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Teoria geral do amor, segundo Seinfeld, How I Met Your Mother e Friends | Leitor na Sala

Teoria geral do amor, segundo Seinfeld, How I Met Your Mother e Friends | Leitor na Sala

Por Rodrigo Ramos

Nesse tempo de amores pós-modernos, de aplicativos, match e nudes, devemos pensar de onde começaram as visões mais cínicas e ao mesmo tempo práticas do amor. Acho que as comédias de situação, que começaram a povoar o imaginário da classe média brasileira, a partir dos anos 1990, têm muito a ver com isso.

Por mais que muitos digam e mesmo músicas emo, leia-se Dance of Days, que “até beijos de seriado me arrancam suspiros”, denotando uma certa inferioridade ao que era mostrado como amor nesse mundo em relação a outros meios de arte, há uma certa romantização neles. A busca por um ideal romântico.

Em uma das primeiras temporadas de Seinfeld, Jerry e Elaine entabulam uma conversa na qual o protagonista de série diz que 95% das pessoas são ‘não-namoráveis’, um belo eufemismo para não dizer que não são atraentes ou de algum modo são indesejáveis, sempre tendo em vista o padrão médio e o ser humano comum.

Mas o que faria essa considerável parcela da população se encontrar no amor? Ainda segundo o humorista, teria a ver com vontades fisiológicas que só um parceiro pode proporcionar ao outro, o medo de ficar sozinho e a dita tendência natural de querer procriar e se perpetuar neste planeta através de sua prole.

Tendo todas essas regras e partindo do pressuposto que elas tenham alguma validade, também é preciso analisar a curiosa discussão que permeia um dos episódios de How I Met Your Mother, no qual Lilly e Marshall ficam discutindo se há um ‘acomodado’ e um ‘alcançador’ em seu relacionamento.

A visão geral é de que Lilly é a acomodada. Os amigos todos veem dessa forma e o Big Fudge não se conforma, inclusive pelo fato de estar sendo cortejado pela colega de trabalho Jenkins, que põe uma pimenta toda especial nessa discussão. Termina que a mulher de Eriksen não perdoa o ímpeto exagerado da colega de Marshall e mostra que também pode sentir ciúmes.

Curioso que se demonstre claramente esse cinismo dos ‘acomodados’ — e, convenhamos, que em tudo nesse mundo no qual haja mais de uma opção haverá uma preferência, é óbvio que um casal será formado por pessoas que têm níveis atrativos diferentes, mesmo que seja por margem mínima e que isso seja a opinião dos outros, de quem está de fora e, de fato, não deveria interessar ao relacionamento — em um seriado que tem como personagem principal um cara que busca o amor verdadeiro a qualquer custo.

Ted Mosby precisa encontrar a mulher de seus sonhos e transportá-la para sua vida e até consegue mais de uma, você querendo ou não, ao final das contas. O problema é que em toda sua vida, ao menor contato com uma pessoa interessante, ele se entrega por completo e já pensa nos sinos da Igreja.

O casal-perfeito epítome das sitcoms é Ross e Rachel. E graças a relação dos dois nos primeiros anos, em especial nas duas primeiras temporadas de Friends, surge algo que não era identificado até então e se torna parte forte da cultura pop e dos problemas de relacionamento, a friendzone.

Friendzone é aquele tipo de coisa que todo mundo vivenciou. Pode até não querer admitir, mas já viveu ambos os lados dessa situação conveniente para um e péssima para outro. Ter sempre alguém disponível por perto, dar umas risadas, ir num bar, numa coffee shop ou no cinema, mas nunca dar o beijo de boa noite.

Poderia falar em tantos aspectos que as criações da ficção contribuíram para a complexidade e depois liquidez das relações amorosas que ficaria muito tempo falando em coisas como o beijo da virada de ano, a regra dos três encontros e por aí vai. Mas essas são divagações curtas de um Mosby que se considera parte dos 95% indesejáveis. Felizmente, somos a ampla maioria.


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