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Narcos: México – 1ª temporada | Crítica

Narcos: México – 1ª temporada | Crítica

Narcos: México – 1ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Carlo BernardChris BrancatoDoug Miro

Elenco: Diego LunaMichael PeñaAlyssa DiazTenoch HuertaTeresa RuizJoaquin CosioMatt LetscherTessa Ia

A produção de uma 4ª temporada de Narcos começou conturbada. Além de tentar descobrir como dar segmento à série após o final bem fechado do 3º ano (a única certeza era a de que se passaria no México), um terrível incidente ocorreu com um dos responsáveis pela busca de locações para o programa. O assistente de produção Carlos Muñoz Portal foi encontrado morto a tiros em uma região do México conhecida pela sua alta taxa de homicídios. Não se soube muita coisa a respeito depois disso, mas ao primeiro trailer lançado de Narcos: México deu pra entender que alguma coisa tinha movimentado os bastidores. Um elenco totalmente novo, uma história em outra época e em outro lugar: foi assim que a série da Netflix encontrou continuidade, mas a fórmula ainda é a mesma.

Na temporada inaugural de Narcos: México, acompanhamos a ascensão do Cartel de Guadalajara, liderado por Miguel Félix Gallardo (Diego Luna). Até o começo dos anos 1980, o México possuía pequenas praças de tráfico de drogas, e Gallardo conseguiu o feito de juntar todas elas sob uma mesma “marca”, mesmo com todas as desavenças entre algumas. Isso, obviamente, chama a atenção da DEA, até então uma agência de pouco prestígio, mesmo para os norte-americanos. No meio disso, surge a figura de Enrique “Kiki” Camarena (Michael Peña), um agente que chegou ao México com o desejo de abalar aquelas estruturas.

A fórmula, como dito anteriormente, é a mesma: um traficante ascende, monta uma mega organização de tráfico, e a DEA começa a perseguir. Até o narrador típico de Narcos está presente – cuja voz se assemelha bastante a de Boyd Holbrook, o agente Murphy nas duas primeiras temporadas, mas que na verdade pertence a Scoot McNairy. Apesar da história batida, Narcos sempre consegue se reinventar em suas tramas, e aqui não foi diferente; o pecado reside na fragilidade com que alguns acontecimentos ocorrem, mas já volto a falar disso.

Além do protagonista vivido por Luna (ótimo no papel), o elenco principal é composto por personagens icônicos do submundo do tráfico, como é o caso do sócio de Félix Gallardo, Rafael Caro Quintero, vivido pelo excelente Tenoch Huerta. A figura de Caro Quintero foi estampada fielmente na série; Rafa, como lhes chamavam os mais íntimos, tinha muito amor pela sua plantação de maconha e sempre estava se envolvendo romanticamente com jovens garotas. O personagem lembra um pouco Tony Montana, o Scarface de Al Pacino, devido à sua natureza explosiva e ao seu vício em cocaína. Os melhores momentos da série envolvem Caro Quintero, mas alguns dos piores também; o principal caso romântico retratado com o personagem é uma história que não faz sentido, e boa parte da trama depende disso, o que torna o roteiro frágil o suficiente para esta ser classificada como a pior temporada de Narcos.

Além da influência de Scarface na série, um outro clássico é ainda mais referenciado. O Poderoso Chefão é Miguel Ángel Félix Gallardo, e este é conhecido por “El Padrino” em seu meio social. A referência se torna ainda mais evidente quando o Padrinho entrega seu sócio para os federais, com o final deste arco lembrando bastante o final de O Poderoso Chefão: Parte II. Mas, apesar de Luna realizar um ótimo trabalho, o roteiro (e mais ainda a montagem, neste caso) nunca parece pregar a ameaça que Félix Gallardo realmente representou, e quando ele finalmente chega lá, já estamos nos episódios finais da temporada.

Cenas que acontecem no escritório da DEA costumam mais atrapalhar do que ajudar no storytelling. Se nas duas primeiras temporadas de Narcos você achava Steve Murphy um agente muito irritante, o que acontece aqui é a falta de uma forte presença de cena para o grupo de tiras. Michael Peña funciona em seu Kiki Camarena, mas não o suficiente, e os momentos dos policiais só deixam tudo mais enfadonho.

Narcos: México conseguiu se reinventar. Em seu novo ano, trouxe uma nova história em outro lugar do mundo, com novos personagens, e com direito à fan service não-gratuito, tornando curioso o fato de o espectador se empolgar com dois traficantes perigosos fazendo negócios. Ao mesmo tempo, Narcos: México entregou, em sua estreia, a temporada mais fraca e desorganizada de toda a franquia, deixando aquela pergunta no ar: será que aguenta mais um ano empurrado com a barriga? Difícil saber, mas o gancho para a segunda temporada está lá e a coisa promete esquentar.

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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