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Máquinas Mortais | Crítica

Máquinas Mortais | Crítica

Máquinas Mortais (Mortal Engines)

Ano: 2018

Direção: Christian Rivers

Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson

Elenco: Hera HilmarRobert SheehanHugo WeavingJihaeLeila GeorgeStephen Lang

Jovens enfrentando a opressão em uma sociedade distópica inundaram os cinemas nos últimos anos, embalados pelo sucesso de Jogos Vorazes. Divergente, Maze Runner, A Quinta Onda, Mentes Sombrias e O Doador de Memórias são algumas das tentativas dos estúdios de encontrarem uma franquia para ocupar o lugar deixado vago por Katniss. No entanto, nenhuma das franquias conseguiu o mesmo sucesso – a maioria fracassou, na verdade.

Agora, Peter Jackson, responsável por O Senhor dos Anéis e O Hobbit – ou seja, um cara que entende de franquias rentáveis baseadas em livros –, abraçou Máquinas Mortais, obra de Philip Reeve, e decidiu levá-la aos cinemas. Jackson, que ajudou no roteiro e assumiu a produção, delegou a função de dirigir a adaptação para Christian Rivers, especialista em efeitos especiais e companheiro de longa data nas produções do cineasta – inclusive, Rivers ganhou um Oscar pelo seu trabalho em King Kong, de Jackson. Apesar de entender de blockbusters, Rivers nunca havia comandando um longa sozinho. E, logo de cara, assumiu uma grandiosa produção de US$ 100 milhões.

Máquinas Mortais, inegavelmente, começa com uma ótima e significativa sequência, apresentando o conceito daquele mundo e as suas regras, em que cidades andam sobre rodas e as maiores “engolem” as menores, em uma espécie de darwinismo municipal. Além disso, nesses primeiros minutos de projeção, no melhor estilo steampunk, ainda temos um interessante primeiro vislumbre da misteriosa Hester Shaw (Hera Hilmar) e do vilanesco Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), os personagens principais. Tudo vai bem, até que a introdução acaba e a história, de fato, começa.

A trama do longa acompanha Hester Shaw, em um futuro pós-apocalíptico, mais de 1000 anos à frente, em sua busca por vingança contra o poderoso Thaddeus Valentine, líder de uma motorizada Londres e culpado pela morte da mãe da jovem. Quando o seu plano de matar o vilão é frustrado, Hester acaba caindo nas outlands, ou seja, na terra firme, ao lado de Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um rapaz especialista em antiguidades (como iPhones e torradeiras). Assim, a dupla precisará embarcar novamente na cidade em movimento, para derrotar o tirano – que também está construindo uma arma mortal para invadir as terras dos antitracionistas (os que não vivem em cidades predadoras sobre rodas).

A partir disso, surgem diversos personagens e subtramas desnecessárias – até mesmo um morto-vivo chamado Shrike (Stephen Lang) aparece para perseguir Hester, que não cumpriu uma promessa feita a ele (É!).  Enquanto isso, as motivações do vilão principal são pouco exploradas, com um personagem com potencial (Hugo Weaving é sempre ótimo em cena) sendo desperdiçado com atitudes vazias.

O roteiro também não se aprofunda no contexto, dando pequenas pinceladas na história que levou os personagens até aquele momento, mas sem qualquer esforço de deixar a trama mais interessante para o espectador. Além disso, os coadjuvantes que ajudam Hester são apenas peças descartáveis na história, funcionando como deus ex machina ou para tentar emocionar com sacrifícios heróicos (e vergonhosos). Os diálogos, ao decorrer da trama, vão perdendo força e, no final, já estão completamente expositivos e clichês. O clímax de Máquinas Mortais, que deveria trazer uma grande e emocionante revelação, acaba arrancando risos, de tão evidente que é.

Acertando apenas no visual – que é realmente ótimo –, o longa deixa de entregar uma história realmente interessante e relevante, para ser uma produção rasa e facilmente esquecível. Uma pena, pois Máquinas Mortais tinha potencial para ser uma grande franquia, afinal, não é sempre que vemos grandiosas cidades andando e engolindo outras por aí. Mas, infelizmente, a saga acabou derrapando (e capotando) logo na arrancada. Os jovens de hoje em dia não estão vindo com tanta força quanto Katniss…

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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