Bode na Sala
IO | Crítica

IO

Ano: 2019

Direção: Jonathan Helpert

Roteiro: Cley Jeter, Charles Spano, Will Basanta

Elenco: Margaret Qualley, Anthony Mackie, Danny Huston, Tom Payne

As mudanças climáticas das últimas décadas chamam a atenção de todos para a importância de criar mecanismos autossustentáveis em larga escala. Não é de hoje que as lideranças mundiais realizam debates e acordos para estabelecerem regras de utilização de recursos, emissão de gases poluentes e reutilizações inteligentes de matérias, para diminuir os impactos ao nosso meio ambiente. Contudo, nem todos estão alinhados com essa filosofia. Percebe-se que existem países contrários a esta política, deixando o debate para o segundo plano. Essas medidas negativas e a falta de cuidado com o meio ambiente podem culminar na extinção dos seres vivos ou até mesmo forçar o êxodo para outros planetas habitáveis, se possível.

Com a direção de Jonathan Helpert, IO apresenta como cenário um planeta Terra devastado por uma forte mudança climática, trazendo uma atmosfera altamente hostil para qualquer ser vivo, forçando a saída dos seres humanos em busca da sobrevivência em colônias no espaço. Contudo, Sam Walden (Margaret Qualley), uma jovem cientista, decidiu não partir em direção ao novo lar e lutar por sua sobrevivência na Terra. Durante a trama, ela conhece Micah (Anthoy Mackie), um homem que tentar embarcar na última nave da operação Êxodo.

O filme possui um roteiro pós-apocalíptico simples e sem equívocos que possam colocar sua credibilidade em xeque. A cadência extremamente lenta pode pegar o espectador desprevenido, pois geralmente quem procura títulos do gênero se depara com um fim do mundo intenso e emocionante. Assim, ao contrário de muitas produções com a temática, não existem cenas de ação e o foco da produção é o forte envolvimento entre os personagens, o que torna o filme bastante intimista.

Os primeiros momentos de IO até podem passar a ideia de que a ação estaria presente, o que pode ser decepcionante. Após o início intrigante, durante boa parte do filme, a protagonista traz o cotidiano de uma pesquisadora isolada do restante dos poucos humanos que ainda habitam a Terra. O primeiro ato é uma exposição de sua vida e emoções de maneira muito delicada, mas a falta de diálogos e acontecimentos marcantes podem tornar o longa cansativo. Suas descobertas possuem destaque, assim como suas frustrações, o que é muito importante para que a trama se desenvolva.

O segundo ato, por sua vez, apresenta maior dinâmica e emoção, mas não a ponto de mudar o filme radicalmente, ao contrário, mesmo com as mudanças de ritmo, o longa permanece lento e o fato novo são os diálogos entre os dois personagens principais. A ambientação é sempre a mesma e o que deixa o longa mais interessante é o fato de Sam e Micah estarem juntos em uma jornada pela sobrevivência. Já no terceiro ato, percebe-se que IO é muito mais que um filme sobre a extinção da raça humana, mas uma provocação ao debate sobre o nosso destino, fé, resiliência, foco, determinação e sonhos.

As atuações do elenco estão na medida, com destaque para Margaret Qualley, que é, sem dúvidas, o que torna o filme interessante. Sua personagem possui profundidade e a sua atuação é simples, emocionante e objetiva, mostrando que um longa pode ser muito mais interessante quando são exploradas as relações interpessoais de maneira mais intensa. Também com grande destaque, Anthony Mackie demonstra que pode fazer mais do que o que estamos acostumados a ver, apesar de ter tido dificuldades de se emocionar nos momentos mais dramáticos.

IO, da Netflix, é uma bela surpresa se interpretado da maneira correta, ideal para sair da rotina em relação aos filmes de sobrevivência e apocalipse. Apesar de não ser excelente, cumpre seu papel de trazer reflexões sobre o rumo do nosso planeta, com sensibilidade. Intimista e inteligente, a obra é bem conduzida e seu desenvolvimento, principalmente no terceiro ato, resgata a essência de que pode ser melhor optar por contar uma simples história com foco nas emoções.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 1.5/5]

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Bruno Prates

É o pai do Davi e, por isso, está por dentro de tudo que rola no mundo dos pequeninos. Curte animações, comédias, rock n' roll, cultura pop e não dispensa uma boa maratona de séries e filmes. No cinema, é fã do Michael Richards, Jerry Seindfeld, Leslie Nielsen, Jim Carrey e Adam Sandler. Também aprecia o trabalho do Tarantino e considera que ele é o melhor diretor da atualidade. Na música, tem como maiores ídolos Dave Grohl, James Hetfield, Paul McCartney, Freddie Mercury e John Bonham.

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