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Maratona Marvel #01 | Homem de Ferro

Maratona Marvel #01 | Homem de Ferro

Homem de Ferro (Iron Man)

Ano: 2008

Direção: Jon Favreau

Roteiro: Mark FergusHawk OstbyArt Marcum Matt Holloway

Elenco: Robert Downey Jr.Gwyneth PaltrowTerrence HowardJeff BridgesShaun ToubClark GreggFaran TahirPaul Bettany

Homem de Ferro foi a grande aposta da Marvel para o lançamento de seu Universo Cinematográfico. Uma aposta que seria bem arriscada, se eles não soubessem exatamente o que estavam fazendo. Afinal de contas, o personagem não era o mais carismático e muito menos o mais popular herói da editora. Então, como fazer com que o filme conquistasse o sucesso necessário para abrir as portas para aquela que é hoje a franquia mais bem sucedida da história? Um bom planejamento, um bom roteiro e um ator capaz de carregar um filme (e, às vezes, até um universo inteiro) nas costas.

Robert Downey Jr. caiu como uma luva no papel e se tornou o centro de todo o MCU. Já na sequência inicial, quando conhecemos a personalidade de Tony Stark, Downey Jr. se mostra completamente à vontade tanto nos momentos de humor, ainda em doses moderadas, quanto nas cenas mais dramáticas. Quando a ação toma conta da tela, principalmente durante os primeiros testes com a armadura recém criada, o ator consegue transmitir com naturalidade a falta de domínio sobre o equipamento que começava a experimentar, bem diferente do que vai acontecendo nos filmes seguintes, nos quais ele mostra total controle sobre cada nova função.

O roteiro apresenta um arco dramático simples e eficiente para Tony Stark. Já nos minutos iniciais do filme, sem perder tempo com flashbacks, compreendemos facilmente o egoísmo, egocentrismo e até uma certa megalomania de Stark. Durante o ataque ao comboio do exército no qual ele se encontrava, que resulta em sua captura, Stark enxerga o nome de sua empresa na bomba cujos estilhaços quase lhe tiram a vida. Este é um gatilho muito eficaz para a mudança que ocorrerá na forma como ele vê o mundo. Nada de genial, nada muito elaborado, mas inegavelmente eficiente. A seguir, aquele que talvez seja o ponto desnecessário da trama: o colega de cela com quem o playboy em apuros cria um laço artificialmente profundo em um curto espaço de tempo. Yinsen (Shaun Toub) só está ali para reforçar uma ideia que já estava bem clara anteriormente. Não atrapalha, mas fica sobrando. É de se elogiar, no entanto, que o amadurecimento de Tony Stark se dê na direção de uma reflexão acerca do papel da indústria armamentista na política internacional. Mesmo que ele mostre no futuro (principalmente em Vingadores: Era de Ultron) que não entendeu muito bem como resolver esta questão.

A escolha óbvia da música “Iron Man” para compôr a trilha sonora do filme se mostrou ainda mais eficaz em função dos temas compostos por Ramin Djawadi, cujas guitarras pesadas harmonizaram muito bem com a música do Black Sabbath e outras como Back in Black do AC/DC. A montagem do filme constantemente acompanhou a batida de heavy metal da trilha sonora, dando o ritmo perfeito para cenas repletas de armaduras, robôs, máquinas e demais equipamentos tecnológicos.

É de se ressaltar também a qualidade dos efeitos especiais, que seguem funcionando bem mesmo 10 anos após o seu lançamento. Não há nenhum momento que gere incômodo por ser muito artificial. Muito pelo contrário. Há momentos em que o CGI chega a parecer com efeitos práticos, tamanha a naturalidade dos movimentos e sua interação com o ambiente. É engraçado comparar, por exemplo, a forma como Tony Stark colocava a armadura no primeiro filme e sua evolução gradual a cada nova aparição na franquia. Em Homem de Ferro, era necessário um equipamento que ocupava um grande espaço da garagem para encaixar cada peça da armadura no corpo do herói. Nos filmes seguintes, os avanços tecnológicos criados por Stark tornaram esta transformação cada vez mais rápida e discreta.

Sobre a introdução de alguns coadjuvantes, a impressão é que havia sim um planejamento mas não havia uma noção exata da importância que eles poderiam vir a ter. Rhodey (Terrence Howard) era o mais óbvio que retornaria em um filme futuro, pois deu a deixa sobre a utilização da armadura do Máquina de Combate. Entretanto, a mudança de ator (foi substituído por Don Cheadle) foi um infeliz decréscimo de qualidade. Howard se encaixava muito melhor no papel que acabou ganhando importância no decorrer da franquia. Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), teve que se esforçar para não ser apenas uma “donzela em apuros”, pois apesar da coragem e eficiência demonstradas, aparecia de forma muito inferiorizada na relação com Stark. O Agente Coulson (Clark Gregg) surgiu de maneira bem discreta, quase como um garoto de recados, e não dava indícios do papel que viria a desempenhar em Os Vingadores. E o “Happy” Hogan vivido pelo diretor Jon Favreau, que teve grande destaque em Homem-Aranha De Volta ao Lar, neste primeiro filme não era mais do que um figurante.

Por fim, a cena pós-créditos, que virou uma tradição nos filmes da Marvel, trouxe aquilo que todos esperavam. Em um encontro entre Tony Stark e o Coronel Nick Fury (Samuel L. Jackson), é citada pela primeira vez a Iniciativa Vingadores. Era o que precisávamos para sair da sala de cinema ansiosos pelo próximo filme e, principalmente, pelo momento em que veríamos os maiores heróis da Terra finalmente lutando lado a lado. Foi um início grandioso, fundamental para o sucesso que a franquia viria a conquistar no futuro.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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