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Loja de Unicórnios | Crítica

Loja de Unicórnios | Crítica

Loja de Unicórnios (Unicorn Store)

Ano: 2019

Direção: Brie Larson 

Roteiro: Samantha McIntyre

Elenco:  Brie Larson, Samuel L. Jackson, Joan Cusack, Bradley Whitford, Karan Soni, Mamoudou Athie, Mary Holland, Hamish LinklaterAnnaleigh Ashford, Martha MacIsaac 

A estreia de Brie Larson na direção é, no mínimo, complicada. A atriz, que já sentou na cadeira de diretora em duas curtas-metragens, trabalha com um roteiro batido que não apenas não a ajuda em sua direção como também na sua atuação.

O longa começa com Kit (Larson), uma jovem artista de quase 30 anos, sendo expulsa da faculdade de artes que cursava. Em uma tarefa, a protagonista cria uma obra cheia de cores brilhantes e muito glitter, o que a faz zerar na atividade e ser obrigada a voltar a morar na casa dos pais. Desempregada e sem perspectiva do que fazer na vida, ela aceita um emprego em uma agência temporária, numa tentativa desesperada de provar que pode ser adulta, onde todos os empregados são monótonos e sem vida.

As esperanças de Kit de voltar a fazer a sua arte voltam quando ela recebe um misterioso convite para um lugar conhecido apenas como A Loja. Lá, ela encontra um lugar mágico onde O Vendedor (Samuel L. Jackson) a confere uma missão: construir um estábulo em que um unicórnio — sonho de infância de Kit — possa morar e, assim, o animal mítico poderia ser seu amigo.

Logo de cara é possível entender a mensagem que Loja de Unicórnios quer passar, mas não ajuda o filme o fato da mesma coisa ter sido feita inúmeras vezes em inúmeros filmes. Tanto não desistir de correr atrás de seus sonhos e a representação de que empregos em escritórios são entediantes e tóxicos aos objetivos dos protagonistas é algo visto recorrentemente — o que não seria um problema ver novamente se o longa as entregasse de maneira convincente. Kit desdenha dos seus pais (vividos por Bradley Whitford e Joan Cusack), desdenha de Kevin (Karan Soni) e de todos os seus colegas de trabalho por basicamente terem um emprego normal.

O talento de Brie Larson enquanto atriz é inegável, ela entregou performances excepcionais em Temporário 12 e O Quarto de Jack, e aqui ela dá o seu melhor em um papel limitado. Kit teria sido uma personagem bem pior vivida por uma atriz menos competente. A protagonista é irritante, infantil e não saber lidar com o conceito de ter uma vida adulta. Seria fácil detestá-la se Larson não conseguisse conferir complexidade e frustração convincentes a sua personagem. O fato de ser a sua estreia na direção e de usar gravações da sua própria infância mostram o quanto ela estava envolvida com o projeto.

Mais uma vez, a atriz provou ter uma excelente química com Samuel L. Jackson — esta é a quarta vez em que os dois trabalham juntos. O ator compõe um personagem divertido e ótimo de se assistir no seu Vendedor, é uma pena que para a própria natureza misteriosa do personagem tenha sido necessário que ele tivesse pouco tempo de tela. Do resto do elenco coadjuvante, destaca-se Mamoudou Athie, de The Get Down, como Virgil. A amizade e o apoio de Virgil para com Kit é um dos pontos altos do longa e o ator é muito carismático no papel.

Loja de Unicórnios é tonalmente confuso. O filme é claramente adulto, trata de alguns temas sérios e até cita o assédio constate de Gary (Hamish Linklater), chefe do escritório, com as funcionárias — trama que, infelizmente, é descartada logo quando é introduzida. E é difícil de comprar as ideias adultas do longa com um tom tão predominante infantil e, ouso dizer, bobo. Na maior parte do tempo, Kit soa como uma criança que se recusa a crescer e aceitar a realidade. A trilha sonora, composta por Alex Greenwald, é irritante e mais presente do que deveria.

Existe muito potencial não alcançado em Loja de Unicórnios, mas, mesmo que seu primeiro filme não tenha sido dos melhores, ainda existe motivos para se empolgar com a carreira de diretora da Brie Larson. Ela só precisa de um material melhor para trabalhar.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.7/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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