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Shazam! | Crítica 

Shazam! | Crítica 

Shazam!

Ano: 2019

Direção: David F. Sandberg

Roteiro: Henry Gayden

Elenco: Zachary LeviAsher Angel, Jack Dylan GrazerMark Strong, Djimon Hounsou

A iniciativa de criar um universo compartilhado com os heróis da DC, que teve Zack Snyder como principal realizador, contou com inúmeros percalços. Críticas ao tom sombrio dos longas, os graves problemas envolvendo a produção de Liga da Justiça e filmes desnecessários, como Esquadrão Suicida, foram apenas alguns deles. O Universo Estendido da DC, tentando se desligar do que havia sido estabelecido pela Marvel, acabou caindo em um labirinto recheado de polêmicas.  

Assim sendo, Liga da Justiça, apesar de ter decepcionado como filme, foi um mal necessário: Snyder deixou de ser a referência para o DCEU (apesar de suas valiosas contribuições). E as coisas melhoraram significativamente. O respiro já havia sido dado com Mulher-Maravilha, comandado pela competentíssima Patty Jenkins, poucos meses antes do longa que reunia os principais heróis da editora chegar aos cinemas. Um ano depois, James Wan trouxe cor e humor para aquele universo, com o ótimo Aquaman. Uma aventura despretensiosa e que, mesmo não ignorando os fatos estabelecidos nos filmes anteriores, não tinha amarras, podendo deixar a visão do diretor ditar a produção. Um grande acerto.  

Agora, Shazam! chega para mostrar que, enfim, a DC encontrou o seu caminho e, mesmo saindo da trilha criada por Snyder, se manteve firme na decisão de não seguir os passos da Marvel, não assumindo o compromisso de fazer com que cada um dos seus longas seja apenas a introdução para um próximo. Outra decisão que merece aplausos. Comandado por David F. Sandberg, Shazam! é uma aventura que beira à inocência, focada em divertir e mostrar como uma criança se sairia ao realizar a maior das fantasias: ser um herói. 

O ritmo proposto por Sandberg é excelente. O diretor não tem pressa em mostrar Zachary Levi, o grande astro da produção. Primeiramente, é desenvolvida a história do antagonista, seguida pelo arco de Billy Batson (Asher Angel), o garoto que conquista os poderes, para, somente depois, revelar o nome principal do filme, com mais de meia hora de projeção. Tudo no seu tempo, sem atropelamentos. 

Logo, o longa propõe para os espectadores conhecer os poderes do herói juntamente com os personagens, com momentos hilários e muito honestos. Obviamente, em paralelo, há vislumbres do que o grande vilão da história está planejando, mas sem roubar a cena das travessuras de Billy e seu irmão adotivo Freddy (Jack Dylan Grazer), que se torna o “agente” do herói  e, sem dúvidas, a melhor coisa do filme. 

Recheado de músicas empolgantes e situações divertidíssimas, Shazam! sabe o que quer mostrar, a história que quer contar, sem grandes consequências ou dramas. A parte mais emotiva do longa é a relação de Billy com a sua mãe, de quem ele se perdeu quando mais novo, e a ida do garoto para um lar comunitário — tudo bem construído e sem precisar forçar a barra. Claro que o elenco foi fundamental para chegar ao resultado desejado pelo diretor: Angel não decepciona como Billy, Grazer dá um show como Freddy e Levi, bem, esse transborda alegria — poucas vezes se vê um ator tão empolgado com um papel. É contagiante. 

O antagonista, Dr. Silvana, é outro ponto positivo da produção. Não que o vilão seja tão bom assim, mas a escolha de Mark Strong, um veterano nesse tipo de papel — inclusive, foi o Sinestro no lamentável Lanterna Verde —, facilita a compreensão de que aquele é um cara malvado, poupando tempo dedicado ao personagem e focando nas aventuras de Billy e Freddy, que é o grande diferencial do longa — provavelmente, uma das melhores duplas dos filmes de super-heróis. Os embates entre Silvana e Shazam são interessantes e divertidos, mas o grande confronto entre os dois, no desfecho do longa, não empolga. 

É, pois então, Shazam! não é só flores. Sim, o filme tem alguns problemas, como o fraco terceiro ato, mas o principal deles é, justamente, o grande mérito da produção: as piadas. Ao ditar um ritmo em que cada situação é criada para promover a próxima cena engraçada, o longa, na metade do segundo ato, perde o fôlego, deixando aquelas situações, que deveriam arrancar gargalhadas, maçantes. Mesmo assim, não é motivo para desespero, pois a produção logo se recupera, investindo nas cenas de ação. 

Focando no divertimento, Shazam! é um grato acréscimo ao DCEU (sim, todos os heróis da Liga da Justiça existem no filme e são citados inúmeras vezes), mas sem se preocupar em preparar terreno para outra produção — na verdade, o filme nem se preocupa com muita coisa. E isso é ótimo. Da mesma maneira que Billy Batson se transforma em uma pessoa mais divertida ao gritar Shazam!”, se desprendendo de suas preocupações e angustias, a DC parece que está seguindo o mesmo caminho.  Sendo assim, Shazam!”. 

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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