Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Legalize Já: Amizade Nunca Morre | Crítica

Legalize Já: Amizade Nunca Morre | Crítica

Resultado de imagem para legalize ja amizade nunca morre posterLegalize Já: Amizade Nunca Morre

Ano: 2018

Direção: Johnny Araújo e Gustavo Bonafé

Roteiro: Felipe Braga

Elenco: Renato Góes, Ícaro Silva, Ernesto Alterio, Rafaela Mandelli, Stepan Nercessian, Marina Provenzzano

É necessário lembrar do que foi revolucionário. Início dos anos 1990, quando a repressão policial vitimava pobres e negros com revistas desnecessárias, preconceituosas e abusivas. Uma realidade em que um jovem negro era abordado na rua, passando mal e levava tapas, socos, chutes, tendo as suas coisas reviradas e jogadas na rua. Uma realidade em que o cidadão que consumia maconha era hostilizado e tratado como criminoso. Uma realidade não muito diferente da que vivemos ainda hoje, em 2018.

As tecnologias evoluíram, os prédios ficaram mais modernos, mas a cabeça do cidadão brasileiro, juntamente com o governo como um todo, não mudou muito. Legalize Já: Amizade Nunca Morre é uma produção quase que “preta e branca”, com alguns tons coloridos, mas que pouco aparecem. É uma coloração clara e ao mesmo tempo sem vida, fria, entrando brilhantemente no contexto apresentado.

Os protagonistas dessa história são figuras reais e conhecidas: Marcelo D2 e Skunk, os fundadores do Planet Hemp. O grupo de rap/rock foi revolucionário ao criticar todos os aspectos citados acima no início dos anos 1990. As letras de suas músicas eram agressivas, inteligentes e necessárias. A trama conta como os dois se conheceram e como tudo aquilo iniciou. É interessante como a trajetória de Skunk é mostrada, contando com a excelente atuação de Ícaro Silva, dando vida a um ícone cultural que não teve a oportunidade de desfrutar o sucesso.

O roteiro de Felipe Braga é fluido e consistente, conseguindo contar como foi a trajetória inicial do grupo de forma linear e poética. Renato Góes, que interpreta o “apenas Marcelo” está muito bem no papel, sendo fisicamente semelhante ao músico e com uma voz muito parecida. Ao mesmo tempo que ficamos imersos na história, revoltados com a realidade do país e tensos para saber como o sucesso do Planet Hemp realmente começou, o roteiro também nos deixa emocionados em diversos momentos, de uma forma muito natural e real.

Chega a ser impressionante como a direção Johnny Araújo e Gustavo Bonafé acerta nos enquadramentos e jogos de câmeras para apenas mostrar determinadas situações. Eles não inventam demais, mas também não deixam as coisas muito simples. É nítida a dedicação imposta para que a história seja retratada de uma forma artística, mas que não seja cansativa para o grande público.

A fotografia com as cores pretas e brancas predominantes é clara e fria, ao mesmo tempo durante quase toda a projeção. Porém, em determinados momentos dramáticos, ela fica escurecida e o enquadramento, que fica quase sempre aberto, se fecha. Isso fica exemplificado no desfecho da obra, mudando totalmente a forma de como um cenário é apresentado. Isso se mistura a uma trilha sonora espetacular, mesclando músicas do Planet Hemp com sons energéticos. Determinada cena é tão gráfica e emocional, que a música é cortada e ouvimos apenas o som ambiente, podendo absorver tudo o que o longa quer nos passar.

A importância de Legalize Já: Amizade Nunca Morre nos dias de hoje é imensa, mas o filme não se resume somente a um relato histórico da realidade brasileira e da revolução do cenário musical. Também se torna uma forte homenagem a Skunk, o visionário por trás do grupo, um homem a frente de seu tempo. As contradições dos personagens, principalmente de Marcelo, tendo que escolher entre a arte e o sustendo de seu futuro filho trabalhando como camelô. O sonho de Skunk vivo em suas palavras de motivação, tendo que lutar contra a morte. A vontade real de mudar o país através da música foi o que moveu esses então jovens da periferia do Rio de Janeiro. Uma obra que veio no tempo certo para nos lembrar que o mundo pode ser modificado e que podemos atingir as pessoas de alguma forma. Em momentos sombrios, o povo é resistência. Assim como o Planet Hemp foi e ainda é.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.7/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close