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Operação Fronteira | Crítica

Operação Fronteira | Crítica

Operação Fronteira (Triple Frontier)

Ano: 2019

Direção: J.C. Chandor

Roteiro: J.C. ChandorMark Boal

Elenco: Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie HunnamGarrett Hedlund, Pedro PascalAdria Arjona

É sempre bom assistir a um filme de assalto, mesmo que seja genérico. Aquela tensão, o objetivo quase impossível e a sensação de que tudo vai dar certo no final. É com esse sentimento que normalmente alguém começaria a assistir Operação Fronteira, que conta com um elenco estelar, encabeçado por Ben Affleck, Oscar Isaac, Pedro Pascal e Charlie Hunnam.

O longa conta a história de cinco amigos que foram companheiros no exército. Os anos se passaram, eles estão mais velhos, sem dinheiro e frustrados profissionalmente. Há um rancor em relação ao tratamento que receberam de seu país. Até que Pope (Oscar Isaac), que é o único a ainda estar ativo — sendo policial no México —, propõe que eles realizem um reconhecimento da mansão de um dos maiores traficantes do país. As coisas começam a ser desenvolvidas quando o policial sugere que eles não avisem ao exército, realizem um assalto ao lugar e assassinem o bandido.

Mesmo relutante, o grupo aceita o desafio e bola um plano estratégico para que nada dê errado. O primeiro ato, que serve como apresentação, possui um ritmo fluído e agradável, que contextualiza bem o espectador. Porém, o desenvolvimento dos personagens deixa a desejar, dando muito mais protagonismo a dois e deixando os outros três de lado. E mesmo aqueles que estão mais em foco não possuem um grande aprofundamento. Acaba ficando tudo por conta do carisma dos atores, o que dificulta com que o público se identifique com eles.

As atuações estão dentro do esperado, com Charlie Hunnan, mesmo com pouco tempo de tela, roube as cenas em que aparece. Oscar Isaac está seguro e apresenta um personagem interessante. Ben Affleck é a decepção, com uma performance inconstante e até um tanto inverossímil, sem muita expressão. A surpresa ficou por conta de Garrett Hedlund, esbanjando carisma e muito bem nos momentos mais dramáticas.

Parece que falta uma apresentação das habilidades dos integrantes do grupo. Não fica tão palpável que eles realmente são um profissionais de elite. A montagem é um tanto confusa, cortando cenas importantes e quebrando a expectativa, mas de uma maneira frustrante. É como se estivéssemos esperando um clímax de alguma situação e o diretor corta para uma cena não tão importante. A direção de J.C. Chandor é problemática, sem muitos planos longos e abertos, utilizando mais planos fechados nas cenas de ação. Mas, mesmo assim, ele consegue passar uma tensão e acabamos nos preocupando com os personagens.

O longa constrói bem o senso de que tudo pode dar errado, mas peca, principalmente no segundo ato, utilizando diversos clichês de filmes do gênero. O desfecho principal é previsível e já visto em muitas produções, o que acaba pesando contra a obra. Poderia ser uma produção diferente e até é em muitos momentos, substituindo bem os antagonistas por outros elementos e quebrando a expectativa da maneira positiva, principalmente no segundo ato, que é onde se encontra o ponto alto da produção.

Outro problema grave são os diálogos expositivos, contidos principalmente no terceiro ato, que acaba sendo o pior. Operação Fronteira é um bom filme de ação, com mais tensão do que a maioria, mas acaba fracassando em ser um longa de assalto diferente, se agarrando a fórmulas e clichês. Boas atuações e muito carisma aproximam o espectador e artifícios de roteiro surpreendem. Se trata de uma boa diversão, sem muita pretensão, mas com problemas graves de construção de personagens e na montagem.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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