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Polar | Crítica

Polar | Crítica

Polar

Ano: 2019

Direção: Jonas Åkerlund

Roteiro: Jayson Rothwell

Elenco: Mads MikkelsenVanessa HudgensKatheryn WinnickMatt LucasFei RenRuby O. FeeAnthony Grant, Richard Dreyfuss

Há décadas, o mercado de HQ’s é dominado pela DC e pela Marvel. A disputa entre as demais editoras de quadrinhos era sempre pelo terceiro lugar, e por diversas vezes, essa posição foi da Dark Horse Comics, cujo título mais conhecido é Hellboy (que ganha um novo filme neste ano). Nos anos 2010, a empresa começou a investir nas webcomics, histórias em quadrinhos lançadas diretamente para a internet, e um dos principais títulos lançados pela empresa é Polar: Came From the Cold, HQ criada pelo espanhol Victor Santos, que deu origem ao mais novo filme da Netflix e também a uma das piores adaptações de quadrinhos já realizadas: Polar.

A história acompanha o assassino profissional Duncan Vizla (Mads Mikkelsen), que está prestes a se aposentar, mas a sua cabeça é posta a prêmio por um pouco de ganância da companhia de mercenários onde trabalhou por décadas. No meio dessa zona, se encontra uma jovem mulher (Vanessa Hudgens) com algum trauma do passado, por quem Duncan se apaixona. Essa é a trama genérica do filme, e ele deve fazer muito sucesso com aquele seu tiozão que adora não só os filmes mais genéricos do Stallone, mas também os do Jean-Claude Van Damme e do Dolph Lundgren.

O problema de Polar – ou um dos vários – é que não basta a trama ser genérica, porque o filme se força a ser ruim. Se fosse um trash bacana como de Os Mercenários, tudo bem, seria compreensível, mas Polar está longe disso. É uma salada com um visual estilizado semelhante ao de Kick-Ass, com a violência gráfica e extremamente expositiva – a qualidade também – do segundo, e com gags visuais nem um pouco engraçadas, como a presente na primeira cena. Nela, um cara que está prestes a morrer, transava com uma gostosa que está no filme apenas para servir de isca para os alvos e, depois que é assassinado, seu pênis continua ereto, ou para ser mais direto, ele morre de p** duro. A intenção é fazer rir, mas é tudo tão ofensivo que você já desiste de assistir as quase 2 horas que restam.

Como era de se esperar depois de três parágrafos apenas de críticas destrutivas, Polar ainda é um show de atuações horrendas para personagens caricatos e irritantes. Não seria surpreendente que Vanessa Hudgens entregasse uma atuação ruim, e até mesmo de Katheryn Winnick, que tem um papel importante, mas igualmente irritante – toda vez que ela atende o telefone, ela diz “SPEAK!” se sentindo a maioral –, mas ver Mads Mikkelsen fazendo a mesma coisa é triste. O homem já protagonizou momentos maravilhosos para o cinema e para a TV (como esquecer de Hannibal?), e é muito triste ver a que ponto o ator chegou. Aliás, é muito triste ver a que ponto qualquer envolvido chegou.

Pra não dizer que Polar é o próprio acidente de Chernobyl, chega um momento que o roteiro percebeu que não dava mais pra voltar atrás e parou de se levar a sério. Isso fica evidente logo após três dias seguidos de tortura com um certo personagem e, quando chega ao quarto, alguma injeção invisível de adrenalina toma conta de sua alma e ele fica tão forte quanto algum herói urbano de quadrinhos, a ponto de atirar um extintor de incêndio em um capanga. Essa sequência ao menos é divertida e torna o filme ligeiramente suportável, mas o pior estava guardado para o final.

Há uma grande reviravolta nos últimos minutos. A impressão que fica é a de que Jayson Rothwell, o roteirista do longa, queria homenagear M. Night Shyamalan, que sempre gostou de entregar plot twists chocantes, mas ele deve ter se inspirado no pior filme do diretor para isso, e deve ter sentido que havia acabado de escrever O Sexto Sentido. Não desce, não funciona, tem uma falsa profundidade e faz o espectador de burro.

Caso você consiga chegar até o final de Polar, pense que é um sobrevivente. No papel, o filme realmente parecia ser uma coisa boa para se assistir. Tinha uma ideia batida, mas que se bem trabalhada, poderia render um bom filme. É difícil entender como tem gente que gostou do filme, mas se a Netflix quiser realmente produzir uma continuação, que ela não se leve a sério e faça como naqueles cinco minutos em que seguiu o lema de Zeca Pagodinho, deixando o filme se levar.

Nota do crítico:

 

Nota do público:

[Total: 16    Média: 3.3/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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Comments

  1. Achei uma bosta mesmo na primeira cena,parei de assistir na parte que o dono do negócio fica passando a mão na bunda da japa….Aff….Filme bom pra mim não precisa ser apelativo,muito menos ter cenas de sexo forçada….aff!

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