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Mogli: Entre Dois Mundos | Crítica

Mogli: Entre Dois Mundos | Crítica

Mogli: Entre Dois Mundos (Mowgli: The Legend of the Jungle)

Ano: 2018

Direção: Andy Serkis

Roteiro: Callie Kloves

Elenco: Rohan Chand, Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Naomie Harris, Andy Serkis, Matthew Rhys, Freida Pinto

É difícil desvencilhar a história de Mogli, o menino lobo, da adaptação da Disney em forma de animação lançada em 1967. O desenho não só popularizou o personagem como removeu os temas mais sérios tratados pela obra O Livro da Selva, do qual se baseou. Por isso, Mogli: Entre Dois Mundos pode causar estranheza, mesmo contando uma história tão familiar, por causa de seu tom narrativo sombrio.

A premissa continua a mesma. Os pais de Mogli (Rohan Chand) foram assassinados pelo tigre Shere Khan (Benedict Cumberbatch) e, então, o menino foi resgatado por Baghera (Christian Bale), que o leva para ser criado pelos lobos. Aapesar de relutantes a princípio, os animais aceitam o “filhote de homem” e o criam como se fosse um deles. Crescido, o garoto acredita ser um lupino, mesmo ciente de sua diferença na aparência. O conflito da trama começa quando Shere Khan cisma em comer o protagonista e fica disposto a fazer tudo em seu alcance para devorar a presa que escapou, mesmo que isso signifique atrair os humanos para a floresta ao assassinar o gado deles. Cabe a Mogli decidir entre ficar na floresta e enfrentar o tigre ou ir viver com os humanos em segurança.

Assim como o protagonista deve resolver quem quer ser, a adaptação não consegue decidir por qual caminho quer seguir. Em muitos momentos, é uma aventura com bastante senso de humor tranquilo para crianças assistirem, mas essas partes se alternam entre cenas violentas e intensas, que não são recomendáveis para os espectadores mais jovens. Esse inferno total acontece durante toda a duração do filme. Não que os momentos intensos não sejam eficientes, mas toda a tensão é interrompida pelo alívio cômico que se segue.

Outro fator inconstante Mogli: Entre Dois Mundos são os efeitos visuais. Enquanto no live-action da Disney, lançado em 2016, os animais foram criações 100% digitais, o diretor Andy Serkis optou, aqui, por usar o motion capture para pegar a performances de seus atores. E o resultado é, no mínimo, peculiar. É possível ver o rosto intérpretes em alguns dos animais e isso cria uma estranheza no nível de realismo dos animais. Baloo, que é interpretado pelo próprio Serkis, consegue ser mais bizarro que o urso mutante de Aniquilação. Os efeitos são ótimos na melhor parte do tempo – tanto que o lançamento do filme foi atrasado para ter mais tempo de renderizar os efeitos – e a interação do Mogli com as criações digitais é melhor do que seu antecessor. Enquanto no da Disney o ator mirim estava contracenando com nada – e isso era perceptível –, aqui Rohan Chand parece estar de fato interagindo com os animais. O ator é bom, mas não consegue entregar os momentos mais dramáticos em sua atuação.

A trama também apresenta falhas. A rivalidade entre Baloo e Baghera para decidir o que é melhor para o Mogli está presente, mas nunca é mostrada a amizade entre o urso e o garoto humano; Baloo surge como um mentor exigente e nada mais, o filme nunca dá a entender que esses dois têm um laço de qualquer tipo. Em contrapartida, o afeto e o senso de proteção que Baghera sente enquanto a Mogli é muito bem desenvolvido e rende os melhores momentos da trama. Em um elenco repleto de estrelas, Christian Bale dá a atuação mais profunda do longa. A relação do garoto e seus conflitos com a alcateia também se destacam. Mogli tem uma amizade especial com Bhoot (Louis Ashbourne Serkis), um pequeno filhote de lobo albino que também é excluído pelo resto dos lobos por não se encaixar com o resto.

A sempre excelente Cate Blanchett pouco consegue fazer como a serpente Kaa em sua breve participação. Benedict Cumberbatch, curiosamente interpretando outro vilão chamado Khan, está bem no papel do ameaçador tigre, que é um pouco diminuído por andar ao lado de um alívio cômico, a hiena Tabaqui (Tom Hollander).

A direção de Andy Serkis deixa muito a desejar e prova que ele ainda tem um longo caminho para percorrer atrás das câmeras, tirando os efeitos e a atuação do elenco, o filme falha em roteiro, fotografia e trilha sonora genérica. Sua adaptação de Mogli não adiciona em nada ao material original e tampouco tem vida própria o suficiente para se destacar. Por enquanto, Serkis fica melhor na captura de movimentos mesmo.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 11    Média: 2.2/5]

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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