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Maratona Marvel #16 | Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Crítica

Maratona Marvel #16 | Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Crítica

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)

Ano: 2017

Direção: Jon Watts

Roteiro: Jonathan GoldsteinJohn Francis DaleyJon WattsChristopher FordChris McKennaErik Sommers

Elenco: Tom HollandMichael KeatonRobert Downey Jr.Marisa TomeiJon FavreauZendayaDonald GloverJacob BatalonLaura HarrierTony Revolori

A inserção do Amigão da Vizinhança no MCU foi um momento muito esperado pelos fãs, e pode-se dizer que correspondeu às expectativas. A sua participação em Guerra Civil contou com uma entrada triunfal: roubando o escudo do Capitão América de uma maneira que só alguém que não fazia ideia do que estava acontecendo teria a audácia de fazer. No combate, ele teve momentos fantásticos, com destaque para o ataque ao Homem-Formiga utilizando a tática apresentada pela Resistência ao enfrentar os AT-AT Walkers em Star Wars – Episódio V: O Império Contra Ataca. Esta estreia em grande estilo aumentou a expectativa para o filme solo do herói aracnídeo. Será que Tom Holland conseguiria recuperar o prestígio do Homem-Aranha no cinema, abalado após a fracassada trilogia inacabada de Marc Webb? Conseguiu. E com sobras.

O primeiro grande acerto de Homem-Aranha: De Volta ao Lar foi evitar reproduzir pela centésima vez os eventos de Peter Parker sendo picado pela aranha radiativa, descobrindo seus poderes, deixando passar por si o assaltante que assassinaria o Tio Ben, e tudo aquilo que todo mundo já está careca de saber. O que eu considero um outro grande acerto, sei que é um ponto bem controverso e grande parte dos fãs do herói não aceitaram bem: a substituição da figura paterna. Sai Ben Parker e entra Tony Stark (Robert Downey Jr.). É uma heresia, certo? Errado. Temos que lembrar que o Homem-Aranha possivelmente nunca será um dos carros-chefe do MCU, visto que a Sony não vai abrir mão facilmente dos seus direitos sobre o personagem, então não há motivo para aprofundar demais nessa relação. Faz muito mais sentido focar em sua idolatria por aquele que atualmente é o centro do MCU: Tony Stark, o Homem de Ferro. Pode incomodar os fãs das HQ’s, mas não podemos esquecer que uma enorme parcela do público jamais leu uma revista do Homem-Aranha.

E esta figura paterna se torna ainda mais relevante ao apresentarem um Peter Parker de 15 anos de idade. Já no início do filme vemos que ele gravou com o telefone celular os bastidores de sua participação na Guerra Civil. Desde a viagem para Berlim, a noite no hotel, e parte do confronto no aeroporto. Não é exatamente isso que esperaríamos de um adolescente? Soma-se a isso a impaciência, a ansiedade para ser chamado novamente para uma missão, enquanto as horas custam a passar na rotina agora sem graça de sua escola. E ainda a necessidade de autoafirmação, de se mostrar maduro e capaz ao mesmo tempo que ele próprio está inseguro quanto a isso. Ao ponto de reclamar que é tratado como criança enquanto pula de meias sobre a cama de um hotel.

Esta atmosfera adolescente é a base do filme. Não é segredo nenhum que a produção se inspirou nos clássicos filmes de John Hughes da década de 1980. Utilizando elementos de Clube dos CincoCurtindo a Vida Adoidado, entre outros, Homem-Aranha: De Volta ao Lar acerta o tom de incluir os desafios de ser um super-herói em meio a uma fase de amadurecimento, tanto físico quanto emocional. Vale destacar a sensibilidade de trazer uma diversidade marcante entre os personagens que rodeiam Peter: negros, latinos, asiáticos, gordos, garotas empoderadas e questionadoras. Um leque de perfis que são muitas vezes esquecidos ou escanteados. Tudo bem, o protagonista ainda é um garoto branco padrão, mas até isso pode mudar futuramente, ainda mais após o sucesso de Miles Morales em Homem-Aranha no Aranhaverso.

E a química do elenco como um todo está ótima. A dinâmica entre Peter e Ned (Jacob Batalon) é excelente, trazendo o humor de forma natural e na medida certa. Liz (Laura Harrier), Flash (Tony Revolori) e, principalmente, Michelle (Zendaya) dão o background perfeito para os conflitos de Peter, que está dividido entre o sonho de lutar junto aos Vingadores e o desejo de viver as experiências típicas de sua idade. Tony Stark, como dito anteriormente, assume um papel importante como mentor, dando os puxões de orelha necessários em Peter. Já seu funcionário, Happy Hogan (Jon Favreau), torna-se um pouco repetitivo, e suas atitudes em relação às incessantes tentativas de contato por parte de Peter se tornam aleatórias ou incoerentes, visto que ele quase sempre ignora os telefonemas, mas acaba atendendo ligações em momentos nos quais ele realmente estava ocupado.

Por fim, o vilão.  O Abutre de Michael Keaton é mais um dos excelentes antagonistas que a Marvel conseguiu desenvolver nesta fase de seu universo compartilhado. Com uma motivação compreensível e planos bem definidos, o Abutre se mostra um personagem realmente ameaçador, utilizando sua maturidade e frieza para contrapôr a inexperiência e impetuosidade de Peter. Para o jovem Homem-Aranha, que estava acostumado a pegar ladrões de bicicleta e fazer piruetas para entreter os moradores do bairro, enfrentar um super vilão equipado com tecnologia alienígena foi um grande e difícil passo. E, diferente do personagem original dos quadrinhos, que era um senhor de idade com uma roupa que pouco fazia além de simplesmente voar, este Abutre utiliza uma espécie de armadura com asas de metal, com lâminas no lugar das penas. Para deixar a luta mais parelha, entram em cena as novas funções do uniforme fornecido por Tony Stark. Por exemplo, as clássicas asas de teia sob os braços, fundamentais para as ações do herói em pelo menos dois momentos. Além disso, principalmente no que diz respeito ao visual, o destaque fica para os olhos que variam de tamanho, tornando o rosto do Aranha muito mais expressivo sem a necessidade de tirar a máscara o tempo todo.

Contando com doses certeiras de comédia e aventura, vale ressaltar o excelente trabalho de Jon Watts na criação da tensão no final do segundo ato.  A cena em que Adrian Toomes descobre que Peter Parker é o Homem-Aranha remete à situação vivida por Peter e Norman Osborn no primeiro filme do aracnídeo dirigido por Sam Raimi, mas com um ar mais sombrio e um jogo de luzes fantástico. No momento exato no qual Toomes faz a associação dos fatos, a luz do semáforo invade o carro tornando seu rosto vermelho e ameaçador. Algum tempo depois, a cena em que Peter é soterrado e, após instantes de desespero, consegue se erguer entre os escombros de um prédio, marca um momento transformador na personalidade do herói, como aconteceu com o próprio Tony Stark em Homem de Ferro 3 (quando ficou sem sua armadura) e com Thor em Thor: Ragnarok (quando perdeu o Mjölnir).

Contando com homenagens e referências às antigas versões do herói no cinema e na TV, e com o gancho deixado na cena pós-créditos (o Escorpião vem aí?), Homem-Aranha: De Volta ao Lar entrega fan services satisfatórios, capazes de colocar sorrisos no rosto até mesmo de seus fãs mais inconformados com as mudanças sofridas pelo personagem (cof cof, Tio Ben, cof cof). Vale lembrar que a dinâmica entre o Homem-Aranha e o Homem de Ferro foi fundamental para tornar mais relevante o desfecho de Vingadores: Guerra Infinita. Tudo bem, nós já sabíamos (ou imaginávamos) que ele voltaria de alguma maneira, mas ver Peter se transformando em cinzas em um planeta distante deu um nó na garganta. Agora, resta esperar pelo seu retorno em Vingadores: Ultimato e torcer para que suas próximas aventuras sejam tão divertidas e empolgantes como em suas primeiras aparições no MCU.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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