Bode na Sala
Críticas Destaque Netflix Séries

Demolidor – 3ª temporada | Crítica

Demolidor – 3ª temporada | Crítica

Demolidor – 3ª temporada

Ano: 2018

Criador: Drew Goddard

Elenco: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Joanne Whalley, Jay Ali, Wilson Bethel, Stephen Rider, Vincent D’Onofrio

Não é exagero dizer que Demolidor é, facilmente, o melhor produto da parceria Marvel/Netflix. Em sua terceira temporada, a série prova estar em perfeita forma e não apresenta sinais de desgaste. Enquanto Luke Cage, Punho de Ferro e, até mesmo, Jessica Jones encontram problemas em sustentar sua história por 13 episódios por ano, a adaptação do Homem Sem Medo segue sem dificuldades em manter um ritmo intenso que segura a atenção do espectador até os minutos finais.

Começando no momento em que Os Defensores parou, o terceiro ano de Demolidor mostra que Matt Murdock (Charlie Cox) sobreviveu ao desabamento do prédio e se encontra refugiado no orfanato católico em que cresceu após a morte do pai. Além de fisicamente incapacitado e com os seus sensos apurados defasados, ele está diferente. Cheio de ódio, ele volta a sua raiva a Deus e, surpreendentemente, a sua persona de Matt Murdock. O herói mascarado considera o seu alter ego fraco por causa de suas conexões humanas, como o fato de se importar com Foggy Nelson (Elden Henson) e Karen Page (Deborah Ann Woll) e, assim, pretende cortá-los permanentemente da sua vida.

Católico desde sempre, Matt perdeu a sua fé. Não que ele tenha deixado de acreditar em Deus, mas ele O ressente por causa de tudo o que aconteceu na sua vida. Preso a ironia de estar se recuperando em uma igreja, ele passa a maior parte do tempo com a irmã Maggie (Joanne Whalley), freira que cuidou dele na infância. Os dois discutem constantemente ao passo que a freira quer que Murdock volte à razão para se tornar a pessoa de antes. As interações dos dois rendem os momentos mais cômicos da temporada, diálogos cheios de sarcasmo de ambos os lados. O fato da dupla ter uma história no passado rende um belo desenvolvimento.

Enquanto isso, Wilson Fisk (Vincent D’onofrio, excelente) usa de seus extensos conhecimentos do mundo do crime para se tornar informante do FBI e conseguir uma posição privilegiada na cadeia. Não demora muito para que Fisk consiga sair do confinamento (mesmo que em prisão domiciliar), o que causa a revolta da população e faz o Demolidor voltar a agir para deter o Rei do Crime. Ao mesmo tempo, Foggy e Karen, não cientes do fato de que o amigo vigilante está vivo, começam a criar formas fazer com que Fisk volte para a prisão.

Os novos personagens da temporada dão um show a parte. Uma nova ameaça surge na pele de Ben Poindexter (Wilson Bethel). O agente do FBI, que é mentalmente desequilibrado e tem uma pontaria infernalmente precisa, não demora para cair nas graças do Rei do Crime. A infância de Poindexter é explorada, os traços de psicopatia dele eram presentes desde cedo, mas os encontros com a sua terapeuta o ajudavam a suprimir esse lado dele e ajudá-lo a desenvolver habilidades sociais. Enquanto adulto, o agente ouve as fitas dessas sessões para ajudar a se controlar. O personagem é assustador por suas habilidades de combate e por seu comportamento. Poindexter, por exemplo, persegue diariamente uma moça que trabalhou com ele anos atrás.

Ainda no FBI, o agente Nadeem (Jay Ali) tem um desenvolvimento clichê, o clássico trabalhador esforçado que dá o seu melhor por causa de altas contas médicas de um parente doente; é difícil se importar com ele de imediato porque o desenvolvimento dele já foi visto inúmeras vezes, mas depois de um tempo ele consegue cair nas graças do espectador mostrando sua conduta. Ele é o nosso guia no mundo do FBI e a testemunha da manipulação do Fisk na agência.

De todos os personagens, Karen é a que recebe o maior desenvolvimento nesta temporada. O trágico passado dela é explorado e dá uma nova dimensão a jornalista. Com o retorno dos horrores que ela sofreu na primeira temporada nas mãos de Fisk e seus associados, ela tenta fazer todo o possível para mandá-lo de volta para a cadeia. O estresse emocional que ela passa a faz cometer diversos erros que colocam não só a vida, mas também a de seus amigos em risco. Mas a gente perdoa ela.

É curioso notar que Demolidor consegue trazer uma ameaça mais intensa do que a de Os Defensores — vale lembrar que nessa série, toda Nova York seria destruída. O retorno do Rei do Crime e suas maquinações é glorioso, ele consegue manipular a todos antes mesmo do que elas percebam estarem sendo envolvidas no grande plano dele. Boa parte de suas ideias começaram a ser postas em ação anos antes e fazem com que suas vítimas obriguem a trabalhar com ele. Poindexter também sofre inadvertidamente com os planos de Fisk, que o obriga a ficar do lado dele mesmo sem ele notar. Os dois vilões oferecem um desafio tanto físico quanto mental ao Demônio de Hell’s Kitchen, que sequer se recuperou dos ferimentos do prédio desabando em cima dele.

A atmosfera sombria e a crescente sensação de que algo horrível pode acontecer a qualquer momento continua presente, a série nunca escondeu seus temas mais pesados e esta temporada não é exceção. As cenas de luta seguem brutais e eletrizantes. A esperada cena do corredor em plano-sequência é a mais ousada até aqui: ela tem quase 10 minutos ininterruptos compostos, de luta física, diálogo e uma impressionante sequência de fuga. Enquanto as coreografias são intensas, a trilha acaba se tornando um ponto negativo. A presença musical acaba tirando o impacto da natureza suja e crua das lutas da série.

Mesmo que os conflitos internos de Matt nesta temporada sejam ótimos, a série força um pouco ao trazê-lo confrontando uma versão mental de Fisk, que surge como um diabo no seu ombro, disparando discórdias. O recurso é batido e essas aparições só aparecem quando o advogado está isolado, o que prova se elas só exstem para contar para a audiência o que o protagonista está sentindo. Outro sério problema da atração da Netflix está na motivação de seus personagens: Wilson Fisk, Ben Poindexter e Melvin Potter (Matt Gerald) são obcecados por suas companheiras e, basicamente, têm elas como fio condutor de suas ações, algo que é repetitivo dentro da própria série.

Mesmo com os poucos deslizes, Demolidor segue sendo um dos maiores nomes quando o assunto é séries de super-heróis. Com uma trama bem desenvolvida, protagonista atormentado, elenco de apoio excelente e vilões geniais, não tem como se cansar dela tão cedo. Atualmente, com o maior número de episódio dentro das produções Marvel/Netflix, ela segue com o maior potencial para novas temporadas com diversos ganchos para oportunidades futuras.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários: 

[Total: 2    Média: 5/5]

 

Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close