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Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald | Crítica

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald | Crítica

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald)

Ano: 2018

Direção: David Yates

Roteiro: J.K. Rowling

Elenco: Eddie RedmayneKatherine WaterstonDan FoglerAlison SudolEzra MillerJude LawJohnny Depp

A obra de J.K. Rowling é, sem sombra de dúvidas, uma das mais bem-sucedidas das últimas gerações. E não falando só de dinheiro. O universo bruxo criado pela escritora britânica é rico de diversas maneiras diferentes, desde os seus personagens interessantes, passando por uma trama realmente empolgante até chegar na excelente mensagem por trás da história. A saga de Harry Potter foi e segue sendo umas das mais lidas pelos jovens, ajudando na formação de novos leitores, que já arrancam com uma bagagem literária maravilhosa.

Logo, a série de livros de Rowling ganhou os cinemas e, novamente, foi um sucesso. No entanto, após o encerramento da história do bruxinho nas telonas, em 2011, ficou uma lacuna na vida dos fãs. Todos queriam ver mais do mundo bruxo. E, então, após rumores da volta de Harry Potter, o que não se concretizou (mas, com certeza, mais adiante vai…), a Warner Bros. anunciou que adaptaria Animais Fantásticos e Onde Habitam, canônico livro de criaturas escrito pelo bruxo Newt Scamander. Além disso, Rowling seria a roteirista das cinco aventuras da franquia. Os fãs vibraram, obviamente.

O primeiro capítulo se tornou um sucesso de público e de crítica. Aquele fascinante universo mágico estava de volta. Além disso, houve a apresentação de um promissor vilão: Gerardo Grindelwald (Johnny Depp). Logo, a segunda parte tinha tudo para ser tão boa quanto. Os trailers somente endossaram essa expectativa. Tudo ótimo, até que o filme finalmente chegou. Calma, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald não é ruim. Só está muito abaixo do hype que se formou em torno dele.

O longa começa com a sequência de fuga de Grindelwald, já com a intenção de “meter o pé na porta”. No entanto, falta emoção e uma direção competente. Nada ali convence, tirando o próprio vilão que, sim, está ótimo em cena, apesar do roteiro não colaborar no desenvolvimento do personagem. O momento é escuro e chuvoso, com pouca inspiração, soando artificial e “fácil”. Uma pena, pois essa sequência poderia ter sido muito melhor explorada, pois é um dos poucos momentos de ação com potencial da projeção. No entanto, essa decepção com a grande fuga é justificável: David Yates não tem mão para criar boas cenas de ação — e isso pode ser observado em todos os capítulos de Harry Potter comandados por ele.

Após Grindelwald conquistar a sua liberdade, somos reapresentados aos protagonistas do capítulo anterior. E, surpreendentemente, o longa não consegue resgatar os laços formados em Animais Fantásticos e Onde Habitam (que já não foram lá grandes coisas, vai…). Newt Scamander (Eddie Redmayne) até está mais interessante, menos caricatural, mas ainda não consegue atrair empatia. Tina Goldstein (Katherine Waterston) está no longa só para preencher espaço, pois a personagem não tem muito o que fazer em cena. Já a sua irmã, Queenie (Alison Sudol), tem um papel de mais destaque, com uma trama dramática que deveria ser mais interessante, mas que perde força em sua construção, tornando as atitudes da personagem exageradas. Jacob (Dan Fogler), apesar de não ter tanto tempo de tela, segue sendo o personagem mais carismático do quarteto principal, com menos piadas e mais relevância para a narrativa nessa segunda parte da história.

Creedence (Ezra Miller), que sobreviveu aos eventos do primeiro filme, obviamente, é ponto central de Os Crimes de Grindelwald. E isso é um problema de várias maneiras — mas não vamos dar spoilers aqui. Basta dizer que o perturbado Obscurus serve como uma muleta para o desenrolar da trama. As explicações sobre o seu passado são decepcionantes e confusas, complicando desnecessariamente o terceiro ato e conseguindo um resultado oposto ao imaginado. Leta Lestrange, por conta de uma sofrível interpretação de Zoë Kravitz, não convence, mesmo sendo parte importante da história. Já a tão falada volta de Nagini (Claudia Kim) foi mais fan service do que qualquer outra coisa. A personagem tem um desenvolvimento mínimo e pouquíssima relevância.

E, usando o exemplo de Creedence, chegamos ao “calcanhar de Aquiles” de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald: o roteiro. Como dito anteriormente, o script do longa é de J.K. Rowling — e isso gera uma indignação ainda maior. A autora, descaradamente, faz enxertos no cânone, forçando a barra de uma maneira inacreditável. Com esse novo capítulo de sua saga, a escritora está se tornando para Harry Potter o que George Lucas virou para Star Wars: ambos criaram obras sensacionais (cada uma com a sua relevância, obviamente), mas acabaram querendo mais — sabotando os seus próprios universos.

A montagem do longa também tem problemas. Em um determinado momento, por exemplo, dois personagens estão interagindo, sendo que um deles está com a varinha apontada para o outro. Corta a cena, vemos brevemente outras subtramas e, quando a câmera volta, o mesmo bruxo dominador da situação já tem outras duas pessoas sob custódia. Assim, sem qualquer explicação de como aquilo aconteceu.

Também não dá deixar de lado a apresentação das criaturas em CGI. Mesmo com a impressionante evolução da tecnologia, os seres digitais seguem parecendo artificiais, apresentando pouca melhora desde o encerramento da franquia de Harry PotterAnimais Fantásticos e Onde Habitam, por exemplo, tem personagens em computação gráfica melhores que Os Crimes de Grindelwald.

Voltando às boas notícias, o Dumbledore de Jude Law está ótimo. Além disso, fica bem evidente o relacionamento amoroso que o professor teve com Grindelwald no passado, mostrando um passo interessante da franquia e preparando terreno para a grande batalha entre os dois poderosos bruxos, que promete ser recheada de emoção (se David Yates conseguir, obviamente). O design de produção e os figurinos do longa também estão excelentes, assim como o seu antecessor. Felizmente, também, temos mais Pelúcio em cena, o que é maravilhoso! O bichinho fascinado por objetos brilhantes, nesse filme, tem um papel mais importante e ajuda no desenvolvimento da trama, mas sempre de maneira fofa, é claro.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald ainda apresenta um interessante discurso do seu vilão principal, que funcionava para influenciar pessoas há 100 anos e, infelizmente, ainda é efetivo nos dias de hoje. Um ótimo momento da projeção, que deve ser refletido e debatido pelos jovens fãs — e isso é um ponto muito positivo.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, sem muito o que pensar, é o filme mais fraco de todo o universo de Harry Potter. Não é ruim, mas está longe de ser o que prometia. No entanto, mesmo com os diversos erros, o longa ainda consegue deixar os fãs do mundo bruxo de J.K. Rowling com o coração alegre, principalmente quando regressamos à Hogwarts e a música clássica da saga toca. Ali, por alguns minutos, é possível esquecer dos problemas e se deixar levar pela magia. Pena que esse momento não dura o longa inteiro.

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 2.5/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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