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A Balada de Buster Scruggs | Crítica

A Balada de Buster Scruggs | Crítica

A Balada de Buster Scruggs (The Ballad of Buster Scruggs)Resultado de imagem para a balada de buster scruggs poster

Ano: 2018

Direção: Ethan e Joel Coen

Roteiro: Ethan e Joel Coen

Elenco:  Tim Blake Nelson, James Franco, Liam Neeson, David Krumholtz, Brendan Gleeson, Zoe Kazan, Stephen Root, Harry Melling

Os irmãos Ethan e Joel Coen são cineastas já consagrados e contém uma espécie de marca registrada em seus filmes, conseguindo dosar um humor negro, ácido e peculiar, com diálogos incríveis e uma tensão absurda. A expectativa para A Balada de Buster Scruggs não poderia estar mais alta após ótimo Ave, César!. O novo longa dos diretores é uma antologia, dividida em seis contos, cada um com seu título específico, mas é o primeiro que dá o nome do filme. Apenas o tema liga as partes que formam a obra: o Velho Oeste.

Primeiramente, somos apresentados ao protagonista, o próprio Buster Scruggs (Tim Blake Nelson), que aparenta ser um personagem típico do que é retratado daquela época no cinema. Porém, ele contém um humor peculiar que acompanha a sua caricatura. Além disso, o conto é um musical completo, com diálogos, enfrentamentos e música. Ótimas canções por sinal. É aqui que os diretores conseguem pirar ao máximo e entregar um enredo divertido e completamente inesperado. Mesmo com a comédia em nível máximo, críticas conseguem ser observadas, apresentando o homem como uma criatura selvagem e com um ego inflado a ponto de não ter escrúpulos, não se importando com a vida alheia. A fotografia clara e nítida dá ainda mais vida e as cenas de ação são muito bem-feitas. Blake Nelson possui uma presença de cena incrível e o ápice de sua atuação é quando quebra a quarta parede, elevando ao máximo o absurdo apresentado pelos irmãos.

O segundo conto possui o título de Perto do Algones, apresentando o protagonista, interpretado por James Franco. O homem é um assaltante que tenta roubar um banco que fica no meio do nada. O caixa é um senhor falastrão e esquisito, que conta seus feitos a quem tentou roubar aquele ressinto. O ladrão não se intimida e continua com a sua tentativa, porém o absurdo entra em cena e, com muito humor e cenas bem filmadas, o destino do personagem é modificado. Aqui, o humor é mais ácido e menos “pastelão” do que no conto anterior, disparando críticas aos homens e suas leis falhas. Se trata de um pequeno episódio, sem muito desenvolvimento e um tanto fraco. Franco está interpretando ele mesmo e sua atuação não contribui para que nos apeguemos ao personagem.

A terceira parte do longa é a mais densa, dramática e pesada, chamada de Vale Refeição. O tom, que era totalmente humorístico, muda completamente, indo para um drama complexo. Somos apresentados a um artista que não possui pernas e braços (Harry Melling) e ao seu empresário (Liam Neeson). A dupla viaja o país apresentando uma história, que vai seduzindo o público, até que caia no marasmo e comece a atrair poucas pessoas. A ligação entre os dois personagens parece forte, por conta dos cuidados que o empresário precisa ter com o artista, que não consegue fazer praticamente nada sozinho. O interessante aqui é que o drama é elevado ao máximo, acompanhado de uma dura crítica sobre a ganância em uma época em que ter dinheiro era um luxo de poucos, mas os atos dos homens não podem ser justificados por isso. Aqui, a fotografia muda de maneira drástica, abandonando os tons claros dos dois primeiros episódios e tomando cores frias e escuras, fazendo jus à trama que é apresentada.

Após o choque, vem a beleza. O título é Cânion do Ouro e o personagem principal é um senhor de idade (Tom Waits) que garimpa atrás de ouro, em um ambiente repleto de belezas e fontes naturais. Bruno Delbonnel, diretor de fotografia da produção, consegue mostrar todo o seu talento, aumentando a colorização daquela linda paisagem e apresentando uma fotografia maravilhosa. Ficamos deslumbrados com tudo o que é mostrado e isso é muito importante para o desenvolvimento do conto. O personagem busca incessantemente por ouro, essa é a sua meta, ignorando o que o rodeia. Claro que não há um desenvolvimento do personagem, apenas é mostrada aquela atitude. Porém, o importante aqui é mostrar como o ser humano está pouco se importando com a natureza enquanto busca bens materiais. Se trata de uma parte importante da produção e a história consegue ser envolvente, mesmo com um ritmo lento.

O quinto conto é o mais longo e elaborado, apresentando personagens com nomes próprios e backgounds bem desenvolvidos. O título é A Garota Nervosa, acompanhando a protagonista interpretada por Zoe Kazan, que está se mudando para o Oregon, por conta de seu irmão mais velho que cisma em controlar a sua vida em benefício próprio. Após perdê-lo, a moça entra em uma dívida com seu empregado que está lhe ajudando a chegar em seu destino. Sem dinheiro e sem uma real perspectiva, ela conhece Billy Knapp, um homem gentil que está cansado daquela vida de guia. Ele tem Arthur como seu parceiro, um homem mais velho, fechado e um tanto rabugento. Se trata do conto mais interessante, que contém uma narrativa instigante acompanhada de um começo, um meio e um fim. O desfecho é surpreendente, com tons de uma tragédia grega. O episódio se trata de um drama forte e pesado, com duras críticas ao machismo e que brinca com o público, fazendo-o achar que finalmente teremos uma história relativamente bonita.

O encerramento do longa contém o título de Restos Mortais, sendo o conto mais fraco da produção. O grande problema do longa é justamente essa parte, que deveria conter uma qualidade maior. Acaba sendo tedioso e cortando o clima após uma ótima história apresentada anteriormente. A trama se passa em uma carruagem carregando cinco personagens completamente diferentes. Os diálogos são bons, mas o ritmo é arrastado. O final consegue dar uma dose de tensão, mas nada que justifique a existência do conto.

A Balada de Buster Scruggs seria uma ótima série antológica, mas também funciona como um filme. Os Irmãos Coen acertam em cheio na maior parte do tempo e, quando erram, não estragam o que foi feito de bom. Se trata de um filme com seis premissas e diversas críticas diferentes, passeando por gêneros cinematográficos e indo de um extremo a outro. A obra não foge da característica e da qualidade que sempre é apresentada pelos diretores. Um divertido, forte, tenso, reflexivo e absurdo retrato do Velho Oeste de uma forma crua e não romantizada, com muita violência e contendo a crueldade respectiva do ser humano.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3/5]


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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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