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Especial | 10 filmes que foram inspirados na vida de grandes músicos

Especial | 10 filmes que foram inspirados na vida de grandes músicos

Música é uma arte. Talvez seja a mais acessível delas. Quem não gosta de música, com certeza boa pessoa não é. Mas não estamos aqui para falar de música, e sim das pessoas que estão (ou estiveram) por trás dela. O meio musical sempre foi um prato cheio para o cinema. Diversas histórias desses artistas já foram contadas, e algumas delas se tornaram grandes clássicos. Pensando nisso, separamos 10 grandes cinebiografias de importantes artistas musicais para nosso especial semanal. Afinal, uma vida intensa como a dos músicos retratados nos filmes abaixo costuma ser bastante cinematográfica.

PS: Para o especial desta semana, focamos nas cinebiografias de músicos lançadas no século XXI, ficando de fora clássicos como The Doors ou Amadeus, mas isso não torna estes filmes menos importantes, apenas quisemos citar longas que são pouco lembrados em listas como essas.

  • 8 Mile: Rua das Ilusões (2002), por Carlos Redel

A história do rapper Eminem ganhou os cinemas em 2002, deixando tanto a crítica quanto os fãs do cantor emocionados, mesclando drama de qualidade e um rap ainda melhor. O longa acompanha a vida do artista em Detroit, buscando sair daquela realidade, enquanto mantém uma conturbada relação com a mãe alcoólatra e com a namorada, além da vida de pobreza. Então, Jimmy, que é interpretado pelo próprio Eminem, deposita as suas esperanças de dias melhores em um concurso de rimas. O longa apresenta as dificuldades enfrentadas por jovens da periferia que buscam uma vida melhor no mundo da música, driblando a criminalidade e as drogas. 8 Mile: Rua das Ilusões, além das inúmeras qualidades como filme, também traz excelentes números musicais, seja nas batalhas de rimas ou na ótima trilha sonora — Lose Yourself, que foi composta para o longa, faturou o Oscar de Melhor Canção Original, em 2003.


  • Cazuza: O Tempo Não Para (2004), por Carlos Redel

A sinopse do filme já diz: ele está aqui pra fazer geral reviver a carreira do jovem Cazuza, meteórica e espetacular. Ela não foi das mais longas (de 1980 a 1989), mas nos brindou com um dos mais emblemáticos artistas brasileiros: versátil, de uma presença de palco extremamente envolvente, com timbre e composições que se destacam ainda hoje, 30 anos depois. Lançado em 2004, Cazuza: O Tempo Não Para é dirigido por Walter Carvalho e Sandra Werneck, e é inspirado na obra Cazuza, Só as Mães São Felizes, livro escrito por Regina Echeverria e Lucinha Araújo, a mãe do cantor. Daniel de Oliveira é quem representa nosso protagonista, o que nos faz relevar vários furos de produção graças à intensidade com a qual ele atua, convencendo em todo momento que está em tela. Pode não ser uma obra-prima, e talvez bons atores realmente não segurem roteiros ingênuos, mas é relevante pelo que retrata, por imortalizar (novamente, porque sua carreira já o havia feito) um artista brasileiro e por abrir espaço para mais muitos outros filmes do tipo, que vêm ressaltando e valorizando nossa tão boa, e por vezes menosprezada por nós mesmos, música nacional.


  • Ray (2004), por Diego Francisco

A cinebiografia acompanha o cantor Ray Charles desde sua infância e o trágico acidente que o deixou cego até se tornar um dos cantores mais famosos da sua geração. Ao contrário de muitos filmes, que tentam suavizar as partes mais controversas da vida dos artistas para ter uma melhor aceitação do público, Ray não tem medo e mostra o cantor como sendo mulherengo e seu vício em heroína. A parte musical também é fantástica com as músicas incrivelmente contagiantes do cantor de bluesjazz. O sempre carismático Jamie Foxx deu, provavelmente, a melhor performance da sua carreira ao encarnar o cantor com muita paixão e esforço – ele aprendeu a tocar piano, ler em braile e usava lentes que o faziam ficar cego 14 horas por dia nas filmagens. Apesar de um pouco longo, Ray é um retrato energético e realista a uma lenda da música.


  • 2 Filhos de Francisco (2005), por João Vitor Hudson

O sertanejo é um dos gêneros musicais que mais definem a música brasileira junto com o samba. Apesar de ser um estilo de música já antigo, foi só nos últimos anos da década de 1980 que ele começou a ganhar a força que conhecemos hoje, e uma das duplas mais responsáveis por isso é Zezé di Camargo & Luciano. Em 2005, o filme inspirado na vida dos irmãos Camargo chegou aos cinemas, mas se engana quem imagina que eles são os protagonistas, pois essa parte fica com Seu Francisco e Dona Helena, brilhantemente interpretados por Ângelo AntônioDira Paes. O longa mostra todas as dificuldades enfrentadas pela família no interior de Goiás, bem no centro da ditadura militar tão negada hoje, sem falar em toda a carga dramática envolvendo as crianças que só querem mostrar sua música às pessoas. 2 Filhos de Francisco é um filme duro, emocionalmente pesado e, não à toa, fez um merecido sucesso, se tornando uma das maiores bilheterias do cinema nacional.


  • Johnny & June (2005), por Carlos Redel

A cinebiografia de Johnny Cash, considerado o pai da música country, é uma história de ascensão, queda e amor. Dirigido por James Mangold (diretor de Logan), o filme acompanha a vida do cantor, desde a sua trágica infância, até o seu casamento com June Carter, passando por todos os percalços que estiveram no meio do caminho, como o devastador vício em comprimidos de Cash. O longa, que tem o poder de envolver o espectador desde o primeiro minuto, é embalado pelo o que há de melhor na música e traz excelentes interpretações de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon – que acabou levando um Oscar por sua performance. Johnny & June, ou Walk the Line (o ótimo título original, que tem total conexão com a trama), é uma cinebiografia imperdível para quem é fã de Johnny Cash, de June Carter, dos dois ou para aqueles que amam ver uma boa história embalada por ótimas músicas.


  • Piaf: Um Hino ao Amor (2007), por João Vitor Hudson

Dona de clássicos como La Vie En RoseNon, Je ne Regrette Rien, Édith Piaf não teve uma vida muito longa, e apesar da alegria contagiante da cantora francesa, ela vivia constantemente em um inferno. Pelo menos é o que retrata Piaf: Um Hino ao Amor, filme de 2007 vencedor de 2 prêmios no Oscar. Nascida em um bairro pobre de Paris, Édith levou tempo até alguém do ramo musical começar a apreciar sua voz. O longa mostra momentos pesados de sua vida, como o assassinato da qual se tornou suspeita, os abusos psicológicos causados por seu empresário, seus romances polêmicos, e, claro, o alcoolismo que acabou levando à sua morte precoce. Sem muitos personagens marcantes, Marion Cotillard carrega o filme nas costas com sua Édith Piaf, consagrando a jovem como uma das melhores atrizes francesas de sua geração, e não à toa, sua premiada performance em Piaf é lembrada até hoje.


  • Não Estou Lá (2008), por Diego Francisco

Utilizando um método narrativo não-convencional, Não Estou Lá conta com seis atores de nacionalidades, etnias e sexos diferentes para retratar seis fases da vida de Bob Dylan. Christian Bale, Heath Ledger, Ben Whishaw, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Cate Blanchett (essa última na melhor atuação do filme e de sua carreira) dão vida a personas distintas com nomes e personalidades diferentes e que vivem em épocas diferentes. A direção de Todd Haynes é habilidosa, os capítulos se sobrepõem sem perder o ritmo do filme e consegue fazer o espectador seguir as narrativas tranquilamente, alternando entre o preto-e-branco e o colorido. Acompanhamos os aplausos e as vaias que Dylan recebeu, suas controvérsias, seus relacionamentos com amigos e mulheres, como lidava com a fama e as suas visões sobre a carreira. Cada ator consegue se impor como o cantor, com exceção talvez de Bale, que dado a estética documental do seu capítulo, é o que menos aparece, fortificando, no entanto, o mito de Bob Dylan, já que a sua versão é relatada por terceiros na maior parte do tempo. Cate Blanchett é magnífica desde sua composição vocal até mesmo nos maneirismos que incorpora de maneira natural, dando vida à versão mais próxima da qual conhecemos.


  • The Runaways: Garotas do Rock (2010), por João Vitor Hudson

O rock estava em alta durante os anos 70, mas este meio musical era um universo dominado por homens, e as mulheres, na maior parte, eram groupies ou fãs histéricas. Isso mudou com o surgimento do grupo The Runaways, a primeira banda de rock totalmente formada por mulheres. É a história desta curta banda que The Runaways: Garotas do Rock conta. Estrelado por Dakota Fanning como a vocalista Cherie Currie e por Kristen Stewart como a guitarrista e também vocalista Joan Jett, o filme mostra todos os bastidores do conturbado conjunto que inspirou toda uma geração de rockeiras. O longa também traz Michael Shannon como Kim Fowley, o famoso empresário pilantra das meninas, que aparenta estar muito à vontade no papel. Quem ama o universo do rock provavelmente deverá gostar deste filme, e dificilmente não terminará sem estar cantando “I’m your ch-ch-ch-cherry bomb!”.


  • Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (2015), por Diego Francisco

Inspirado no início da carreira dos rappers Ice Cube (O’Shea Jackson, filho do próprio), Dr. Dre (Corey Hawkins) e Eazy-E (Jason Mitchel), o longa segue a trajetória do grupo N.W.A., que crescia na Califórnia no final dos anos 1980 e influenciou uma geração de jovens. Straight Outta Compton mostra a realidade dos negros de baixa renda da Califórnia, o abuso de autoridade e a brutalidade policial (um tanque de guerra circula pelas ruas no início do filme). Da ascensão do grupo ao sucesso e às tentativas de censura por causa das letras explícitas da música, o diretor F. Gary Gray recria os momentos mais icônicos do N.W.A., até as brigas e os desentendimentos que levaram o grupo a se separar. E além de trazer os cantores já citados, ainda aparecem no filme Snoop Dogg (Lakeith Stanfield) e Tupac Shakur (Marcc Rose), um prato cheio para os fãs do gênero.


  • Bohemian Rhapsody (2018), por Carlos Redel

A tão esperada adaptação cinematográfica da história de Freddie Mercury estreou em 2018, após muitas polêmicas e diferenças criativas, que levaram Sacha Baron Coen, que daria vida a Freddie, a abandonar o projeto. Assim, Rami Malek assumiu o papel do líder da banda Queen e, felizmente, não decepcionou. O ator está excelente em sua performance, se movendo como o icônico cantor e conseguindo ter a mesma energia. Apesar do longa amenizar a história de Mercury, Bohemian Rhapsody consegue ser uma incrível homenagem para o artista e para a banda, mostrando a genialidade de todos por trás das canções que compunham, além de ter uma trilha sonora maravilhosa (afinal, são as músicas da Queen!). Um filme emocionante e contagiante, que fará você sair cantando depois de assisti-lo.


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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