Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes Vídeos

O Doutrinador | Crítica

O Doutrinador | Crítica

O Doutrinador

Ano: 2018

Direção: Gustavo Bonafé

Roteiro: Gabriel Wainer, Mirna Nogueira, L.G. Bayão, Luciano Cunha, Denis Nielsen

Elenco: Kiko PissolatoTainá MedinaSamuel de AssisCarlos BetãoEduardo MoscovisNatália Lage, Helena Luz, Marília Gabriela, Tuca Andrada, Helena Ranaldi

“A corrupção criou o seu maior inimigo”, diz o slogan de O Doutrinador, longa baseado na HQ de Luciano Cunha. E a frase não é um exagero. No maior estilo O Justiceiro, mas usando como pano de fundo toda a podridão da política nacional apresentada em Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro (e na vida real, obviamente), o filme brasileiro consegue entregar um resultado surpreendentemente positivo.

Na trama, o policial de elite Miguel (Kiko Pissolato) sofre uma terrível perda familiar por conta da negligência do Estado. Devastado, ele acaba se rebelando e decide fazer justiça com as próprias mãos, combatendo todos aqueles que desviaram dinheiro da população para enriquecer. Assim, ele assume a identidade de O Doutrinador e passa a deixar um rastro de sangue por onde passa, não perdoando um corrupto sequer. Para isso, o vigilante precisa da ajuda da hacker Nina (Tainá Medina), que também foi prejudicada pelo sistema.

Com direção de Gustavo Bonafé (do elogiado Legalize Já: Amizade Nunca Morre), a adaptação da HQ é tecnicamente incrível. O cineasta acerta em cheio nas cenas de ação e ao mostrar a cidade, à noite, com um visual mais futurista. E é depois que o sol se põe que os melhores planos do longa são apresentados, com a máscara de gás com olhos vermelhos de O Doutrinador se destacando na tela. A aparência do personagem, inclusive, é excelente e marcante, o que auxilia muito na sua popularização.

Como um longa de origem, a trama precisa acompanhar a vida de Miguel antes de virar o vigilante mascarado, o motivo pelo qual ele decide fazer justiça com as próprias mãos e, obviamente, ele em ação. Assim, vários pontos da história do personagem precisam ser apresentados, o que é feito de maneira razoável, mas, em determinados momentos, soam forçados — como a situação em que Miguel usa a máscara de gás pela primeira vez, por exemplo.

Além disso, algumas situações apresentam uma quebra de verossimilhança, como a mania do personagem de estar em cima dos prédios contemplando a cidade. Ele não tem poderes, nem equipamentos que facilitam essas escaladas. Ou seja, por bons enquadramentos — que, é preciso dizer, ficam sensacionais — Bonafé acaba forçando a barra, sem explicar como ou o porquê do Doutrinador sobe em grandes construções e fica ali, perdendo tempo. Essa falta de contato com a realidade se repete algumas outras vezes durante a projeção, tudo para facilitar o desenvolvimento do personagem — e isso só piora os erros.

Na parte do drama, Kiko Pissolato não entrega uma grande performance, mas também não decepciona. As suas reações condizem com o que é apresentado pelo personagem desde o início do longa. Fisicamente, o ator se mostra preparado e faz bonito em todos os momentos que exigem preparo. Já a Nina de Tainá Medina está muito bem em cena, fazendo com que se acredite na personagem e suas capacidades, apesar do roteiro fazer parecer que ser hacker é algo muito mais fácil do que realmente é. A pequena Helena Luz, que interpreta Alice, a filha de Miguel, oferece uma atuação muito acima do que a maioria das atrizes-mirins de sua idade.

Eduardo Moscovis, por sua vez, interpreta o corrupto governador Sandro Correa de maneira impecável. O ator é cínico na medida certa, conseguindo fazer o público sentir raiva e nojo de seu personagem. Marília Gabriela, que vive a ministra Marta Regina, mesmo aparecendo pouco, cumpre bem o seu objetivo. Natália Lage, como sempre, está muito bem como a ex-esposa de Miguel, Isabela. Para terminar, Tuca Andrada, o delegado Siqueira, também tem uma boa performance frente às câmeras, mas poderia ter sido melhor explorado pelo roteiro.

O Doutrinador, no final das contas, é uma nova imersão do cinema nacional, que aposta na onda de super-heróis, acertando no seu tom e, apesar de beber nitidamente na fonte de O Justiceiro, traz um elemento extremamente brasileiro: a corrupção. E, mesmo parecendo, à primeira vista, que o longa é a história de um “cidadão de bem” que resolver pegar em armas e fazer justiça com as próprias mãos, a produção toma cuidado ao mostrar que esse caminho não é o correto e que não traz qualquer tipo de redenção.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close