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O Justiceiro – 2ª temporada | Crítica

O Justiceiro – 2ª temporada | Crítica

O Justiceiro (The Punisher) –  2ª temporada

Ano: 2019

Criador: Steve Lightfoot

Elenco: Jon Bernthal, Ben Barnes, Amber Rose Revah, Jason R. Moore, Josh Stewart, Floriana Lima, Giorgia Whigham, Deborah Ann Woll

Depois dos eventos da primeira temporada, Frank Castle (Jon Bernthal) tem passado um pacífico ano sem matar pessoas e fora dos radares. Tudo muda quando ele testemunha uma jovem, Rachel (Giorgia Whigham), ser perseguida em um bar. Frank, obviamente, mata todo mundo para protegê-la. O protagonista se vê metido em uma conspiração que vai até o senador, em que os envolvidos não vão poupar esforços para matar a garota e ele também.

As coisas pioram com o despertar de Billy Russo (Ben Barnes) que, mesmo com uma conveniente amnésia, que o faz não se lembrar de sua rixa com o Justiceiro, ainda representa uma grande ameaça para todos quando foge do hospital e não consegue evitar a sua natureza violenta. O retorno de Billy às ruas envolve Frank mais uma vez com a agente da Segurança Nacional Dinah Madani (Amber Rose Revah) e com seu amigo veterano Curtis (Jason R. Moore), pessoas que Billy tentou matar no passado e pode voltar a tentar quando sua memória se restabelecer.

Ao contrário da primeira temporada, que começou lenta e foi ficando mais intensa ao decorrer dos episódios, o novo ano da série tem um ritmo mais acelerado logo de cara. Os três primeiros episódios são ótimos, diretos e violentos. Infelizmente, não demora para a atração começar a ficar problemática. Enquanto, no começo, as duas novas ameaças na vida de Frank serem bem equilibradas, o núcleo da chantagem fica em segundo plano diversas vezes para beneficiar Billy Russo, que se torna o foco da narrativa.

A recuperação do vilão, a princípio, é excelente. Depois de ter a cabeça viciosamente esmagada contra o vidro, o que deixou Billy em um estado de quase morte, ele surpreende os médicos quando volta a andar e falar normalmente. Com a memória em retalhos, ele se esforça para recordar o que aconteceu, lembrando-se apenas da caveira. Essa crise de identidade do personagem é bem executada e as sessões dele com a psicóloga, a Dr. Krista Dumont (Floriana Lima), são excelentes; a atuação de Ben Barnes é acertada e convence do desequilíbrio do personagem, que alterna entre vulnerabilidade e sustos de raiva. Mas a forçar uma relação entre ele com a psicóloga, além de progressivamente irrealista, se torna insuportável. Até a crise de identidade de Billy acaba tomando tanto tempo de tela ao ponto de cansar o espectador.

Enquanto um inimigo tem desenvolvimento demais, outro tem de menos. John Pilgrim (Josh Stewart) é o assassino contratado para matar a Rachel e ele simplesmente não é nada interessante. Ele tem uma esposa doente e dois filho, em uma esperança falha de humanizar o personagem. Pilgrim é um fundamentalista cristão (fato que poderia ser interessante, mas não leva a nada) e é de uma calma quase inquebrável. E, mesmo com tudo isso para deixar o personagem multidimensional, ele não interessa e nem empolga. Suas cenas são desinteressantes e todo o tempo gasto nele soa desnecessário, tudo o envolvendo é frustrante.

E, mais uma vez, Jon Bernthal prova que ele é o melhor ator a interpretar o Justiceiro até o momento. Quando está em ação, Frank Castle é uma fera indomável e sedenta por sangue, que não vai parar até todos os seus inimigos estarem mortos. Quando ele ruge, parece nem ter humanidade. Mas é a humanidade que vende o personagem. Frank se sente culpado por ter deixado Billy Russo vivo e colocando mais uma vez a vida de Madani, Curtis e tantos outros inocentes em risco. E, apesar da sua natureza violenta, ele acredita ser bom e matar por um motivo nobre. Enquanto isso, todos que estão em sua volta sabem que ele usa de situações como a da Rachel como desculpa para matar.

A relação de Castle com a Rachel é um dos pontos fortes da temporada. Ela começa com uma garota insuportável e ingrata, que tenta irresponsavelmente fugir dele mesmo com ele tentando ajudá-la. O que começa como inimizade, que rende os momentos mais cômicos da série, logo vira uma relação quase de pai e filha, que ecoa obras como Logan e The Last of Us. Frank se importa com ela, a ensina a atirar e é só vê-la em perigo que ele enlouquece e fica mais violento que o normal.

Quanto às cenas de ação, O Justiceiro continua exemplar – se não melhor. Logo na primeira metade da temporada, Frank Castle já empilhou uma pilha de cadáveres ainda maior que no ano anterior. Seja em combate físico ou com armas de fogo, todas as cenas são deliciosamente vis de se acompanhar e extremamente satisfatórias para os fãs de violência. Mesmo que seja uma máquina imparável de matar, Frank continua se ferindo seriamente nos seus combates (não vamos falar do quanto ele se recupera sobrenaturalmente rápido, ok?).

O que poderia ter sido uma temporada muito superior a primeira, peca justamente com o problema de quase todas as séries da parceria Marvel/Netflix: episódios demais para história de menos. Um começo intenso e uma conclusão satisfatória são prejudicados por um miolo problemático e repetitivo (Billy Russo recrutando veteranos desajustados de guerra para seu exército particular, de novo). Mesmo com essas adversidades, O Justiceiro segue sendo uma das melhores séries da Marvel e, se for mesma cancelada, como aconteceu com todas as outras, será uma pena muito grande. Ver Frank Castle matar criminosos nunca perderá a graça.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 4.5/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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