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Curso se aprofunda no cinema de David Cronenberg em Porto Alegre

Curso se aprofunda no cinema de David Cronenberg em Porto Alegre

Em 23 e 24 de março, das 14h às 17, acontece, em Porto Alegre, o curso ‘O Cinema Visceral de David Cronenberg‘. A capacitação, promovida pelo Cine UM, será ministrada por Rosângela Fachel de Medeiros e propõe uma retrospectiva carnal da obra do cineasta, ícone do body horror que, ao transcender os limites do cinema de gênero, desvelou as origens filosóficas do horror corporal. Os encontros serão na Cinemateca Capitólio Petrobras (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico).

Para a análise e discussão de suas obras, serão retomados conceitos como: grotesco (Mikhail Bakhtin), abjeto (Julia Kristeva) e queer (Theresa De Lauretis), que ajudam a compreender o processo de configuração do devir-corpo cronenberguiano, pensando a partir da ideia de devir (Gilles Deleuze & Feliz Guattari). Para discutir a configuração e as implicações artísticas, estéticas, narrativas, culturais, políticas e filosóficas dessa matriz autoral recorrente, o curso traçará um panorama geral de sua obra enquanto cineasta anglo-canadense em constante tensão com o sistema cinematográfico hollywoodiano.

Conteúdos:

Aula 1

I – O nascimento de um cineasta
Cronenberg descobre o cinema como possibilidade artística e realiza suas primeiras produções: Stereo (1969) e Crimes of the Future (1970).

II – A reconfiguração do gênero de horror
Ao buscar ingressar em uma “indústria cinematográfica”, Cronenberg realiza seus primeiros longas-metragens pela Cinepix, e inaugura um novo gênero de horror centrado no corpo humano: Calafrios (Shivers/The Parasite Murders /Frissons /They Came from Within, 1975) e Enraivecida na Fúria do Sexo (Rabid, 1976).

III – Produzindo com mais dinheiro
Período em que Cronenberg produz com mais dinheiro, advindo das políticas públicas de incentivo fiscal (tax-shelter): Fast Company (1979), Filhos do Medo (The Brood, 1979), Scanners: Sua Mente Pode Destruir (Scanners, 1980), primeiro sucesso internacional do cineasta, e Videodrome: Síndrome do Vídeo (Videodrome, 1982).

IV – Flertando com Hollywood
Após o sucesso internacional, surgem convites para filmar em Hollywood e Cronenberg realiza os seus primeiros filmes com produtoras estadunidenses: A Hora da Zona Morta (The Dead Zone, 1983) e A Mosca (The Fly, 1986), até então, seu maior sucesso comercial.

Aula 2

I – Abandonando os filmes de gênero?
Afastando-se um pouco dos filmes de gênero de horror/ficção científica, Cronenberg se aventura por um “cinema de arte”, que dá origem aos cults: Gêmeos: Mórbida Semelhança (Dead Ringers, 1988), Mistérios e Paixões (Naked Lunch, 1991), M. Butterfly (1993), Crash: Estranhos Prazeres (Crash, 1996) e eXistenZ (1999), obtendo sucesso como artista, mas fracasso comercial.

III – Sublimando as obsessões
Deixando de lado as manifestações explícitas de sua obsessões, Cronenberg realiza obras que parecem distanciarem-se de sua matriz autoral: Câmera (Camera, 2000), Spider: Desafie sua Mente (Spider, 2002); Marcas da Violência (A History of Violence, 2005), Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007), No Suicídio do Último Judeu do Mundo no Último Cinema do Mundo (At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World, 2007), Um Método Perigoso (A Dangerous Method, 2010), Cosmópolis (2012) e Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars, 2014).

III – O retorno à literatura
Voltando à literatura, sua primeira paixão, Cronenberg lança seu primeiro romance, Consumidos (Comsumed, 2014), ressignificando, assim, suas influências literárias. O encerramento de um ciclo, no qual o fim retoma o princípio.

Ministrante: Drª Rosângela Fachel de Medeiros

Doutora em Literatura Comparada pela UFRGS/Capes. Professora visitante do Mestrado em Artes Visuais, da UFPel. No mestrado, analisou as configurações intertextuais na representação do desastre automobilístico no filme Crash: Estranhos Prazeres (1996), de David Cronenberg. Dedicou seu doutorado à análise da obra completa do cineasta em relação a sua identidade cultural canadense (UFRGS/Capes). Dentre suas publicações mais relevantes referentes à obra do cineasta, destacam-se: “O devir-corpo dos personagens de David Cronenberg” (Revista Famecos), “David Cronenberg, autor de Almoço Nu. A tradução intersemiótica como transcriação (Revista Cadernos de Tradução) e “David Cronenbeg e a Escola de Toronto” (Tecnologia & Cultura).

As inscrições podem ser feitas pelo site do Cine UM. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cineum@cineum.com.br ou pelo telefone (51) 99320-2714.

Pôster do curso:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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