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Creed II | Crítica

Creed II | Crítica

Creed II

Ano: 2018

Direção: Steven Caple Jr.

Roteiro: Sylvester Stallone, Juel Taylor

Elenco: Michael B. JordanSylvester StalloneTessa ThompsonDolph LundgrenFlorian Munteanu

Legado, de acordo com o dicionário, é “algo que se transmite de uma geração para outra”. E esse é o fio-condutor de Creed II. Depois de um ótimo derivado/sequência da franquia Rocky Balboa, Creed: Nascido para Lutar, lançado em 2015, Michael B. Jordan e Sylvester Stallone retornam para a continuação – e que, mesmo com uma história já bastante explorada, ainda tem muito o que dizer.

Rocky: Um Lutador, de 1976, trouxe um dos personagens mais icônicos da história do cinema, o Garanhão Italiano, o boxeador Rocky Balboa. Além disso, o longa colocou Sylvester Stallone no mapa, fazendo dele um verdadeiro astro. De lá para cá, o ator se aventurou por diversas produções, chegando a estar em baixa por algumas vezes. Mesmo assim, Rocky resistiu ao tempo e às continuações, tanto que, em 2006, 40 anos depois do filme original, Rocky Balboa, o sexto longa da franquia, foi lançado – e, graças à sensibilidade de Stallone, preservou e expandiu o legado do lutador. Era o encerramento perfeito da história do pugilista.

No entanto, quase 10 anos depois, Rocky retorna, mas, dessa vez, para auxiliar o filho de Apollo Creed, o seu grande parceiro/rival da franquia original. Adonis (Michael B. Jordan) é um jovem que quer seguir os passos de seu pai e, ao mesmo tempo, ser reconhecido por seus próprios feitos no boxe. Assim, com o talento ímpar de Ryan Coogler como diretor, Creed: Nascido para Lutar acerta em cheio, emocionando e mostrando que aquele universo estava mais vivo do que nunca – assim como as ruas da Filadélfia.

Em 2018 (2019, no Brasil), Creed II chega para mostrar que, assim como Stallone cultivou a memória de Rocky Balboa, mesmo com alguns tropeços (sim, estou falando contigo Rocky V), o novo derivado consegue levar dignamente a história de seus antecessores adiante. Ainda que sem a assertiva mão de Coogler na direção, o pouco experiente Steven Caple Jr. dá conta do recado – apesar de alguns pequenos deslizes, principalmente na condução dos atores durante o primeiro ato.

Um dos pontos mais marcantes da franquia Rocky Balboa é, sem dúvidas, a morte de Apollo Creed pelas mãos de Ivan Drago, no quarto capítulo da saga. O longa trouxe para o ringue de boxe a Guerra Fria, que colocava os Estados Unidos contra Rússia. No entanto, 34 anos depois daquele confronto mortal, as duas potências mundiais voltam a se enfrentar – mas, dessa vez, por um motivo muito mais pessoal: a herança que os pais deixaram para os seus filhos, independentemente de qual lado do oceano eles estejam.

Após Adonis ser campeão mundial, Ivan Drago (Dolph Lundgren) enxerga a possibilidade de reconstruir o seu nome, uma vez que não é respeitado nem em sua terra-natal e, por isso, vive renegado. Como ele fará isso? Colocando o seu filho, Viktor (Florian Munteanu), para enfrentar Creed, conquistar o cinturão e, assim, obter novamente o carinho de seus conterrâneos. Mesmo sem a aprovação de Rocky, Adonis enfrenta o filho de Ivan e, como era de se imaginar, perde vergonhosamente. Ao ser ferido gravemente, Creed precisará repensar na sua vida e no seu legado – uma vez que a sua esposa, Bianca (Tessa Thompson), está grávida. Rocky, então, entra no jogo novamente e tenta guiar o jovem lutador, no ringue e na vida.

O roteiro, escrito por Sylvester Stallone e Juel Taylor, pode não ser dos mais originais – se perdendo, em alguns momentos, entre situações que podem servir de homenagem à franquia e outras que não passam de clichês, mesmo. Ainda assim, a história consegue envolver e emocionar facilmente, construindo com consistência os arcos dramáticos entre os pais e os filhos – o legado está presente em todos os níveis, seja por vontade ou não. Os personagens carregam o peso do passado e do futuro, tendo que lidar com a sua herança.

A câmera de Caple Jr. trabalha bem nos momentos das lutas e dos treinamentos de Adonis, funcionando perfeitamente no primeiro embate do pugilista, quando ele, mesmo ganhando o cinturão, não se sente um vencedor. O cineasta consegue remover a emoção do momento, compartilhando a falta de sentimento do lutador.

É claro que as atuações também são um destaque do longa, Michael B. Jordan, apesar de não estar tão inspirado quanto no primeiro filme, segue impressionando com o seu talento. Tessa Thompson também está ótima em cena, mostrando um ótimo domínio no drama e rendendo bons momentos ao lado de B. Jordan – mesmo que a personagem Bianca seja diminuída para que Adonis fique sempre em destaque, o que irrita.

Dolph Lundgren e Florian Munteanu cumprem muito bem os seus objetivos, entregando uma relação complicada entre os dois personagens – que não demonstram os seus sentimentos através de diálogos, mas conseguem passar as emoções por olhares e movimentos duros. No entanto, quem mais uma vez brilha é Sylvester Stallone como Rocky Balboa. O ator oferece uma atuação cheia de sensibilidade e emoção, mesmo não tendo uma história tão dramática quanto a do primeiro Creed. Ele fala apenas quando necessário e suas palavras são tão fortes quanto os golpes que o seu personagem desferia há algumas décadas.

Mesmo sem ser tão bom quanto o seu antecessor e com momentos de fraqueza em seu roteiro, Creed II é uma ótima aquisição à franquia e consegue aprofundar ainda mais aqueles personagens, mostrando as suas motivações, as suas histórias e os seus objetivos. E, se realmente esse filme marca a despedida de Stallone do papel de Rocky Balboa, o ator pode ficar sossegado, pois deixou um legado incrível para o cinema, e o Garanhão Italiano será lembrado para sempre.

Nota do crítico: 

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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