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Maratona Marvel #08 | Thor: O Mundo Sombrio | Crítica

Maratona Marvel #08 | Thor: O Mundo Sombrio | Crítica

Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World)

Ano: 2013

Direção: Alan Taylor

Roteiro: Christopher L. YostChristopher MarkusStephen McFeely

Elenco: Chris HemsworthNatalie PortmanTom HiddlestonAnthony HopkinsChristopher EcclestonKat DenningsAdewale Akinnuoye-AgbajeStellan SkarsgårdRene RussoJonathan HowardTony Curran

A imponente voz de um ser milenar narra uma antiga batalha entre monstros horríveis e heróis em armaduras brilhantes, que se encerra quando uma poderosa arma é arrancada da mão do vilão. Estamos falando do Senhor dos Anéis? Não, é o prólogo de Thor: O Mundo Sombrio. Somos apresentados a Malekith (Christopher Eccleston), o rei dos Elfos Negros, criaturas que já existiam antes mesmo da origem do universo. A arma em questão era o Éter, uma substância capaz de destruir os Nove Reinos se utilizada durante o alinhamento que ocorre entre eles a cada cinco mil anos. Arma esta que é retirada do rei dos Elfos Negros pelos guerreiros asgardianos comandados por Bor (Tony Curran), o pai de Odin (Anthony Hopkins), que mesmo não conseguindo destruir o Éter, o aprisiona em um local remoto, para que jamais seja encontrado. Mais adiante, descobriremos o segredo por trás de todo esse poder: o Éter é uma das Jóias do Infinito. Mas isso é assunto para o texto sobre Vingadores: Guerra Infinita, e ainda falta muito para chegarmos lá. Então, o que a segunda aventura solo de Thor tem a nos oferecer?

Após a Batalha de Nova York, ocorrida em Os Vingadores, Loki (Tom Hiddleston) é levado por Thor (Chris Hemsworth) de volta a Asgard para ser julgado por seus crimes, onde Odin o condena à prisão eterna. Enquanto isso, na Terra, Jane (Natalie Portman) e sua estagiária Darcy (Kat Dennings) investigam estranhos fenômenos, semelhantes àqueles registrados na primeira aparição de Thor, em um prédio abandonado de Londres. Já o professor Erik Selvig (Stellan Skarsgård) está aparentemente louco, correndo nu com seus equipamentos por Stonehenge. Durante a investigação, Jane entra em um buraco de minhoca e é transportada para o mundo subterrâneo no qual o Éter estava escondido há milênios. Ao se aproximar dele, ela é invadida pela substância e, ao retornar à Terra, Thor surge para encontrá-la e levá-la a Asgard, para descobrir uma forma de salvar sua amada. Mas Malekith também percebeu a presença do Éter e acordou de um longo sono, decidido a recuperar sua arma e colocar seu antigo plano novamente em ação.

Se a primeira aventura solo de Thor se passou quase todo tempo na Terra, dessa vez a batalha chega com força também em Asgard. Na invasão organizada por Malekith, Frigga (Rene Russo), mãe de Thor, é morta pelo elfo Kurse (Adewale Akinnuoye-Agbaje). Confesso que me deu uma certa tristeza em vê-la morrer, não tanto por algum apego à sua personagem, que não teve tanto tempo de tela assim para que nos importássemos muito com ela, mas sim pela demonstração incrível de habilidade em combate. Frigga se mostrou uma guerreira fantástica e, por muito pouco, não acabou com Malekith. Pelo menos, a bela cena do funeral viking honrou sua admirável performance.

A morte de Frigga foi fundamental para que Loki aceitasse ajudar Thor em sua decisão de perseguir e destruir Malekith. E neste momento se consolidou de vez a ambivalência de Loki, hora como mocinho e hora como vilão. Thor sabe que não pode confiar no irmão adotivo mas, ao mesmo tempo, nutre esperança de que este encontre sua redenção. O diretor Alan Taylor e a atuação de Tom Hiddleston se mostram muito eficientes em nunca nos deixar muito seguros sobre o que esperar de Loki. O Deus da Mentira sempre parece estar escondendo algo e examinando cuidadosamente os eventos que ocorrem ao seu redor, buscando se aproveitar deles da melhor maneira possível.

Apesar de algumas cenas que se passam em reinos como Vanaheim lembrarem uma espécie de versão trash de Robin Hood, devido à pouca credibilidade passada por figurinos e cenários (não é o caso de Asgard, que está majestosa), me parece que o maior erro do filme é, novamente, levar o combate à Terra. Ter humanos comuns participando de um conflito com seres poderosos como os Elfos Negros, ainda munidos de uma Jóia do Infinito, é algo que soa um tanto quanto absurdo. Dessa maneira, os grandes guerreiros e companheiros de Thor ficam de fora do mais perigoso dos conflitos, enquanto uma turma formada por cientistas e estagiários auxiliam o Deus do Trovão ao mesmo tempo que correm de um lado para o outro fugindo de alienígenas. O que é pior: conseguiram criar um alívio cômico auxiliar de outro alívio cômico. Ian (Jonathan Howard), o estagiário de Darcy, em nenhum momento justifica sua presença no filme, a não ser com piadas (fracas, diga-se de passagem), algo que já era feito, com algum exagero e frequentemente com pouca qualidade, pela moça citada.

E assim, Thor: O Mundo Sombrio se fragiliza muito, com um roteiro cheio de conveniências, a inserção de personagens desnecessários, e a subutilização de outros mais importantes, de muito mais potencial. Além de um ou dois Deus Ex Machina, diversas situações ficam inexplicadas, o que é ainda mais constrangedor em um roteiro que foi escrito a seis mãos. Algumas destas pequenas trapaças no roteiro são em momentos decisivos, não só para o filme como para o MCU como um todo, como é o caso da não-morte de Loki. Apesar de afetar profundamente todo o desenvolvimento do MCU, visto que Loki influencia demais a trama em vários filmes posteriores, não há nada que explique como foi que ele sobreviveu ao ser perfurado por Kurse.

O filme se mostra fundamental na cronologia por apresentar a segunda Jóia do Infinito a surgir no MCU, a Jóia da Realidade, e pelo aprofundamento da relação entre Thor e Loki mas, no resto, é quase descartável. E se temos um boa e importante cena pós-créditos, que mostra os guerreiros asgardianos levando a Jóia da Realidade para o Colecionador, a segunda cena é um no mínimo boba e escancara outro furo do roteiro. Afinal, não bastasse a forçada de barra do momento romântico entre Thor e Jane (que inclusive sumiu do MCU após este filme), mostrar que um monstro gigante ficou “esquecido” e despercebido por dias na Terra após o conflito com Malekith é uma ideia totalmente sem noção. E isso, mesmo em um roteiro cheio de absurdos e descuidos, acaba passando dos limites.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 2.3/5]

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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