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Uma Aventura Lego 2 | Crítica

Uma Aventura Lego 2 | Crítica

Uma Aventura LEGO 2 (The Lego Movie 2: The Second Part)

Ano: 2019

Direção: Mike Mitchell

Roteiro: Phil LordChristopher Miller

Elenco de dubladores (vozes originais): Chris Pratt, Elizabeth Banks, Will Arnett, Tiffany Haddish, Stephanie Beatriz, Alison Brie, Nick Offerman, Charlie Day, Channing Tatum, Jonah Hill, Jason Momoa, Cobie Smulders, Ralph Fiennes, Bruce Willis

Elenco: Jadon Sand, Brooklynn Prince, Will Ferrell, Maya Rudolph

Ao longo das últimas décadas, as animações trouxeram grandes debates ao público. Mesmo que de maneira sutil, a maioria dos filmes voltados para todos, com indicação livre, proporcionaram oportunidades únicas de iniciar discussões sobre conceitos aparentemente básicos, mas que hoje estão em segundo plano. Temas como a inclusão social, luta contra preconceitos, problemas de relacionamento familiar, liberdade de expressão, identidade de gênero e a desconstrução de paradigmas determinados pela sociedade moderna estão cada vez mais presentes e os estúdios não parecem cansados de apoiar ainda mais o desenvolvimento destes temas. E é assim que a Warner Bros., de uma maneira muito delicada e divertida, nos envolve em Uma Aventura LEGO 2.

Com direção de Mike Mitchell, o filme traz de volta os bonequinhos amarelos que todos aprendemos a amar ao longo dos últimos anos. As aventuras enfrentadas pelos brinquedos são oriundas da imaginação de duas crianças: Finn (Jason Sand), proprietário de uma coleção invejável de LEGO e o grande arquiteto de Bricksburg, que precisa receber sua irmã menor, Bianca (Brooklynn Price), para dividir o mesmo espaço do porão de sua casa. Isso é motivo de brigas e eventos marcantes na realidade alternativa dos brinquedos e das crianças, que precisam decidir se vão aprender a brincar juntas ou se irão continuar atacando uma a outra. É importante que elas entendam as peculiaridades de cada fase durante a brincadeira, adquirindo certa flexibilidade para entrar no jogo, mesmo que por alguns instantes.

Com isso, após a invasão alienígena provocada por Bianca no filme anterior, Uma Aventura LEGO, o mundo LEGO está arruinado e sem esperanças. Com um visual desértico e caótico, em uma clara referência a Mad Max e Blade Runner 2049, Bricksburg é renomeada para Apocalipsópolis por Finn. Nela, seus habitantes sucumbiram ao ataque e não fazem esforços para reconstruir o local devido ao medo de que, ao retomar a felicidade, novas invasões aconteçam.

O único determinado a seguir o destino de todo LEGO e retomar o rumo da região é Emmet (Chris Pratt), com toda sua inocência e otimismo que o tornam único. Lucy, a MegaEstilo (Elizabeth Banks), por outro lado, está cada vez mais dura e sacrifica-se para que todos continuem seguros em sua terra natal. Emmet tem pesadelos constantes em que o mundo LEGO chega ao fim através de um grande desastre e, mesmo assim, é incapaz de conter seu ímpeto de “Mestre Construtor”. Ele comete deslizes que chamam atenção dos alienígenas formados por LEGO DUPLO, linha específica direcionada para crianças de até dois anos, e o caos toma conta. A invasão alien é liderada pela General “Caos Total” Mayham (Stephanie Beatriz), a comando da Rainha (Tiffany Haddish), acarretando no sequestro de seus amigos, entre eles o Batman (Will Arnett), que proporciona momentos hilários. Em busca de coragem e de amadurecimento, Emmet parte em busca de seus parceiros em uma grande jornada, tendo como destino o distante Sistema Maná.

Como de praxe, o ponto alto da franquia Uma Aventura LEGO é a capacidade de divertir o público adulto e infantil com a mesma intensidade. O uso de referências à cultura pop é constante e, em alguns momentos, surpreendem pela originalidade. O Senhor dos Anéis, De Volta Para o Futuro, Batman (até Adam West é lembrado), Liga da Justiça, Jurassic Park e Marvel (sim, isso mesmo!) estão presentes no filme. Alusões ao cotidiano dos que brincam com LEGO, como os barulhos dos blocos de montar ao serem guardados e a dor de pisar nas pequenas peças com os pés descalços, arrancam boas risadas. Os personagens são extremamente carismáticos e o universo LEGO foi expandido, podendo nos trazer mais histórias no futuro.

O roteiro sofre com falhas graves e são elas que conduzem o filme para seu desfecho, o que acaba sendo decepcionante. Existem momentos, principalmente da metade em diante, que é impossível mergulhar na história e se conectar com a magia proposta. Mesmo sendo uma animação extremamente fantasiosa, seria necessário um desenvolvimento coerente com a presença dos humanos na condução dos fatos.
Os efeitos especiais tiveram um pequeno avanço em relação aos títulos anteriores. As cenas em que os personagens utilizam as peças intercambiáveis são muito divertidas e deixam o sentimento de liberdade de criação vivo no longa-metragem. As explosões, tiros e lançamentos de bombas dão a impressão de que o som está sendo reproduzido por uma criança brincando, fazendo barulhos com sua própria boca. Contudo, esse recurso é explorado apenas em cenas onde fica claro que os atos estão sendo conduzidos por um dos irmãos.

Com pontos altos e baixos, Uma Aventura Lego 2 é uma boa experiência para a família, principalmente por transmitir claramente uma boa mensagem para o comportamento das crianças. Destaque para o ótimo timing cômico e referências ao passado dos adultos de hoje, que arrancam risadas e dão oportunidade de inserção das crianças no maravilhoso mundo geek. Com isso, o legado das obras que tanto amamos perdurará e novos filmes continuarão levando a mensagem para as próximas gerações.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.7/5]


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Bruno Prates

É o pai do Davi e, por isso, está por dentro de tudo que rola no mundo dos pequeninos. Curte animações, comédias, rock n' roll, cultura pop e não dispensa uma boa maratona de séries e filmes. No cinema, é fã do Michael Richards, Jerry Seindfeld, Leslie Nielsen, Jim Carrey e Adam Sandler. Também aprecia o trabalho do Tarantino e considera que ele é o melhor diretor da atualidade. Na música, tem como maiores ídolos Dave Grohl, James Hetfield, Paul McCartney, Freddie Mercury e John Bonham.

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