 

A Maldição da Chorona | Crítica 

A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)

Ano: 2019

Direção: Michael Chaves

Roteiro: Mikki DaughtryTobias Iaconis

Elenco: Linda Cardellini, Raymond CruzPatricia VelasquezMarisol RamirezJaynee-Lynne KinchenRoman Christou

La Llorona é uma das mais famosas lendas mexicanas. As histórias, apesar disso, variam muito, mas a versão mais conhecida conta que uma mulher de origem indígena, era apaixonada por um cavaleiro espanhol, com quem teve três meninos. No entanto, o homem evitava casar-se com ela. Algum tempo depois, o espanhol acabou casando com outra mulher. Ao presenciar os dois juntos, a moça apaixonada enlouqueceu e afogou os seus três filhos no rio para punir o seu amado. Depois, ao ver o que tinha feito, a mulher se suicidou. Desde então, o seu fantasma perambula, geralmente nas margens do rio, chamando por seus filhos mortos. 

Após essa introdução, fica claro: a história de La Llorona é tenebrosa, certo? Pois bem, Hollywood não perderia a chance de fazer alguns milhões com ela. Sendo assim, James Wan, que tem o toque de Midas, pegou essa lenda e a produziu, integrando-a à sua franquia bilionária de Invocação do Mal. Para tal, o cineasta deu a missão de comandar o longa para Michael Chaves, como uma espécie de aquecimento, uma vez que ele assumiu a direção de Invocação do Mal 3Assim, integrando o rico universo dos Warren, A Maldição da Chorona repete os erros dos outros derivados da franquia original, deixando de assustar para entregar uma história que, mesmo trazendo interessantes elementos latinos, consegue virar uma trama pouco inspirada e repetitiva — ao assisti-la, é impossível não pensar: “Já vi isso antes. E foram várias vezes”. 

A origem da criatura sobrenatural é mostrada de uma forma pouco convincente, não conseguindo passar para o público de que forma aquela maldição aconteceu e como o fantasma da mulher de branco que chora é passado de uma família para outra — e nem porque apenas quando a alma penada pega no braço de alguém é que ela queima, uma vez que mexe em outras partes dos corpos de suas vítimas e nada acontece. O visual do ser maligno também é outro problema: há, inclusive, elementos de Pennywise no rosto de La Llorona, mas com efeitos visuais de baixa qualidade, que cortam o resultado pretendido 

Outro ponto sofrível em A Maldição da Chorona é o seu roteiro. Escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis, responsáveis apenas por A Cinco Passos de Vocêo script do longa revela toda a inexperiência da dupla, que não conseguem fazer com que a história seja coerente. Ora, os personagens enxergam a assombração e o que ela faz, em seguida, estão surpresos por ouvirem que La Llorona é capaz de realizar aquelas mesmas coisas. Também há uma falta de cuidado ao levar a cultura mexicana para o longa, uma vez que eles transformam os hábitos do povo latino em situações dignas de risos, praticamente caçoando de suas crenças e costumes.  

O elenco do longa também não colabora. Apenas Linda Cardellini consegue se sobressair em um mar (ou rio, para ficar dentro do contexto) de atuações sofridas. Os filhos da protagonista, que são perseguidos pela assombração deprimida, não conseguem entregar profundidade em seus personagens — e isso fica ainda mais evidente ao compara-los com as performances dos garotos latinos que viram as primeiras vítimas de La Llorona no longa. Raymond Cruz, o Tuco Salamanca de Breaking Bad, que no filme vive o curandeiro Rafael Olvera, tenta ser o salvador e alívio cômico da história, mas falha em ambos. É claro que o roteiro e a falta de uma direção competente também comprometeram a entrega dos atores. Há outros personagens no longa, é claro, e todos estão tão ruins em cena que nem vale a pena cita-los. 

A Maldição da Chorona nada mais é que um produto já visto inúmeras vezes e que tenta a sorte trazendo uma nova roupagem para uma velha história — o que não seria problema, se isso fosse feito com competência. Infelizmente, o longa, que era para ser uma trama aterrorizante sobre uma famosa e conhecida lenda mexicana, acaba se tornando uma comédia involuntária, que causa mais risos do que sustos. Assim, cada vez mais, o universo de Invocação do Mal, que era empolgante, está se perdendo em meio a derivados que ficam muito abaixo da franquia original. E saber que o mesmo diretor deste longa comandará a terceira aventura dos Warren é a única coisa que realmente dá medo nessa história toda… 

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 0    Média: 0/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close