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Duas Rainhas | Crítica

Duas Rainhas | Crítica

Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)

Ano: 2018

Direção: Josie Rourke

Roteiro: Beau Willimon

Elenco: Saoirse RonanMargot Robbie, Jack LowdenGuy PearceDavid TennantJoe Alwyn, Adrian Lester, Ismael Cruz Cordova

“Como são cruéis os homens”, diz a rainha Elizabeth (Margot Robbie) em um determinado momento de Duas Rainhas.  E essa colocação não poderia ser mais assertiva. Durante toda a projeção, somos apresentados a nobres que não medem esforços para sabotar a rainha Mary Stuart (Saoirse Ronan), simplesmente pela soberana ser uma jovem mulher, com uma personalidade forte e opiniões que confrontavam os ideais do século XVI. 

Ao contrário do que o título nacional, Duas Rainhas, indica, Mary Queen of Scots (Mary Rainha dos Escoceses, em tradução livre), o nome original do longa, realmente, se alinha bem mais à proposta do filme: contar a história de Mary — mesmo que, nitidamente, haja diversos momentos ficcionais. Na trama, a jovem, logo após a morte de seu marido, que era rei da França, retorna ao seu país de origem para assumir o seu trono. Em seu lugar, estava o seu meio-irmão James, conde de Moray (James McArdle). No entanto, Mary tinha o direito legítimo não só ao trono escocês, mas também ao inglês, que estava sob posse de Elizabeth I, sua prima. 

Herdeira legítima, Mary tenta encontrar uma maneira de deixar Elizabeth I governar, exigindo que seja a sucessora da atual rainha inglesa, que não gerou filhos. No entanto, a corte da soberana faz de tudo para que ela não aceite as condições da líder escocesa. Assim, começa um jogo de trapaças, sabotagens e mentiras, que buscam enfraquecer o poder de Mary. A jovem rainha, representada com uma bondade genuína, apesar da coragem empregada em suas decisões, infelizmente, cerca-se de homens que conspiram contra ela — entre eles, o seu próprio meio-irmão —, o que a leva à sua ruína.

Mesmo com uma história tão interessante, Duas Rainhas é enfraquecido pela falta de experiência da estreante Josie Rourke, que consegue filmar momentos belíssimos, desde que eles não sejam essenciais para a trama. A Escócia retratada pela diretora é impressionante — não que seja muito difícil de conseguir boas tomadas, uma vez que o país realmente é lindo —, mas isso pouco acrescenta ao desenvolvimento do filme. Erros bobos são cometidos pela cineasta, que derrapa diversas vezes no ritmo do longa, fazendo com que situações importantes percam o impacto — como uma batalha entre os exércitos das duas rainhas ou no desfecho da história de Mary, em que a cineasta toma uma decisão completamente preguiçosa, apenas para manter Saoirse Ronan jovem até o final. 

O grande destaque de Duas Rainhas, uma vez que a história, infelizmente, não consegue entregar tudo o que podia, é o trabalho de maquiagem e penteado, além dos figurinos deslumbrantes. Cada elemento foi cuidadosamente trabalhado para que Duas Rainhas fosse indicado às categorias respectivas no Oscar — o que, de fato, aconteceu. A parte estética do longa, realmente, é um deleite para os olhos. A transformação na pele de Robbie é ótima e passa uma sensação incômoda, de tão natural que ficou. Além disso, os penteados de todos os personagens estão perfeitos e extravagantes, mostrando que a equipe dedicou muitas horas de trabalho para os cabelos dos atores. 

A falta de sorte de Duas Rainhas foi a sua proximidade de lançamento com A Favorita, longa de Yorgos Lanthimos que também mostrou as trapaças e mentiras por trás de um reinado (mesmo que com 200 anos de diferença). A produção que rendeu o Oscar para Olivia Colman acertou nos pontos em que Duas Rainhas errou — e isso fez toda a diferença. Para uma história que já havia sido contada, era preciso de mais do que apenas uma bonita estética e duas boas atrizes como protagonistas. 

Nota do crítico: 

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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