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Você – 1ª temporada | Crítica

Você – 1ª temporada | Crítica

Você – 1ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Sera GambleGreg Berlanti

Elenco: Penn BadgleyElizabeth LailLuca PadovanZach CherryShay MitchellDaniel CosgroveLou Taylor PucciNicole KangAmbyr Childers

A internet, quando surgiu, lá nos anos 1990, veio com a ideia de revolucionar a maneira de se transmitir a informação. De lá pra cá, muita coisa mudou, desde o modo como consumimos conteúdo até a convivência humana, tanto no ambiente online como fora dele. O ano de 2018 foi um prato cheio para produções que se aprofundam no mundo da internet. O suspense Buscando… é um filme que inova o estilo de found footage (aquele usado exaustivamente por filmes como Atividade Paranormal) e se passa inteiramente dentro da internet; até os anúncios irritantes estão lá, mas seu principal trunfo foi alertar para o uso desprevenido das redes sociais. No final do ano, outra produção que aborda o tema se destacou, e com uma história tão séria quanto Buscando…, Você ganhou o público, principalmente o mais jovem.

Estrelada por Penn Badgley (Gossip Girl) e Elizabeth Lail (Once Upon a Time), Você acompanha a história de Joe, um funcionário de uma livraria que se apaixona de modo obsessivo por Beck, uma aspirante a escritora que aparece um dia na loja procurando um livro de difícil acesso. Desde então, o vendedor presta atenção em tudo o que Beck faz, ou pelo menos o que ela divulga em seu Instagram e Facebook. Joe está disposto a fazer de tudo para conquistar o amor da jovem, e ele realmente o faz.

Você tem um roteiro um tanto limitado; é eficiente, mas depende muito do carisma dos personagens para ir adiante. Penn Badgley foi a escalação certa para Joe. O ator transmite uma aura de sociopata e mentiroso patológico em cada cena que aparece. Já Elizabeth Lail consegue ser todas as versões possíveis de Guinevere Beck: as reais e as imaginadas por Joe. Quando Beck é apresentada, Joe a imagina como mais uma jovem vazia que se entrega às redes sociais. Essa é uma definição bem genérica de alguém, mas à medida que o público adentra à mente da jovem, vemos que é uma personagem com tantas camadas quanto Joe.

Quando o roteiro da série decide ser eficiente, ele consegue abordar várias questões que tem se discutido cada vez mais atualmente. Relacionamentos abusivos é, sem dúvidas, o principal tema tratado pelo texto. Personagens como Benji (Lou Taylor Pucci), Ron (Daniel Cosgrove) e principalmente Peach (Shay Mitchell) são essenciais para este assunto da história, e se engana quem pensa que é só de relacionamentos afetivos que estamos falando, pois amizades tóxicas também são retratadas.

Outro importante tema é a mania de justiça, que está muito em alta ultimamente. Diferente de produções como O Justiceiro e o filme nacional O Doutrinador, a mania de justiça é abordada de modo bem mais pessoal, sem o envolvimento de alguma instituição. Joe tem uma grande mania de justiça, na qual ele faz aquilo que acredita estar certo, e se aproveita de tudo isso para que possa liberar o melhor de Beck (são palavras do próprio personagem, não minhas). Apesar de estarmos o tempo todo na cabeça de Joe, ele é um exemplo que jamais deve ser seguido, e considerando o alcance que uma série como essa possui, é passível de discussão se ela foi responsável ou não sobre o modo que tais temas foram tradados, mas isso é outra história.

A subtrama envolvendo Paco (Luca Padovan) é tão boa quanto a principal. O garoto vive em um lar tóxico onde constantemente é jogado para escanteio por sua mãe, que prefere se drogar e transar com seu namorado abusivo, Ron. Joe é vizinho de Paco, e aparentemente, é o único se importando com o menino, existe uma identificação raramente explorada ali, que é de onde vem a empatia pelo garoto. A história nunca se torna cansativa e se conecta à trama principal de modo engenhoso.

Ao julgar Você pela capa, a impressão que se tem é a de mais uma série barata de suspense psicológico, como a esquecida e já cancelada Gypsy. No entanto, Você conseguiu um sucesso inexplicável nos Estados Unidos, visto que sua emissora original, o canal Lifetime, não possui produções de tanto prestígio, e esse sucesso foi expandido quando a Netflix comprou os direitos de distribuição internacional (o que permitiu mais uma série com seu falso selo de original). Você é uma agradável surpresa no meio de uma época com tantos lançamentos duvidosos. Não é perfeita, tem coisas corriqueiras que irritam, como a constante música de tensão genérica, mas é fácil de se envolver e uma boa pedida de maratona. Depois de todas as resoluções e ganchos, é certo dizer que você repensará seu uso de redes sociais e suas amizades, mas, provavelmente, também estará na expectativa pela segunda temporada.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 2.5/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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