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O Manicômio | Crítica

O Manicômio | Crítica

O Manicômio (Heilstätten)

Ano: 2018

Direção: Michael David Pate

Roteiro: Michael David Pate e Ecki Ziedrich.

Elenco: Sonja GerhardtEmilio Sakraya, Timmi Trinks, Nilam Farook, Davis Schulz. 

Nos últimos anos, a ocupação de vlogger se popularizou principalmente entre os adolescentes, tanto como consumidores quanto produtores de material para ser difundido na internet. Alguns jovens se tornaram muito famosos neste meio, a partir de vídeos não necessariamente úteis ou com algum conteúdo enriquecedor. O sucesso vem, muitas vezes, devido a tratar tudo como zoeira, gritar para expôr opiniões controversas, posicionar-se sobre assuntos dos quais não possuem nenhum conhecimento, usar argumentos rasos que são de fácil compreensão e, algumas vezes, fazendo pegadinhas e desafios patéticos em troca de acessos e likes.

Em O Manicômio, temos uma dupla de famosos vloggers, formada por Charly (Emilio Sakraya) e Finn (Timmi Trinks), conhecidos por suas pegadinhas e trollagens, que desafiam sua principal concorrente nas redes, Betty (Nilam Farook), a passar uma noite em um antigo manicômio abandonado. Uma outra jovem, Marnie (Sonja Gerhardt), cujo canal é bem menos popular, decide tentar impedi-los de ir, pois acredita que o local é amaldiçoado, devido a uma situação que vivenciou lá no passado. Ela acaba ficando com eles, e não demora para perceberem que não foi uma boa ideia.

O roteiro, escrito por Michael David Pate e Ecki Ziedrich, acaba com qualquer esperança do filme ser algo além de medíocre. O primeiro ato apresenta os personagens de maneira tão superficial que o risco de morte de qualquer um deles não provoca nenhuma preocupação no espectador. Há personagens que surgem do nada e praticamente sem função, como Chris (Davis Schulz), ou que desaparecem sem justificar sua participação, como a irmã da Marnie que, se possui um nome, é impossível de ser lembrado de tão abrupta sua saída da história. O roteiro ainda abusa do clichê de fazer seus personagens se separarem do grupo sem motivo nenhum, sendo que obviamente estariam mais seguros juntos. E fazem isso diversas vezes. Além disso, o terceiro ato é algo que pode ser considerado constrangedoramente simplório ou até intelectualmente ofensivo. As reviravoltas da trama são tão bobas e artificiais que chegam a ser irritantes.

Com o material pobre que ajudou a escrever, o diretor Michael David Pate ainda conseguiu trazer algo apresentável por adotar um estilo que normalmente se mostra eficaz. Utilizando um formato que fica entre A Bruxa de Blair e Buscando…, as imagens simulam as filmagens pessoais dos vloggers ou os vídeos de seus canais no Youtube. No entanto, em muitos momentos este recurso soa muito artificial, visto que as filmagens não se justificam diante da ameaça real que eles passam a sofrer. Para piorar, a montagem traz alguns flashbacks desnecessários e que não encaixam bem na narrativa. Algumas explicações que funcionariam bem melhor se fossem mostradas ainda no primeiro ato, e não como foram trazidas posteriormente, quebrando o já errático ritmo do filme.

Mas nem tudo deu errado em O Manicômio. A locação do filme é simplesmente fantástica. Ela sozinha consegue provocar todo o medo que o roteiro e a direção fracassaram em causar. Não precisava ter ninguém lá. Uma simples câmera parada apontada para aquele prédio já seria capaz de provocar pesadelos. O Sanatório Grabowsee, fundado em 1896 pela Cruz Vermelha Alemã para tratamento de tuberculose, já foi utilizado em outras produções e é o cenário perfeito para qualquer filme de terror.

Dito isto, o longw acaba cumprindo muito pouco com o seu propósito de assustar. Infelizmente, a tentativa de crítica aos canais de vídeo sem conteúdo ficou rasa e artificial, principalmente com a conclusão constrangedora da trama. Mais um daqueles filmes para se assistir com os amigos, comendo pipoca e sem prestar muita atenção. Só assim para não se incomodar com a mediocridade e superficialidade do roteiro, conseguir aproveitar o visual assustador e ser surpreendido pelos jumpscares tão mal utilizados.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]

 


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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