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Love, Death & Robots – 1ª temporada | Crítica

Love, Death & Robots – 1ª temporada | Crítica

Love, Death & Robots – 1ª temporada

Ano: 2019

Criador: Tim Miller

Elenco: Samira Wiley, Mary Elizabeth Winstead, Topher Grace, Nolan North, Stefan Kapicic, Gary Cole 

Os produtores David Fincher e Tim Miller, que já colaboraram juntos em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, estavam trabalhando em um remake da animação de ficção científica Heavy Metal. Apesar de ter um título diferente, os dois criaram uma série animada com uma premissa bastante similar ao do clássico francês. A iniciativa de Love, Death & Robots é excelente. Cada episódio é escrito por um roteirista diferente, comandado por um diretor diferente e feito por um estúdio de animação diferente. Ao todo são 18 contos de ficção científica e fantasia totalmente únicos, nunca dá pra saber o que vem a seguir.

Alguns episódios impressionam pela qualidade técnica da animação empregada, as ambientações são extremamente detalhadas com uma atenção absurda a detalhes e com os personagens realistas e cheios de expressões faciais. A Vantagem de Sonnie, Para Além da Fenda Rift, Metamorfos e Lucky 13 não só trazem o realismo nos personagens como também abordam as histórias mais adultas, violentas e bem desenvolvidas da série. O que não tira o mérito de outros episódios que trazem uma animação mais caricata ou que assumem um estilo similar ao 2D. Os Três Robôs, Proteção contra Alienígenas, Histórias Alternativas e outros divertem bastante com a sua leveza e descontração, principalmente porque cada episódio cômico quase sempre vem logo depois dos mais intensos e violentos, alternando entre o horror e a comédia.

Como toda boa ficção científica, a série animada também traz suas boas doses de meditação naqueles que são os curtas mais fascinantes. Tanto Quando o Iogurte Assumiu, Para Além da Fenda Rift, Noite de Pescaria e Zima Blue convidam para reflexões depois que os créditos começam. Os curtas variam de dez a vinte minutos de duração. Na maior parte do tempo, cada episódio tem uma minutagem perfeita para a história abordada, com começo, meio e fim bem redondinhos. No entanto, Metamorfos e A Guerra Secreta poderiam se beneficiar de alguns minutos a mais para nos fazer nos importar mais com os personagens e desenvolver um pouco melhor a trama.

Apesar de trazer inúmeras protagonistas fortes e inspiradoras, que sempre conseguem vencer qualquer desafio ou se livrar dos homens violentos ao seu redor, Love, Death & Robots tem um problema muito sério de hipersexualização feminina. Em episódios como A Testemunha, no qual a protagonista foge de um assassino após testemunhar um possível assassinato, a  personagem principal passa os 12 minutos de duração fugindo e quase que completamente nua enquanto isso — o que não seria um problema se a direção não assumisse uma postura voyeurística explorando a nudez dela. A Vantagem de Sonnie, Para Além da Fenda Rift (os dois mais fotorrealistas, talvez, não por coincidência) e Boa Caçada sofrem do mesmo problema de objetificação.

Sem dúvida a animação mais ambiciosa da Netflix até agora, Love, Death & Robots é um poço enorme de criatividade e talento. Contando 18 histórias diferentes, é notável como nenhuma é ruim ou apenas regular, cada uma se destaca e entretém do seu jeito. A série é muito curta e passa muito rápido, o que resta é esperar pela próxima temporada e que todos os estúdios de animação envolvidos consigam fazer excelentes filmes futuramente.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

 

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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