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The Umbrella Academy – 1ª temporada | Crítica

The Umbrella Academy – 1ª temporada | Crítica

The Umbrella Academy – 1ª temporada

Ano: 2019

Criador: Jeremy Slater

Elenco:  Ellen Page, Tom Hopper, Emmy Raver-Lampman, David Castañeda, Robert Sheehan, Aidan Gallagher, Mary J. Blige, Cameron Britton, Colm Feore, Adam Godley, John Magaro

Em meio a uma cultura pop inundada de super-heróis com inúmeras produções cinematográficas e televisivas da Marvel e da DC, The Umbrella Academy parece se destacar na multidão. Baseada nas graphic novels da Dark Horse escrita por Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance, e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, a saga acompanha uma família de super-heróis disfuncionais que parece mais interessada em brigar entre si do que salvar o mundo. Diferindo de outras famílias de super-heróis famosas como os X-Men e o Quarteto Fantástico por sua violência e senso de humor negro, a série não atinge as expectativas.

Em 1989, 43 mulheres ao redor do mundo deram à luz. Algo que não teria nada de interessante se não fosse o fato de que essas dezenas de mulheres não estavam grávidas quando o dia começou. Fascinado com a possibilidade destes partos espontâneos, o excêntrico milionário Reginald Hargreeves (Colm Feore), adotou todas as crianças que pode. Com elas crescidas, ele formou a Umbrella Academy que surpreendeu o mundo com as crianças com superpoderes salvando o dia até que o falho experimento caiu no esquecimento.

A criação de Reginald para com as crianças foi abusiva, controladora e quase que sem afeto, exceto a robô Mãe, que cuidava deles durante a infância. Na vida adulta, cada um carrega um trauma diferente. Luther (Tom Hopper), o antigo líder do grupo, nunca deixou de ser fiel ao pai e fazia tudo que ele mandava – até mesmo passar quatro anos na Lua em uma estranha missão. Diego (David Castañeda) é o único que continua na ativa salvando pessoas, mas é o mais problemático e impulsivo do grupo. Allison (Emmy Raver-Lampman) usou de suas habilidades de manipulação mental para se tornar uma atriz de sucesso, e atualmente ela passa por um conturbado divórcio com o risco de perder a guarda da filha. Klaus (Robert Sheehan) tem a habilidade de ver e se comunicar com os mortos, habilidade que o aterrorizava na infância e com a qual nunca se acostumou, cedendo ao vício em drogas para bloquear o poder.

Por fim, Vanya (Ellen Page) é a que mais sofreu na dinâmica familiar. Por ter nascido sem poderes, ela sempre foi hostilizada e negligenciada pelo pai que só dava atenção aos outros irmãos, membros reais da Academia. A relação de Vanya também não é das melhores com os irmãos, que a ignoravam durante a infância, e depois, na vida adulta, foi absolutamente hostilizada por todos quando publicou um livro explicando como era ser um membro renegado da família, expondo os segredos de todos.

E é aí que The Umbrella Academy encontra a sua maior força. Enquanto drama de uma família disfuncional, a série é extremamente efetiva. Cada um dos irmãos carrega fortes conflitos do passado e nunca conseguiram se dar bem de verdade. Na primeira oportunidade, todos seguiram um caminho diferente. Quando o pai deles morre e o Número Cinco (Aidan Gallagher) ressurge, depois de anos desaparecido (e com a mesma aparência de quando era adolescente), anunciando que eles estão a apenas uma semana do fim do mundo, os seis irmãos devem aprender a superar as suas diferenças e problemas do passado para trabalhar juntos e prevenir o apocalipse.

Ainda que funcione muito bem na parte dramática, a série deixa a desejar nos demais aspectos. Os efeitos especiais são ótimos para uma produção televisiva, mas as cenas de ação não são bem executadas. É clara a influência de Matthew Vaughn, diretor de Kick-Ass e Kingsman: Serviço Secreto, na escolha de músicas divertidas durante as lutas, mas nem sempre a música consegue definir o tom da cena. Também não ajuda que a coreografia e uso dos poderes dos protagonistas não sejam inspirados ou criativos como deveriam.

Hazel (Cameron Britton) e Cha Cha (Mary J. Blige), os dois capangas contratados para eliminar o Número Cinco, têm bastante química, no entanto, a série gasta muito tempo nos dois; Hazel até mesmo ganha um bom arco de redenção, mas prejudicado por um romance desnecessário. A Gestora (Kate Walsh) é de longe a antagonista mais interessante por sua natureza misteriosa, mas pouco é feito com ela para aproveitar o potencial. O principal vilão da temporada, o tal causador do Apocalipse, não faz sentido nem na sua motivação, um tanto exagerada, quanto na sua capacidade de executar um plano improvisado tão bem, dadas as circunstâncias da vida dele.

E mais uma vez, é no desenvolvimento dos personagens que não existem reclamações. Vanya, que passou a vida sendo ignorada e não especial, ganha um ótimo romance com Leonard Peabody (John Magaro), que é a primeira pessoa a notá-la e considerá-la digna de ser amada. Ellen Page, a atriz mais famosa do elenco, mesmo com a sua personagem passando maior parte do tempo deprimida e recatada, tem uma excelente oportunidade de brilhar nos últimos episódios da temporada. Aidan Gallagher é a grande revelação da série conseguindo realmente convencer ser um adolescente de 15 anos com 58 anos de idade mental.  Robert Sheehan confere ao seu Klaus inúmeros maneirismos e uma entrega de falas tão humorada que ecoa muito Johnny Depp nos primeiros filmes da franquia Piratas do Caribe – humor que não desqualifica os momentos mais dramáticos do personagem. A série cede a mais um romance desnecessário entre Luther e Allison, que tecnicamente foram criados como irmãos, e tecnicamente é de natureza incestuosa.

Mesmo que não seja tão diferente e única quanto os personagens que a habitam, The Umbrella Academy é uma divertida e bem humorada série de super-heróis. O final abre um interessante gancho para uma já confirmada segunda temporada cheia de possibilidades empolgantes.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.3/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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