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Alita: Anjo de Combate | Crítica

Alita: Anjo de Combate | Crítica

Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)

Ano: 2019

Direção: Robert Rodriguez

Roteiro: Robert Rodriguez, James CameronLaeta Kalogridis

Elenco: Rosa SalazarChristoph Waltz, Mahershala Ali, Jennifer Connelly, Keean Johnson, Ed Skrein

Alita vive no coração de James Cameron há muitos anos. O cineasta, inclusive, anunciou, em 2003, os seus planos de adaptar o mangá de Yukito Kishiro, quando Matrix popularizou o cyberpunk mundo afora. Mas, no entanto, o projeto foi deixado de lado e Cameron foi fazer alguns bilhões com Avatar. Alita, então, ficou esquecido por bastante tempo, até que Robert Rodriguez, em 2016, embarcou no projeto, assumindo a direção.

Assim, com impressionantes US$ 200 milhões de dólares nas mãos, Rodriguez e Cameron, que assumiu a produção do longa, conseguiram tirar a adaptação do papel — apesar de adiamentos e, com isso, desconfiança por parte do público. Alita: Anjo de Combate, então, finalmente chegou aos cinemas e, apesar de tudo, o resultado final é positivo.

É difícil começar a falar do longa sem destacar o seu visual, que é estonteante nos primeiros minutos de projeção (e ainda é potencializado na experiência no IMAX 3D). O design do mundo pós-apocalíptico do século 26 desenvolvido por Rodriguez é incrível, principalmente quando o diretor coloca em destaque a imponência de Zalem, a cidade flutuante, sobre a Cidade de Ferro, que fica abaixo, apenas recebendo a sucata do lugar privilegiado e enviando matéria-prima para a metrópole no céu.

Vivendo na Cidade de Ferro, Dr. Ido (Christoph Waltz) acaba achando, no meio do lixo que cai de Zalem, o pedaço de uma ciborgue, com o seu núcleo intacto. Ele, então, a resgata e acaba lhe dando um novo corpo e um nome: Alita (Rosa Salazar). A jovem, no entanto, não se recorda de seu passado e vai, aos poucos, entendendo a atual situação do mundo, que viveu uma grande guerra, chamada A Queda. Entre guerreiros-caçadores e máquinas que disputam no Motorball a chance de subir para Zalem, Alita começará a entender a sua origem e o seu objetivo, enquanto tem que enfrentar Vector (Mahershala Ali) e seu capanga monstruoso Grewishka (Jackie Earle Haley) — entre muitos outros problemas.

O roteiro, escrito por Cameron e Rodriguez, juntamente com Laeta Kalogridis (do ótimo Ilha do Medo, mas também do esquecível Exterminador do Futuro: Gênesis), é o ponto mais fraco do longa, com muita informação desnecessária e arcos pouco convincentes, que servem apenas para deixar a trama inchada e, em diversos momentos, sem saber para onde quer ir — toda a sequência de Alita no Motorball, por exemplo, parece deslocada dentro da narrativa, o que enfraquece a trama principal, apesar do arco ser visivelmente importante para o futuro da personagem. Os momentos românticos entre a ciborgue e Hugo (Keean Johnson) também pendem para o clichê, mesmo com a justificativa de Alita ser uma adolescente ingênua.

Apesar dos problemas de script, o longa de Rodriguez se destaca pelos efeitos visuais de primeira, além de cenas de ação incrivelmente bem realizadas. Rosa Salazar, como a personagem-título, entrega uma excelente performance, tanto física quanto dramaticamente — vale lembrar que a personagem passou por uma reconstrução digital. Alita tem um visual orgânico, mesmo que as suas feições tenham como objetivo afastá-la da realidade, como os seus grandes olhos (que são lindamente expressivos). Os movimentos do Anjo de Combate são excepcionalmente fluídos, possibilitando lutas impecáveis, daquelas de tirar o fôlego.

Tirando o desempenho de Salazar, as outras performances do filme acabam não se destacando, talvez com o objetivo de deixar que Alita concentre toda a carga emocional da produção — claro que também pode ser por falta de uma boa direção de atores, mas vamos preferir acreditar na primeira opção.

Assim, com um visual cyberpunk impressionante e incríveis cenas de ação, Alita: Anjo de Combate é um exemplar de adaptação de mangá que deu certo — e um alívio para o diretor Robert Rodriguez, que não entrega um bom filme desde Machete, de 2010. Com uma história que não se encerra nesse capítulo, a produção deixa um grande gancho para a sua sequência e, provavelmente, o público ficará na torcida por uma nova aventura da personagem. Ainda mais com a bombástica revelação de quem será o grande antagonista da possível continuação… Que venha Alita 2!

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 2/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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