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Titãs – 1ª temporada | Crítica

Titãs – 1ª temporada | Crítica

Titãs (Titans) – 1ª temporada

Ano: 2018

Criador: Greg Berlanti, Akiva Goldsman, Geoff Johns

Elenco: Brenton ThwaitesTeagan Croft, Anna Diop, Ryan PotterAlan RitchsonMinka Kelly

“Foda-se o Batman”: Com essa malcriada frase sendo proferida por Robin durante o trailer, Titãs chamou a atenção dos fãs, mostrando que a série original do streaming da DC (e que, mais tarde, foi distribuída mundialmente pela Netflix), não iria mostrar os jovens heróis como estamos acostumados. E, realmente, não mostrou.

A nova série da DC vai na direção oposta do que é apresentado atualmente nas atrações baseadas nos heróis do estúdio, como Arrow, Flash e Supergirl, leves, coloridas e acessíveis para todas as idades. Titãs pesa a mão no sombrio, criando uma atmosfera de terror durante os seus 11 episódios e investindo na sanguinolência.

A trama de Titãs é relativamente simples: Dick Grayson (Brenton Thwaites), o Robin, acaba tendo o seu destino cruzado com o de Rachel Roth (Teagan Croft), a Ravena – que acabou de ter a sua mãe assassinada. Logo, ele descobre que a menina está em perigo e decide protegê-la. Assim, os dois atravessam várias cidades dos Estados Unidos, fugindo daqueles que querem usar o poder de Ravena para o mal. No meio do caminho, eles se juntam a Kory (Anna Diop), a Estelar, e a Gar (Ryan Potter), o Mutano.

Ao longo de seus episódios, Titãs consegue abordar muito bem os seus protagonistas, não os desviando de suas características iniciais no desenrolar do seriado. Todos consistentes e com suas personalidades bem estabelecidas. Além disso, a série apresenta um desenvolvimento impressionante para Dick e, surpreendentemente, para Hank Hall (Alan Richtson), o Rapina, que nem é um dos personagens principais, mas rouba as cenas em que aparece – seja pela história ou pelo ator, Richtson, um brucutu que manda bem na atuação.

Além de Rapina, que foi citado acima, e os quatro membros dos Titãs, outros heróis vão sendo apresentados no decorrer da série. Columba, a parceira de Rapina, a Patrulha do Destino, a Moça-Maravilha, Jason Todd como o novo Robin e, até mesmo, o Batman – alem de várias citações, entre mocinhos e bandidos –, têm espaço na atração. Algumas participações até soam gratuitas, apenas para abrir o leque de opções nesse novo universo da DC, mas, a maioria dos personagens é inserida de maneira interessante, mostrando os heróis convivendo e se encontrando com outros heróis de maneira natural – que faz todo o sentido.

O roteiro de Titãs, mesmo que tenha como fio-condutor uma trama simples – proteger a Ravena –, acaba escorregando em soluções preguiçosas para situações importantes, como o arco do hospício, que é resolvido de maneira fácil, ou a inserção de Gar na história, que aconteceu graças a uma coincidência pouco convincente.

Na parte técnica, Titãs está entre erros e acertos. O visual da série é, sim, muito bem trabalhado, conseguindo, com cenários, passar sensações, seja de medo, desconforto ou tensão. Ao mesmo tempo, a computação gráfica é decepcionante – principalmente na transformação de Mutano, que entrega um tigre extremamente artificial e que até os movimentos soam robotizados. Fica nítida a falta de recursos para o CGI da série, o que a deixa muito para trás das produções atuais – até mesmo as do CW conseguem criaturas digitais melhores.

O elenco de Titãs também é um ponto positivo. Todos estão muito bem em cena e, facilmente, conseguem fazer com que surja empatia por eles. Thwaites se sai muito bem, mostrando de maneira convincente todos os conflitos internos que Robin lhe trouxe – desde a morte de seus pais, passando pela criação de Bruce Wayne, até chegar no rompimento com Batman. A jovem Croft, que vive a Ravena, derrapa nos momentos de drama, principalmente naqueles em que precisa chorar – mas não chega a atrapalhar.

Em resumo, Titãs é um acerto da DC e abre uma variedade de opções para personagens até então não usados no audiovisual. O visual da série é muito bom e a violência ajuda no desenvolvimento da história, mostrando o impacto dela na vida de cada um dos personagens. Apesar de não encerrar a sua trama na primeira temporada – algo que seria mais interessante, uma vez que 11 episódios seriam suficientes para isso –, Titãs cumpre com louvor o seu objetivo de apresentar os jovens heróis e aquele novo universo. Que venha logo a segunda temporada!

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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