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Guava Island | Crítica

Guava Island | Crítica

Guava Island

Ano: 2019

Direção: Hiro Murai

Roteiro: Ibra Ake, Donald Glover, Stephen Glover, Jamal Olori, Fam Udeorji

Elenco: Donald Glover, Rihanna, Letitia Wright, Nonso Anozie

Donald Glover tem uma das vozes mais criativas e empolgantes da atualidade. O ator, produtor, roteirista, diretor, cantor e compositor, além de provar que sabe fazer um pouco de tudo, atingiu o ápice da sua carreira com duas impressionantes temporadas de Atlanta, série em que trabalha em todas as funções. Junto com Hiro Murai, diretor da maioria dos episódios da atração do FX e do clipe This is America, Glover apresenta outro ótimo projeto em Guava Island.

Lançado meio de surpresa na Amazon Prime Video, após a apresentação do alter ego musical de Glover, Childish Gambino, no festival Coachella, o filme traz um pouco disto na sua história. Na Ilha Guava titular, país uma vez rico por um tipo único de seda que ficou escasso após esta ser muito explorada e comercializada, Deni (Glover) é um operário que, assim como maior parte dos moradores da ilha, trabalha na Cargas Red, a única indústria local. Ele é conhecido por todos por sua carreira como cantor, suas músicas tocam na rádio e alegram a todos — e por ser tão irresponsável quanto é despreocupado. Deni tem um relacionamento estável com Kofi (Rihanna) e os dois esperam um filho.

Deni planeja fazer um festival de música para dar algum entretenimento ao povo da ilha que é obrigado a trabalhar de domingo a domingo. Mas, para isso, eles precisa ou conseguir uma folga para seus colegas ou convencer que todos faltem no dia seguinte. Plano que fere os interesses de Red Cargo (Nonso Anozie), dono da empresa que tem como interesse que seus funcionários trabalhem todos os dias. Aí temos o nosso filme.

Com rápidos cinquenta minutos, o média-metragem consegue ser breve e convincente. Donald Glover é extremamente carismático no papel principal e, para o choque de ninguém, carrega a produção nas costas. Quando seu personagem canta seus singles da vida real como This is America, Feels Like Summer e Summertime Magic, ele prova também o seu talento como cantor. É uma pena que Rihanna, excelente aqui, não possa mostrar o seu talento musical e tenha pouco tempo de tela. Letitia Wright, aparece brevemente em duas cenas, mas consegue encher de vida a sua Yara, colega de trabalha de Kofi na indústria têxtil.

A estreia na direção de Hiro Murai, que já comandou episódios de Atlanta, Legion e Barry e inúmeros videoclipes, é habilidosa como o esperado. A decisão de filmar o média-metragem no aspecto 4:3 e em filme, além de dar um aspecto granulado à imagem da projeção, ajuda a criar uma atmosfera mais caseira e nos transporta melhor para a Ilha Guava. Mesmo sendo uma diversão descompromissada na maior parte do tempo, quando as coisas ficam tensas, Murai sabe lidar com a tensão e entregar um ótimo resultado.

Como é de se esperar, o média-metragem também tem seus significados. Nada tão oculto que seja necessário inúmeros vídeos e incessantes posts na internet dissecando como o clipe de This is America ou atinja o nível surreal que Atlanta tanto gosta. Logo de cara, Guava Island se mostra um tanto que critica ao capitalismo. A Ilha Guava era rica em uma matéria-prima única e, assim como vários países, tem seu recurso explorado até ficar escasso. Red obriga seus funcionários a trabalhar de domingo a domingo e os moradores da ilha não conseguem aproveitar a parte paradisíaca do lugar que moram.

Alcançando um conclusão óbvia, mas não menos emocionante, Guava Island é excelente e entretém bastante. Donald Glover tem uma voz única e mal posso esperar para ver o que ele pode fazer no cinema quando comandar o seu próprio filme.

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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