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Estrada Sem Lei | Crítica

Estrada Sem Lei | Crítica

Estrada Sem Lei (The Highwaymen)

Ano: 2019

Direção: John Lee Hancock

Roteiro: John Fusco

Elenco: Kevin Costner, Woody Harrelson, Kathy Bates, John Carroll Lynch, Kim Dicken, Thomas Mann, William Sadler, W. Earl Brown

Bonnie e Clyde foram dois ladrões de banco que viraram celebridade nos Estados Unidos, em meados de 1930. Eles eram famosos por “roubar daqueles que roubavam do povo”, então, por onde passavam, eram idolatrados e a população os ajudava. Estrada Sem Lei possui a intensão de mostrar o outro lado, os danos que o casal causou e as atrocidades que teriam cometido. Baseado em fatos reais, mas que oculta informações cruciais da história.

O longa apresenta os criminosos e já impõe o desafio principal da trama: capturar ou matar Bonnie e Clyde. Para isso, o governo decide chamar Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), dois ex-Texas Rangers famosos por terem êxito no combate ao crime organizado, mas sempre deixando claro que utilizavam de muita violência para isso. A produção possui a intenção de mostrar o tratamento do governo com policiais e a baixa remuneração. Os dois veteranos estavam em situações difíceis, seja financeira ou de autoestima, com muita vontade de voltar a fazer a única coisa que eles realmente são bons.

O longa segue a saga dos dois policiais pela estrada, tentando emboscar o casal e, a todo momento, com a intensão de desumanizar Bonnie e Clyde, sempre mostrando-os matando policiais com muita crueldade e sangue frio. Porém, a história é um pouco diferente. Há relatos de poucas mortes de policiais fora das trocas de tiros e também há um informações de bons tratos do casal a um agente da lei que virou refém deles. O homem disse, após ser solto, que a dupla não tinha intenção nenhuma de tirar sua vida.

O filme parece querer desumanizar os criminosos mais famosos dos Estados Unidos, até com diálogos que deixam a entender que eles foram corrompidos com o passar do tempo. Mesmo enfatizando a violência dos policiais, o longa justifica o uso da força, por ser “o certo a se fazer”. O bem e o mal são estabelecidos e o casal acaba não tendo um desenvolvimento, com seus rostos mostrados apenas no final. Uma tentativa de engrandecer a polícia do Texas dos anos 1930. Polícia essa que era conhecida pela extrema violência, principalmente com pessoas negras.

Fica clara a ideologia seguida na produção, mas o filme ter um lado não diminui suas qualidades, mas sim ocultar informações e deixar claro que o filme se baseia em fatos. Porém, apesar disso, Estrada Sem Lei possui um bom ritmo, lento, mas constante, desenvolvendo a história sem nenhuma pressa, focando nos diálogos da dupla de protagonistas. As cenas de perseguição são bem dirigidas e a tensão é implementada de forma natural. A direção de fotografia acerta na retratação das paisagens, com pouca coloração, revelando um ambiente inóspito e frio (no sentido de ser sem emoções).

Kevin Costner e Woody Harrelson dão um show à parte, com ótimas atuações e muita presença de cena. É interessante observar as personalidades distintas dos dois. Enquanto o personagem de Costner é mais fio, pensativo, cauteloso e até irritado, seu amigo é emotivo, sensível, sujeito a ser enganado, mas igualmente bom no que faz. Os problemas contidos nos protagonistas não são explicitados, mas tudo fica bem subentendido, querendo revelar a solidão de cada um, que fica por trás da impotência perante a esposa e do álcool.

Estrada Sem Lei é um road movie bem produzido, com um roteiro redondo e um ritmo lento, porém constante, mas acaba se perdendo um pouco na utilização do tom ideológico, ocultando informações importantes apenas para beneficiar um lado. A falta de emoções que se torna uma característica ao longo da produção também acaba sendo um problema, pois é difícil de se importar com qualquer personagem, tanto com os “heróis”, quanto com os “vilões”. Mesmo assim, atuações fortes e uma direção eficiente formam um bom filme de época policial, resgatando um momento importante do sul dos Estados Unidos.

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3.5/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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