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O Retorno de Mary Poppins | Crítica

O Retorno de Mary Poppins | Crítica

O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)

Ano: 2018

Direção: Rob Marshall

Roteiro: David Magee

Elenco: Emily BluntLin-Manuel MirandaBen WhishawEmily MortimerPixie DaviesNathanael Saleh, Joel DawsonJulie WaltersMeryl Streep, Colin FirthDick Van Dyke

Mary Poppins é um clássico. Absoluto. Inquestionável. Inovador. O longa da Disney, baseado na obra de P. L. Travers, se manteve relevante e intocável desde o seu lançamento, em 1964. Agora, depois de 54 anos, Mary Poppins ganha uma continuação. E, dessa vez, Emily Blunt assume o guarda-chuva da babá mágica, que foi imortalizada por Julie Andrews.

Na nova aventura, Mary Poppins retorna à casa dos Banks, 24 anos depois de sua primeira visita. Michael (Ben Whishaw), o mais novo, seguiu morando no lar de seus pais, teve três filhos e acabou ficando viúvo. Então, durante a Grande Depressão, as coisas ficam difíceis para ele, que corre o risco de perder a residência de sua família para o banco. Jane (Emily Mortimer), a irmã mais velha, também está presente, dando apoio para o irmão e sobrinhos.

Assim, a babá mágica precisa fazer com que a vida volte a ser feliz no lar dos Banks, trazendo imaginação, mágica e música para a família, de maneira que eles consigam enfrentar os desafios daquela difícil época. No entanto, diferentemente do primeiro longa, Mary Poppins não recebe um chamado na nova aventura, mas acaba voltando por livre e espontânea vontade, pois percebeu que os Banks precisavam novamente dela.

Em O Retorno de Mary Poppins, o diretor Rob Marshall, especializado em musicais – ele comandou Chicago, Nine e Caminhos da Floresta –, tenta utilizar a sua experiência para entregar um grande espetáculo visual, investindo em canções empolgantes e grandiosos números de dança. E ele consegue atingir esse objetivo. Mas, infelizmente, o longa não passa muito disso.

Emily Blunt, como a grande atriz que é, brilha em cena. Com o legado de Andrews, não era uma tarefa fácil assumir o guarda-chuva de Mary Poppins. Mesmo assim, Blunt se mostra confiante e não deixa nada a desejar para a sua antecessora. A atriz é charmosa, elegante e divertida na medida certa, conseguindo, até mesmo, aprofundar um pouco mais a misteriosa personalidade de Poppins.

As crianças também são um grande destaque em O Retorno de Mary Poppins. Anabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson), os filhos de Michael, dão um show de fofura e carisma, roubando as cenas em que aparecem. Já Lin-Manuel Miranda, o Jack, praticamente revive o papel de Dick Van Dyke no longa de 1964, só que com outro nome – e com menos talento, vale destacar. Ben Whishaw, o Michael, também tem um bom tempo de tela e não desaponta.

Colin Firth, como Wilkins, um ganancioso gerente de banco – além de fazer a voz de um animado lobo mau-caráter –, cumpre bem esses dois papéis, mas não chega a demonstrar todo o seu potencial. Meryl Streep, a prima Topsy, protagoniza uma ótima sequência musical, mas que acaba ficando deslocada dentro do longa, sem nem apresentar uma conclusão (afinal, as crianças tinham que voltar na casa da personagem para pegar a tijela!). Dick Van Dyke retorna para uma participação especial na produção, como Mr. Dawes Jr. (ele fez o Mr. Dawes no primeiro filme), mostrando que continua um showman, mesmo aos 93 anos de idade.

Apesar de um bom elenco e de um diretor que sabe como conduzir musicais, O Retorno de Mary Poppins não consegue ter o impacto de seu antecessor. Ainda que tivesse limitações técnicas, o filme de 1964 tinha muito mais magia e relevância do que a nova versão. A própria Mary Poppins não tem a devida importância para o desenrolar da história.

Ao contrário do que houve no filme original, os encantamentos da babá são pouco aproveitados, o que é uma pena, pois a tecnologia dos dias atuais não daria limites para os momentos mágicos. O longa de 1964, mesmo com as barreiras da época, conseguiu explorar ao máximo os recursos disponíveis e, assim, entregar sequências memoráveis, algo que O Retorno de Mary Poppins, infelizmente, não tem.

Mesmo assim, a nova aventura da babá mágica e dos Banks é uma boa homenagem para o longa original, trazendo de volta aquele universo encantado e uma excelente Emily Blunt como protagonista. Tecnicamente lindo e com canções contagiantes, O Retorno de Mary Poppins é um filme para ser assistido no cinema. Prepare o seu guarda-chuva e faça essa viagem para uma musical Londres dos anos 1930.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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