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Poderia Me Perdoar? | Crítica

Poderia Me Perdoar? | Crítica

Poderia Me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?)

Ano: 2018

Direção: Marielle Heller

Roteiro: Nicole HolofcenerJeff Whitty

Elenco: Melissa McCarthyRichard E. GrantDolly WellsBen FalconeGregory KorostishevskyJane CurtinStephen SpinellaChristian Navarro

Atualmente, Melissa McCarthy é um dos grandes nomes da comédia no cinema. Inclusive, ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu hilário desempenho em Missão Madrinha de Casamento. No entanto, mesmo contratada para fazer rir, a atriz quase sempre consegue dar uma profundidade extra para as suas personagens, externando os seus dramas com uma qualidade excepcional, mas sem deixar de fazer graça.

No entanto, agora, chegou a vez de McCarthy se dedicar inteiramente a um papel dramático. A atriz dá vida à escritora Lee Israel, que já teve uma das biografias que escreveu na lista de best-sellers do The New York Times, mas que acabou caindo no esquecimento. Com dificuldade para pagar as contas, a escritora, que está passando por um bloqueio criativo, acaba furtando a carta antiga de uma personalidade do mundo literário e vendendo para uma colecionadora. Assim, Lee percebe que pode fazer dinheiro nessa área. Logo, ela, que é uma grande conhecedora da personalidade dos escritores, começa a falsificar as cartas datilografadas e, também, as assinaturas dos autores famosos.

Lee, então, consegue êxito em sua falcatrua e, ao mesmo tempo em que faz dinheiro, começa a sentir a sua obra sendo valorizada — mesmo ela sendo falsificada e atribuída à outra pessoa. E McCarthy consegue transitar entre os sentimentos da escritora a quem interpreta, colocando-os em suas feições, olhar, gestos e até mesmo na voz de sua personagem — e a atriz, mesmo passando por um processo de maquiagem, não deixa que aparência marcante da escritora seja o principal ponto de sua performance.

No meio de sua jornada, Lee conhece Jack Hock, interpretado por um também inspiradíssimo Richard E. Grant, que tem uma presença de cena impressionante, se destacando brilhantemente em cada momento em que o seu personagem está presente no filme. A dupla entre Grant e McCarthy não poderia ter sido mais feliz, com duas performances repletas de camadas, disfarçando o sofrimento com sacarmos, que são dignas de Oscar — não por menos, os dois atores foram indicados para o prêmio da Academia.

Vale lembrar que uma das grandes atuações de 2018, ao lado da de McCarthy, é a de Glenn Close, que foi impecável em A Esposa, filme que conseguiu sucesso por conta do desempenho da atriz. Esse não é o caso de Poderia Me Perdoar?. O longa, que tem duas atuações brilhantes, também consegue êxito em outros pontos, como o roteiro, que foi otimamente desenvolvido, adaptado da obra de mesmo nome escrita por ninguém menos que a própria Lee Israel.

O script, escrito por Nicole Holofcener e Jeff Whitty, beneficia-se também da ótima direção de Marielle Heller, que transforma Nova York em um lugar frio, melancólico e pouco hospitaleiro, dando a sensação de que Lee Israel não era bem-vinda, mesmo tendo nascido e vivido durante os seus 75 anos na cidade — nem mesmo a casa da escritora era aconchegante. A condução dos atores também é um ponto a ser exaltado no trabalho de Heller que, mesmo com pouca experiência, consegue extrair momentos únicos e memoráveis de seus personagens.

Poderia Me Perdoar? é uma obra sensível e, ao mesmo tempo, empolgante sobre a busca por uma voz, mesma que ela seja perfeita para enganar aos outros. McCarthy entrega a melhor interpretação de sua carreira (até agora), recheada de verdade — mostrando que a mente de Lee Israel era tão interessante (se não mais) que as dos escritores que fingia ser.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3.5/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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