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Especial | 10 vezes em que o Oscar foi injusto neste século

Especial | 10 vezes em que o Oscar foi injusto neste século

A 91ª edição do Oscar acontece amanhã, no dia 24, e vem levantando muitas polêmicas pelo fato de que vários dos filmes indicados não mereciam estar lá (cof cof Bohemian Rhapsody cof cof), já que ao longo de 2018 tivemos muitos lançamentos excepcionais, que acabaram esnobados na premiação. Historicamente, o Oscar é envolto em polêmicas e, pensando nisso, decidimos listar alguns absurdos que ocorreram na premiação durante o século XXI. Se fôssemos levar em conta todos as edições, desde 1929, ano em que foi criada, não teríamos vida social, pois o Bode na Sala estaria somente por conta de fazer essa lista (não foi desta vez, Shakespeare Apaixonado).

Com vocês, 10 casos peculiares e injustos que o Oscar causou:


  • O Segredo de Brokeback Mountain / Crash: No Limite – Melhor Filme (Oscar 2006), por Carlos Redel

Uma das grandes injustiças da Academia neste século, facilmente, foi tirar o prêmio de Melhor Filme do excelente O Segredo de Brokeback Mountain para dar para o mediano Crash: No Limite. A sensível obra de Ang Lee acompanhava o romance dos cowboys Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger), em uma época e em um lugar em que o preconceito era gigantesco (não muito diferente de agora, diga-se de passagem). Apesar da Academia ter dado o prêmio de Melhor Direção para Ang Lee, muitos acusam os votantes de terem tido preconceito para dar a estatueta dourada pra O Segredo de Brokeback Mountain. Injustiças acontecem no Oscar — desde sempre —, mas essa foi gritante pela diferença de qualidade entre as duas produções. Tanto é que um dos longas é aclamado até hoje, já o outro… Só aparece em listas assim.


  • Qualquer estúdio de animação / Disney – Melhor Longa de Animação (vários anos), por Diego Francisco

Não é segredo para ninguém que a Disney domina o Oscar de Melhor Animação. Desde a criação da categoria, em 2001, o estúdio (junto com a Pixar), soma 23 indicações e 12 vitórias. Mesmo que boa parte dessas vitórias seja merecida, muitas animações excelentes de ótimos estúdios acabam esnobadas. Só observar a DreamWorks, maior rival da Disney em longas animados que, apesar de ter sido indicada 11 vezes, venceu uma única vez. Outros estúdios talentosos como Laika, Blue Sky e Aardman acabam sequer tendo chance, mas nenhum é mais injustiçado que o Studio Ghibli. Com mais de 30 anos de histórias fazendo animações infantis e adultas excepcionais, ele venceu a estatueta dourada em 2002 com A Viagem de Chihiro, mas merecia ter ganhado mais vezes: em 2014, o brilhante Vidas ao Vento, que perdeu para Frozen: Uma Aventura Congelante e no ano seguinte o lindíssimo O Conto da Princesa Kaguya, que perdeu para Operação Big Hero — ano em que até Como Treinar o Seu Dragão 2 merecia mais. Laika, o mais talentoso estúdio de stop-motion (desculpa Aardman) deveria ganhar em 2017 pelo fabuloso Kubo e as Cordas Mágicas, que perdeu para Zootopia.


  • Bastardos Inglórios / Guerra ao Terror – Melhor Roteiro Original (Oscar 2010), por Rafael Bernardes

O Oscar 2010 foi uma premiação polêmica, com indicações e premiações duvidosas. Uma das maiores injustiças daquele ano foi Guerra ao Terror receber o prêmio de Melhor Roteiro Original, enquanto Bastardos Inglórios ficou de mãos vazias. Vale lembrar que Guerra ao Terror também ganhou o prêmio de Melhor Filme e a concorrência era forte. Guerra ao Terror não é um filme ruim, muito pelo contrário, se trata de uma ótima produção, mas melhor roteiro é forçar a barra. Bastardos Inglórios veio com uma proposta diferente, contextualizando a Segunda Guerra Mundial com uma fantasia sanguinária que faz jus à mente de Quentin Tarantino. O diretor que sempre é esnobado no Oscar, ficou mais uma vez olhando um filme inferior ao seu receber as glórias, enquanto teve de engolir mais uma premiação inglória.


  • Qualquer outro filme / O Discurso do Rei – Melhor Filme (Oscar 2011), por André Bozzetti

Imagine uma disputa de Melhor Filme que conta com produções como Cisne Negro, A Origem, Bravura Indômita e A Rede Social. Como azarões, ainda teríamos os ótimos 127 Horas e Toy Story 3 (que é um filmaço, mas coloco como azarão porque é uma animação, e seria uma surpresa enorme se vencesse o prêmio principal da Academia). Que escolha difícil, não? Qual a melhor forma de resolver esta questão? “Ah, dá o prêmio para O Discurso do Rei e acaba a discussão de uma vez!” É inacreditável, mas foi o que aconteceu. Em um ano com uma boa quantidade de filmes excelentes na disputa (e também alguns que entraram só para constar entre os indicados), um filme mediano como O Discurso do Rei acaba sendo o grande vencedor da noite, papando não só o prêmio de Melhor Filme como outras três estatuetas. As 12 indicações recebidas já eram um prenúncio do absurdo, mas ainda havia alguma esperança que restasse um pingo de bom senso entre os membros da Academia. Não restava.


  • Planeta dos Macacos: A Origem / A Invenção de Hugo Cabret – Melhores Efeitos Visuais (Oscar 2012), por André Bozzetti

O maior mérito de um filme com muitos efeitos visuais é justamente quando as pessoas não percebem que eles estão ali. Criar personagens ou cenários do nada, ou transformar completamente a aparência de atores, de forma tão perfeita e realista que não provocam nenhum estranhamento no público é uma tarefa muito complexa. Dito isso, o prêmio de Melhores Efeitos Visuais em 2012 deveria, por justiça, ter ido para Planeta dos Macacos: A Origem. Não que os efeitos de A Invenção de Hugo Cabret, o vencedor naquele ano, não sejam ótimos, eles são, mas como se trata de uma proposta visual completamente diferente, mais fantasiosa, ela é por si só menos desafiadora. Em Planeta dos Macacos, além do realismo incrível que foi dado aos primatas e nas fantásticas cenas de ação, foi a primeira vez que utilizaram a técnica de captura de movimento em locações, fora do ambiente controlado dos estúdios construídos especialmente com esta finalidade. Sendo assim, além da qualidade final, o filme ainda merecia a premiação devido ao pioneirismo em uma técnica magistralmente utilizada. Os dois filmes seguintes da trilogia também não conquistaram o prêmio de efeitos visuais, mas perderam respectivamente para Interestelar e Blade Runner 2049, o que é bem compreensível. A melhor chance foi justamente contra Hugo Cabret mas, infelizmente, acabou passando em branco.


  • Emmanuelle Riva / Jennifer Lawrence – Melhor Atriz (Oscar 2013), por Carlos Redel

O ano era 2013. A jovem Jennifer Lawrence, com apenas 22 anos anos, já estava em sua segunda indicação para o prêmio de Melhor Atriz. E ela foi foi muito bem como coprotagonista de O Lado Bom da Vida. No entanto, do outro lado, estava Emmanuelle Riva, que completava 86 anos NO DIA da premiação do Oscar. A atriz francesa concorria ao prêmio máximo do cinema pela primeira vez (todos sabem como é difícil um artista estrangeiro estar entre os de língua inglesa), com o lindo Amor, em que ela interpretava uma senhora que sofre um derrame, fica paralisada e conta com os cuidados do marido, também octagenário. E Riva deu um show em Amor, entregando uma atuação poderosa e emocionante. A melhor do ano. O que a Academia fez? Deu o Oscar para Lawrence. Riva morreu em 2017 e não tem como reparar esse erro. Uma injustiça que dói até hoje.


  • Michael Keaton / Eddie Redmayne – Melhor Ator (Oscar 2015), por Diego Francisco

Eddie Redmayne deu uma ótima performance como Stephen Hawking no drama A Teoria de Tudo, mas a atuação dele empalidece e muito em comparação ao brilhantismo de Michael Keaton em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Em um papel que nasceu para pegar, Keaton dá tudo de si na pele de Riggan Thomson, um ator falido e famoso por ter interpretado um super-herói no passado na busca de ganhar prestígio ao dirigir e atuar uma peça de teatro com produção desastrosa. Além do óbvio paralelo o qual o personagem faz com o próprio Keaton, que interpretou o Batman nos anos 1980 e 1990 e, depois disso, não conseguiu nada de tão expressivo mesmo atuando em inúmeros filmes, o ator impressiona com seu virtuosismo e excelência. Mesmo tendo perdido maior parte dos prêmios para Redmayne, Birdman deu um novo fôlego a carreira de Michael Keaton que pegou excelentes papéis em Spotlight: Segredos Revelados, Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Fome de Poder.


  • George Miller / Alejandro G. Iñarritu – Melhor Direção (Oscar 2016), por João Vitor Hudson

Em 2015, Alejandro González Iñarritu venceu o Oscar de Melhor Direção pelo excepcional Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) e, logo depois, começou a trabalhar em O Regresso para ficar pronto ainda naquele ano pensando na award season de 2016. O diretor conseguiu entregar o filme à tempo com sua qualidade habitual e venceu novamente o Oscar de Melhor Direção. No entanto, ninguém indicado na categoria havia trabalhado tanto por um filme como George Miller. Mad Max: Estrada da Fúria enfrentou problemas desde sua concepção, 25 anos antes de seu lançamento, e quando finalmente começaram as filmagens, tiveram que transferir os equipamentos para outra locação por causa das fortes chuvas na Austrália. Os esforços hercúleos de Miller para transpor à tela os mais de 3500 storyboards do filme fizeram de Estrada da Fúria um filme quase todo formado por cenas de ação com poucos diálogos que deixou muita gente sem fôlego. Miller x Iñarritu era briga de gente grande, mas não dá pra negar que foi injusto o diretor australiano não ser premiado.


  • Sylvester Stallone / Mark Rylance – Melhor Ator Coadjuvante (Oscar 2016), por Carlos Redel

Rocky Balboa é um dos personagens mais icônicos do cinema. Isso é fato. No entanto, a carreira do personagem nos ringues acabou no seu sexto filme, lançado em 2006. Apesar disso, o personagem retornou às telona em 2015, em Creed: Nascido Para Lutar, spin-off de sua franquia. Na produção, Rocky (Sylvester Stallone) abandona as lutas e se torna mentor de Adonis Creed (Michael B. Jordan), filho de seu finado amigo Apollo. Em Creed, Stallone entrega, possivelmente, a melhor performance de sua carreira, apresentando um Rocky já idoso, com um ar cansado, triste e que dispara frases tão fortes como os seus socos do passado. É impossível não se emocionar com o desempenho do ator, que respeitou o legado do personagem, mas também o atualizou com uma realidade pouco gloriosa — além de ter dado um show ao apresentar um Rocky doente, lutando contra um câncer. Apesar disso tudo, a Academia decidiu ir contra o Globo de Ouro, que havia consagrado Stallone como Melhor Ator Coadjuvante, e dar o prêmio para Mark Rylance, que atuou em Ponte dos Espiões. Sim, a performance de Rylance foi ótima, mas a de Stallone, naquele ano, merecia mais — principalmente, pelo conjunto da obra. Desculpa, Rylance, mas o Sly é o campeão moral daquele Oscar!


  • Star Trek: Sem Fronteiras / Esquadrão Suicida – Melhor Maquiagem e Cabelo (Oscar 2017), por João Vitor Hudson

De uns anos pra cá, a categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo começou a receber questionamentos por suas premiações inusitadas. No ano passado, por exemplo, A Forma da Água sequer foi indicado, algo que foi explicado recentemente por Doug Jones, ator que viveu a criatura principal do filme, pelo fato de que a Academia não gosta de reconhecer personagens fantásticos e que seres formados inteiramente de maquiagem e próteses é algo totalmente diferente para os critérios. No entanto, apenas um ano antes, dois filmes repletos de criaturas fantásticas estavam indicados: Esquadrão Suicida e Star Trek: Sem Fronteiras. Acontece que o famigerado filme da DC Comics venceu o prêmio e provocou um rebuliço nas redes sociais e na indústria. O terceiro filme do reboot de Star Trek merecia muito mais a vitória, visto que muitos personagens importantes do longa dependem de uma pesada maquiagem para ganharem vida, além de ser muito mais funcional e realista que em Esquadrão Suicida. Quem parece mais realista para você, o vilão El Diablo ou a alienígena Jaylah?


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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