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The Silence | Crítica

The Silence | Crítica

The Silence

Ano: 2019

Direção: John R. Leonetti

Roteiro: Carey Van Dyke, Shane Van Dyke

Elenco: Kiernan ShipkaStanley TucciMiranda OttoJohn CorbettKate TrotterKyle Harrison Breitkopf

O silêncio é uma das ferramentas mais efetivas usadas em filme de terror, uma vez que sua presença faz a audiência ficar mais alerta com a expectativa do susto que está por vir. O silêncio é tão popular no gênero que não é de se estranhar que existam filmes que se basearam exclusivamente no artifício para contar a sua história, assim temos Hush: A Morte Ouve, O Homem nas Trevas e Um Lugar Silencioso — todos ótimos. Infelizmente, também temos The Silence que, apesar de trazer silêncio em seu título, é completamente incapaz de utilizá-lo para criar tensão.

O cineasta John R. Leonetti tem uma carreira estável: todos os seus filmes são ruins. Apesar de ser um diretor de fotografia decente (ele trabalhava com James Wan), Leonetti é péssimo na cadeira de diretor e comandou algumas das mais abomináveis sequências da história do cinema. Assim temos Mortal Kombat: Aniquilação, Efeito Borboleta 2 e Annabelle. Provavelmente, seu melhor longa é Sete Desejos, um clássico do “tão ruim que é bom”, que arranca várias risadas do tão inadvertidamente hilário que é. Agora, o cineasta teve a infeliz tarefa de comandar uma adaptação muito similar ao infinitamente superior Um Lugar Silencioso — apesar do livro que o originou ter sido lançado em 2015.

The Silence também acompanha uma família enfrentando uma ameaça cega (desta vez morcegos pré-históricos) que são atraídos pelo som. E a família protagonista tem a sorte de ter uma filha mais velha com problema de audição, assim todos são convenientemente fluentes em linguagem de sinais, o que os ajuda bastante durante o apocalipse. Soa familiar? Ally Andrews (Kiernan Shipka), que perdeu a audição três anos atrás junto com os seus avós em um acidente de carro, vive com os seus pais, Hugh (Stanley Tucci) e Kelly (Miranda Otto), uma avó fumante com câncer de pulmão terminal (Kate Trotter) e um irmão mais novo (Kyle Harrison Breitkopf). Todos levam uma vida feliz, com exceção da avó estar morrendo de câncer (e insistir no cigarro) e Ally sofrer bullying por ser surda, até o dia em que exploradores acidentalmente despertam os morcegos mutantes pré-históricos que comem pessoas.

E a partir daí o filme nunca consegue ser convincente em absolutamente nada. Primeiro que a família descobre o que está acontecendo nos jornais, que explicam de forma bem vaga e só porque foi exibida a gravação de celular de uma mulher dizendo que as criaturas são atraídas pela som, todos tomam como verdade absoluta. Ally automaticamente nota que é uma má ideia ficar na cidade grande porque cidades são barulhentas e a família resolve ir embora de carro. Sem destino, plano ou ideia para onde ir. Apenas a primeira de uma sequência de escolhas infelizes tomadas pelos personagens.

A produção sequer consegue nos convencer de que acompanhamos uma família, pois nenhum dos atores tem a menor química um com o outro. Stanley Tucci, sempre carismático, parece uma porta no papel e pouco pode fazer com um material tão limitado e sem vida. Kiernan Shipka, que apesar de jovem já provou seu talento em Mad Men e O Mundo Sombrio de Sabrina, também tem zero material para ser trabalhado e não consegue dar profundidade a sua protagonista. Todos os personagens do longa são terrivelmente unidimensionais, desinteressante e sem qualquer tipo de desenvolvimento ou progressão.

Mas personagens unidimensionais que tomam péssimas decisões são a fundação de filmes de gênero e seria algo perdoável se o terror em si fosse efetivo. Não é. Apesar do silêncio ser uma arma sempre funcional, aqui impressiona o fato de que ela nunca consegue causar tensão, apenas tédio. São longas cenas dos personagens fazendo o máximo de silêncio o possível e não existe nada na direção capaz de gerar qualquer tipo de envolvimento ou medo. Até quando algum personagem morre é algo completamente privado de qualquer vínculo emocional.

The Silence é um filme indefinível de gênero. Não há terror algum para considerá-lo um terror e não há suspense algum para considerá-lo um suspense. Apesar de ter entrado em produção meses antes de Um Lugar Silencioso estrear, é uma pena que um longa tão similar seja lançado com um ano de diferença e basicamente falhando em tudo o que o anterior fez tão bem — e vale ressaltar que este era apenas o terceiro crédito de diretor de John Krasinski e sua primeira tentativa no gênero enquanto The Silence é o quarto terror em sequência de John R. Leonetti. Apesar de ter estreado em uma data suficientemente estratégica, uma semana depois da segunda parte de O Mundo Sombrio de Sabrina, que também traz Kiernan Shipka e Miranda Otto nos papéis principais, este projeto de terror facilmente cairá no esquecimento no catálogo da Netflix.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4.5/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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