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The OA – 2ª temporada | Crítica

The OA – 2ª temporada | Crítica

The OA – 2ª temporada

Ano: 2019

Criadores: Zal Batmanglij, Brit Marling

Elenco: Brit Marling, Jason Isaacs, Kingsley Ben-Adir, Emory Cohen, Patrick Gibson, Ian Alexander, Phyllis Smith, Will Brill

O mistério, com elementos místicos colocados em uma trama que se passa no mundo real, onde todos são incrédulos, prende o espectador, fazendo ele discutir sobre o que vai acontecer no episódio seguinte. Esse artifício, quando acompanhado por um bom enredo, funciona. Porém, muitas vezes, a série só quer gerar cada vez mais audiência e não pensa bem sobre os desfechos dos seus arcos. Um grande exemplo é Lost, que apresentou diversas informações e terminou sem explicar muitas coisas e mostrando um desfecho raso para a história. Já uma amostra positiva é The Leftovers, que é intrigante, mas desenvolve muito bem a sua história, imergindo em cada personagem, fazendo com que tudo ali seja interessante e não só aquele grande mistério.

Infelizmente, The OA vai de carona com Lost e, após deixar diversas dúvidas em sua primeira temporada, esclarece as mais óbvias e empilha elementos que provavelmente não possuem nenhuma lógica na narrativa. Mas, antes de falar com detalhes sobre isso, vamos recapitular. A história do seriado se passa em torno de uma jovem cega (Brit Marling), que fica desaparecida durante sete anos e retorna enxergando normalmente. Com o nome de Prairie, ela passa a se auto intitular como OA (Anjo Original). A mulher reúne um grupo de jovens e uma professora para contar-lhes sua história e não revela a mais ninguém o que aconteceu durante esses sete anos — nem mesmo à sua própria família.

A primeira temporada implementa a questão de que se pode ir para outra dimensão, mas deixa tudo muito subentendido, não confirma nada e ainda coloca algumas coisas que dariam a entender que tudo aquilo que a protagonista conta, na verdade, não passava de invenções da cabeça da personagem. Porém, já no início da segunda temporada, a intenção é deixar claro que outras dimensões existem e que tudo era real. Além disso, muitos elementos fantásticos são colocados em tela, aumentando a suspensão de descrença do público, que agora poderia aceitar qualquer coisa.

O principal problema disso é que as novidades — pelo menos, a maioria delas — não fazem sentido algum, sendo mal implementadas e com pouco desenvolvimento. Parece que há uma preguiça em colocar esses elementos de uma forma pensada, sensata, evitando furos de roteiro. Aliás, essa temporada está recheada dessas falhas no script e parece que isso não é um problema. A história vai se desenvolvendo sem medo, se levando a sério demais em volta de acontecimentos absurdos, que não fazem sentido naquela narrativa.

Depois de tantas pessoas criticarem a primeira temporada, os produtores parecem ter aceitado e começaram a realmente fazer algo ruim, apenas tentando prender o público com mistérios sem sentido que não terão uma explicação cabível. Além disso, muitas outras coisas da produção pioraram drasticamente, como as atuações. Kingsley Ben-Adir, que interpreta o detetive Karim — novo personagem que assume protagonismo junto com Prairie —, não parece estar seguro em cena, com expressões totalmente diferentes em situações semelhantes. Ele não passa veracidade em seu personagem e fica difícil de comprar que aquele detetive realmente se importa com o que está acontecendo. Emory Cohen cai drasticamente em relação à temporada anterior e sua atuação acaba sendo fraca, mas ele também é prejudicado pelo roteiro, que subjulga totalmente o seu personagem, transformando-o em um fantoche sem cérebro e sem importância para a narrativa.

Brit Marling é a única que consegue manter a boa performance e encantar, principalmente no último episódio, com uma belíssima atuação. Mesmo sendo muito inferior em relação à primeira temporada, a segunda parte de The OA também possui qualidades, como a fotografia, que está mais densa e sem tanta luminosidade, passando a sensação de que as coisas ficarão realmente ruins. A direção também mantém o bom nível, com sequências angustiantes e colocando tensão nos momentos certos.

Após dois anos de hiato, The OA volta consolidando uma proposta: fazer mistério custe o que custar e colocar cada vez mais coisas extremamente forçadas, fazendo o público engolir tudo o que apresenta. Mesmo abraçando o absurdo, a série se leva a sério demais, fazendo com todos os mistérios sejam cansativos e que percebemos os diversos furos de roteiro disfarçados. Cheia de inconsistências narrativas, problemas de ritmo e com dois episódios descartáveis, a volta de The OA não poderia ter sido pior.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

Comments

  1. Até que enfim uma crítica coerente! As críticas que li até agora foram totalmente emocionais e nada racionais. Críticas de pessoas que gostam muito da série e vão continuar elogiando não interessa o que aconteça. Adorei a 1° temporada, mas detestei 2°. Não sei se vou ter interesse de assistir a 3° temporada.

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