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Museu (Museo)

Ano: 2018

Direção:  Alonso Ruizpalacios

Roteiro:  Alonso Ruizpalacios

Elenco: Gael García Bernal, Leonardo Ortizgris, Simon Russell Beale, Lynn Gilmartin, Alfredo Castro, Leticia Brédice

Filmes de assalto são conhecidos por seus planos mirabolantes, com inúmeras etapas complexas. Sempre é necessário formar um grupo com diversas pessoas com habilidades específicas só para apenas no clímax da narrativa, cada um desempenhar a sua função para o roubo ser concluído com sucesso. Desta forma, Museu se diferencia dos demais. Primeiro, por trazer um assalto em uma escala mais simples, mas não menos tensa, do que estamos acostumados. Segundo, por não ter o roubo como foco da narrativa, mas sim na personalidade de seu protagonista.

Juan Nuñes (Gabriel García Bernal) é um ambicioso jovem que aspira fazer algo grande de sua vida. Constantemente menosprezado por sua própria família e sendo chamado por todos de “Pequenino”, apelido que detesta, ele quer deixar a sua marca no mundo, mesmo que ele não receba os devidos créditos. Após trabalhar por algum tempo no Museu de Antropologia da Cidade do México, Juan começa a maquinar um crime perfeito com o seu amigo, o influenciável Benjamin (Leonardo Ortizgris). Depois de uma conturbada véspera de Natal e de comprar briga com metade de sua família, Juan decide botar o seu plano em ação.

A cena do roubo ao museu tem uma execução excelente. Ela surpreende por sua baixa escala e simplicidade, todos os materiais que foram utilizado são simples como pregos e cola, que podem ser comprados em qualquer lugar, adiciona-se um pouco de química e todo vidro de proteção pode ser facilmente aberto. Como o longa e os eventos reais que os inspiraram se passam em meados dos anos 1980, é perfeitamente compreensível como a segurança da época conseguiu deixar passar dois assaltantes com mais de 140 peças do seu acervo. A direção da cena é tão bem calculada quanto o assalto, capaz de manter uma tensão exemplar.

A repercussão do evento é instantânea, todos na Cidade do México falam sobre o maior assalto da história do país. Até a família do Juan se indigna com o fato, sem perceber que a mente por trás do roubo está bem na frente deles e todas as peças estão escondidas na casa. Começa uma relevante discussão sobre como a população dá valor ao patrimônio histórico apenas após perdê-lo. Quando o museu reabre, todos visitam as peças que não estão mais lá, lamentando a sua ausência ao mesmo tempo em que não se importavam com elas enquanto elas estavam seguras e à mostra. Este evento tem um gosto amargo ao brasileiro porque ecoa o incêndio no Museu Nacional, um paralelo não intencional que funciona bem.

Apesar do começo promissor, o filme desaponta em sua segunda metade. Após o roubo ter sido um sucesso, Juan e Benjamin viajam para conseguir vender os itens roubados e tudo o que se segue não prende o interesse da mesma forma do assalto. Adquirindo uma estrutura de road movie, a produção falha em cativar o espectador. A duração de 128 minutos começa a pesar e, em determinadas partes, a entediar um pouco. Existe até uma subtrama com uma atriz pornô que não serve nenhum propósito na trama. Todo o interessante drama familiar estabelecido no início é deixado de lado e as tentativas de venda das peças roubadas não são tão eficientes.

Museu se beneficia por ter Gabriel García Bernal no papel principal. O ator mexicano nunca desaponta e, mesmo não sendo uma de suas melhores atuações, ele consegue ser sólido o suficiente para dar uma complexidade emocional mais do que necessária para o seu personagem. Por mais que Juan seja arrogante ou trate mal seu melhor amigo, nunca é possível odiá-lo de fato, porque é possível ver de onde o personagem está saindo.

Tirando os deslizes da sua segunda hora de projeção, a direção de Alonso Ruizpalacios, que também é roteirista do longa, é competente. A trilha sonora é excelente e grandiosa, pecando apenas por não ser mais presente. Museu é um filme sobre a obsessão de seu protagonista em deixar a sua marca, mas, assim como ele, se perde no meio do caminho.

Nota do crítico:

 

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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