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Guerra Fria | Crítica

Guerra Fria | Crítica

Guerra Fria (Zimna wojna)

Ano: 2018

Direção: Paweł Pawlikowski

Roteiro: Paweł Pawlikowski, Janusz Głowacki, Piotr Borkowski

Elenco: Joanna Kulig, Tomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza, Cédric Kahn, Jeanne Balibar

Um dos favoritos da temporada de premiação de 2019, Nasce Uma Estrela tem diversos paralelos com Guerra Fria. Ambos começam com um casal de musicistas que se conhecem e se apaixonam quase que imediatamente; ele longe dos seus dias de glória e ela no início de sua carreira profissional. Mas, apesar de um início e alguns pontos narrativos similares, os dois são muito diferentes em sua execução.

Comandado pelo polonês Pawel Pawlikowski, diretor de Ida, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015, o romance é ambientado em uma Polônia pós-guerra na segunda metade da década de 1940. O longa tem início quando Wiktor Warski (Tomasz Kot) promove audições para um grupo musical com o objetivo de se apresentar internacionalmente para promover o comunismo na Europa. Em uma das audições, Wiktor conhece Zula Lichoń (Joanna Kulig), uma jovem e talentosa cantora que atrai a atenção dele imediatamente.

Portadora de uma belíssima e marcante voz, não demora para Zula se destacar nas apresentações e iniciar uma carreira solo ao mesmo tempo em que começa a se relacionar com Wiktor. Mesmo com uma expressão inocente, Zula não é nada frágil ou ingênua — é só observar o que ela fez contra o pai, como ela desvia das primeiras investidas de Wiktor e como sua personalidade muda após a fama. E Joanna Kulig faz um excelente trabalho no papel.

Depois de uma ótima meia hora inicial, o filme perde força justamente com o casal principal. Mal desenvolvido, o romance não chega a ser forçado (mesmo que a primeira relação sexual deles conte com uma expressão de insegurança preocupante no rosto de Zula), mas não convence ou investe tanto quanto deveria. O maior problema são os inúmeros saltos temporais dentro da narrativa. Ambientado ao longo de duas décadas, Guerra Fria nunca permite que o espectador passe o tempo necessário com o casal para testemunhar de fato a sua evolução, eles progridem mais tempo fora de tela do que no filme em si.

E quando o amor toma um caminho mais disfuncional, fica difícil mesmo de conseguir acompanhar. Wiktor e Zula compõe um namoro tóxico, se relacionando com outras pessoas e fazendo outras coisas para atingirem um ao outro. Conforme os anos avançam, eles tomam caminhos cada vez mais imprudentes e que os deixam cada vez mais miseráveis por causa de um amor que não conseguem esquecer ou superar, beirando (e alcançando) a autodestruição. Sendo um filme objetivamente curto, com menos de uma hora e meia de duração, a produção se beneficiaria de mais tempo de projeção para se dedicar aos dois.

Enquanto a narrativa é falha e inconstante, o mesmo não pode ser dito da parte técnica do longa. Todas as apresentações musicais são ótimas e as músicas nunca deixam de prender a atenção. A estética em preto e braco da fotografia composta por Łukasz Żal consegue criar momentos lindíssimos e envolventes que se contrapõe a tristeza e a miséria dos personagens. Escalando para um conclusão agridoce, mas não tão efetiva quanto poderia ou deveria ser, Guerra Fria constitui um romance trágico de duas pessoas que não conseguem sair do relacionamento tóxico da qual entraram. Uma guerra fria entre duas pessoas que não conseguiam mudar em décadas de tantas mudanças.

Nota do crítico:

 

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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  1. […] Guerra Fria | Crítica – 22 de fevereiro de 2019 […]

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