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Especial | As 12 grandes esnobadas do Oscar 2019

Especial | As 12 grandes esnobadas do Oscar 2019

O Oscar 2019 promete grandes emoções. Academia revelou, no dia 22 de janeiro, a sua lista de indicados para a maior premiação do cinema, trazendo surpresas, como Pantera Negra nomeado na categoria de Melhor Filme – fazendo história!

Mesmo assim, a premiação deixou de lado diversos profissionais e produções que poderiam, facilmente, estar entre os melhores do ano. Por conta disso, a redação do Bode na Sala separou as 12 grandes esnobadas da Academia para o Oscar 2019.

Confira a lista:


  • Melhor Direção: Bradley Cooper (Nasce Uma Estrela), por Carlos Redel

Nasce Uma Estrela foi um sucesso de crítica e de bilheteria, emocionando e colocando o público para cantar junto com os seus protagonistas. Por sinal, ambos, Lady Gaga e Bradley Cooper, estão indicados às principais categorias de atuação – merecidamente, inclusive. No entanto, Cooper também é o diretor do longa e a sua ausência na categoria correspondente foi sentida pelos fãs. Mesmo marcando a estreia do ator no comando de um filme, ele mostrou total domínio da história e de como contá-la, inserindo elementos de alguém que está acostumado com a função. Durante os shows, por exemplo, a câmera de Cooper fica em movimento, mostrando o quanto aquele momento é agitado e intenso, com flashes por todos os lados – e, assim, coloca o espectador em cima do palco. Ele também utiliza muito bem as luzes durante a sua narrativa, fazendo-as ajudar a contar a história. Uma direção muito consistente de um cineasta estreante. Não seria absurdo algum ele estar entre os melhores diretores do ano.


  • Melhor Atriz: Toni Collette (Hereditário), por Rafael Bernardes

Hereditário foi um filme esnobado por si só, mas vale destacar a atuação espetacular de Toni Collette. A atriz utilizou de toda a sua presença de cena para emplacar um dos melhores papéis de sua carreira. Além disso, como se trata de um filme de terror, ela consegue estar extremamente assustadora, mesmo sem efeitos visuais em sua personagem, apenas com gestos, trejeitos, caretas, gritos e até diálogos. Ela incorpora uma mulher que passou por muito sofrimento na vida e que precisa lidar com problemas muito sérios envolvendo a sua família. Vale destacar a cena do sótão, em que ela consegue fazer a personagem mudar completamente e ser uma das melhores coisas do filme. Lady Gaga que me desculpe, mas ela não deveria estar ocupando o lugar de Toni Collette na premiação.


  • Melhor Ator: Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui), por João Vitor Hudson

O filme dirigido por Lynne Ramsay (a mesma diretora de Precisamos Falar Sobre o Kevin) é um exemplar clássico de esnobação. O longa foi lançado em 2017 no Festival de Cannes, tendo até vencido alguns prêmios, mas sua estreia comercial ocorreu somente no meio de 2018. O filme conta com uma direção primorosa de Ramsay, cheia de ângulos e câmeras diferentes (como a sequência das câmeras de segurança), sempre focada no intimismo, e ver Você Nunca Esteve Realmente Aqui fora da categoria de Melhor Direção foi de doer o coração. O mesmo vale para a trilha sonora. Bastante experimental e minimalista, o trabalho realizado por Jonny Greenwood provoca bastante imersão na solidão do protagonista vivido por Joaquin Phoenix. E já que falamos dele, o que dizer da ausência desse ator fantástico na categoria de Melhor Ator? Phoenix entrega uma atuação contida e explosiva quando necessário, mas mesmo nesses momentos o ator passa a impressão de que realmente é um homem perturbado que tenta se controlar ao máximo. “Você nunca esteve realmente aqui”, disse a Academia para os envolvidos, deixando um gosto amargo na boca de todos que viram o filme.


  • Melhor Ator: Ethan Hawke (No Coração da Escuridão), por Diego Francisco

Em seus 30 anos de carreira, Ethan Hawke sempre escolheu muito bem os seus projetos (perdoando sempre as eventuais bombas como Valerian e a Cidade dos Mil Planetas). Indicado duas vezes ao prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, chega a ser revoltante que o ator tenha sido completamente esquecido por sua performance em No Coração da Escuridão, que facilmente configura como a melhor de sua carreira. Na pele do revendo Toller, Hawke cria um personagem que vive consumido pela culpa do passado e, aos olhos dele, indigno de ser amado. Se o reverendo deixa o questionamento se Deus nos perdoará pelo que fizemos com o planeta, eu questiono se Deus nos perdoará por esnobar o Ethan Hawke.


  • Atriz Coadjuvante: Claire Foy (O Primeiro Homem), por João Vitor Hudson

A cinebiografia de Neil Armstrong, que contou com Ryan Gosling na pele do primeiro homem a pisar na Lua, merecia mais reconhecimento do que realmente teve. Sim, o filme de Damien Chazelle conseguiu quatro indicações merecidas nas categorias técnicas do Oscar, mas a ausência de Claire Foy na em Melhor Atriz Coadjuvante é simplesmente inexplicável. Janet Armstrong é uma mulher que exala emoções em toda cena em que aparece, mesmo que o roteiro não tenha sido justo com ela, Claire Foy está impecável em cena, até melhor que Gosling em mais de um momento. Embora O Primeiro Homem não tenha sido unanimemente aclamado e muitos digam que está longe de ser um dos melhores do ano, cabia uma indicação à categoria principal. Principalmente se levar em conta que Bohemian Rhapsody não merecia nem um pouco aquela indicação e que dois espaços não foram preenchidos (a Academia pode indicar até 10 filmes na categoria e esse ano tem apenas oito concorrendo), é perfeitamente plausível que O Primeiro Homem poderia sim ser mais prestigiado. O Oscar de Melhor Filme fica pra próxima, Chazelle!


  • Melhor Ator / Ator Coadjuvante: Josh Brolin (Vingadores: Guerra Infinita), por Carlos Redel

É complicado destacar um protagonista em Vingadores: Guerra Infinita. Quem tem mais tempo de tela é Thanos, personagem de Josh Brolin. Mesmo assim, se a Disney fosse considerar  Brolin para concorrer à algum prêmio, certamente seria para Ator Coadjuvante. E, mesmo o estúdio não colocando o ator para disputar uma vaga ao prêmio da Academia – priorizou o elenco de Pantera Negra –, uma indicação para Brolin seria muito justa. O ator, mesmo entregando uma performance por captura de movimento, está incrível em cena, conseguindo passar motivos para respeitá-lo e odiá-lo, ao mesmo tempo. Nos momentos dramáticos, é impressionante o trabalho do ator – e da equipe de efeitos especiais, é claro. Seria um passo ousado para a Academia indicar um trabalho assim, mas, mais cedo ou mais tarde, isso vai ter que acontecer.


  • Melhor Ator Coadjuvante: Michael B. Jordan (Pantera Negra), por André Bozzetti

Tudo bem, a lista definitiva dos indicados para Melhor Ator Coadjuvante não possui nenhum absurdo. Além disso, Pantera Negra está super bem representado com 7 indicações. Mesmo assim, dá aquela sensação de que não custava só mais essa indicaçãozinha, né? Michael B. Jordan está fantástico como Killmonger. O personagem entra facilmente no Top 3 dos melhores vilões do MCU, se não for o melhor. E a atuação de B. Jordan é, sem dúvida, um dos fatores fundamentais para isso. O ator consegue transmitir o ódio originado pela dor de um passado cruel, que chega a nos fazer questionar os métodos do vilão ao mesmo tempo que compreendemos totalmente, e até concordamos, com suas motivações.


  • Melhor Roteiro Adaptado: As Viúvas, por Diego Francisco

Na premiação do Oscar de 2015, Gillian Flynn já tinha sido esnobada da categoria de Melhor Roteiro Adaptado por Garota Exemplar (que foi esnobado de basicamente tudo, a não ser Melhor Atriz para a Rosamund Pike). O roteiro de As Viúvas, co-escrito pelo diretor Steve McQueen, é extremamente ambicioso e bem amarrado, indo muito além do habitual filme de assalto. Destacando vários personagens em núcleos diferentes, o filme não só consegue equilibrar todos eles como abordar temas como machismo, racismo, corrupção, desigualdade social e a manipulação da religião. É discutível que não só o roteiro desta obra tenha sido ignorado, uma vez que As Viúvas conta com outra atuação genial da sempre excelente em cena Viola Davis e uma performance de Elizabeth Debicki que rouba a cena.


  • Melhor Documentário: Won’t You Be My Neighbor?, por João Vitor Hudson

Durante décadas, milhões de crianças americanas acordaram cedo para assistir A Vizinhança do Sr. Rogers. O impacto cultural de Fred Rogers e toda sua vida repleta de gentileza e cuidado com as crianças são alguns dos assuntos que esse belo longa trata. Considerado por muitos como o melhor documentário de 2018, e não à toa um dos melhores filmes do ano no geral, a surpresa ao não ver Won’t You Be My Neighbor? entre os indicados a Melhor Documentário foi grande. O longa é emocionante, entrega questões sobre amor e negligência em relação aos métodos de se educar uma criança e, mais importante, mostra que é possível viver uma vida de plena paz em meio a tanto caos social. Um documentário otimista só faria bem, mas aparentemente a Academia não pensa assim.


  • Melhor Filme Estrangeiro: Em Chamas, por Diego Francisco

Longa que marca outra vez em que a Coreia do Sul foi esnobada do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Em Chamas é bom demais para ser ignorado. Com uma trama lenta, mas envolvente, pacientemente apresentando os personagens e situações até chegar ao seu impactante final. O primeiro filme do diretor Lee Chang-dong em oito anos é incendiário em todos os sentidos.  A fotografia, concebida pelo talentoso Hong Kyung-pyo, não só é uma das melhores do ano como também é de tirar o fôlego, criando momentos de indescritível beleza (a cena da dança ao pôr-do-sol fala por si só), a trilha sonora é inquietante e a atuação de Steven Yeun, que já o rendeu 16 indicações e sete vitórias, merecia uma menção. Pelo menos, Assunto de Família, primeiro filme asiático da década a ser indicado a Melhor Filme Estrangeiro, está representando bem.


  • Categorias Técnicas: Aquaman, por André Bozzetti

É surpreendente que, no ano em que um longa de super-herói concorre em sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, uma outra produção de grandeza técnica similar não receba nenhuma indicação. Aquaman não está no mesmo nível de Pantera Negra como filme, mas no que diz respeito a Design de Produção e Efeitos Visuais, para falar o mínimo, certamente concorreria em pé de igualdade. E, nestas duas categorias, foram indicadas produções que não são superiores ao bem-sucedido longa dirigido por James Wan. Em Design de Produção, Aquaman poderia substituir O Retorno de Mary Poppins tranquilamente. E nos Efeitos Visuais, ele é superior, pelo menos, a Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível. Para piorar este desdém completo pelo mais recente e lucrativo lançamento da DC, a Marvel ainda emplacou Vingadores: Guerra Infinita nesta categoria. Foi um duro golpe para o Rei de Atlântida.


  • Categorias Técnicas: Aniquilação, por Rafael Bernardes

O filme de Alex Garland estreou no início do ano e, por conta disso, ficou o medo de ser esnobado nas premiações. O longa esteve presente em algumas, mas foi esquecido pelo Oscar. O temor também existia por ser uma produção Netflix, mas como a premiação mais importante do cinema mundial indicou Roma e The Ballad of Buster Scruggs, é possível que a própria plataforma não tenha impulsionado o filme. Aniquilação não foi lembrado pela Academia nas categorias técnicas, como Melhores Efeitos Visuais, Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som, Fotografia e Design de Produção. Acredito que o longa também poderia estar em outras categorias mais importantes, mas nessas ele deveria estar certamente. Aniquilação é uma obra com um excelente roteiro, direção e atuações, mas a produção como um todo é incrível. Como se trata de uma ficção científica, os efeitos especiais se destacam, juntamente com a sonoridade, que faz com que o filme seja extremamente tendo em diversos momentos. Além disso, a fotografia é outro mérito, fazendo com que todo o caos seja lindo!


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Diego Francisco, Valerian eu coloco ao lado de Dredd, como grande filme de Sci Fi subestimado pelas massas.
    Longe de ser uma bomba. É um raro exemplo de cinema autoral de qualidade técnica que tem algo a dizer . Num mundo de pasteurização generalizada, Valerian é um sopro de inteligência e sensibilidade.
    Te convido a rever o filme com a Guarda mais baixa , com menos expectativa e se possível, dentro da ótica do diretor.

  2. Diego Francisco, Valerian eu coloco ao lado de Dredd, como grande filme de Sci Fi subestimado pelas massas.
    Longe de ser uma bomba. É um raro exemplo de cinema autoral de qualidade técnica que tem algo a dizer . Num mundo de pasteurização generalizada, Valerian é um sopro de inteligência e sensibilidade.

    Te convido a rever o filme com a Guarda mais baixa , com menos expectativa e se possível, dentro da ótica do diretor.

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