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A Maldição da Residência Hill – 1ª temporada | Crítica

A Maldição da Residência Hill – 1ª temporada | Crítica

A Maldição da Residência Hill – 1ª temporada

Ano: 2018

Criador: Mike Flanagan

Elenco: Carla Gugino, Michiel Huisman, Elizabeth Reaser, Kate Siegel, Oliver Jackson-Cohen, Victoria Pedretti, Timothy HuttonHenry ThomasLulu ThomasMcKenna Grace

O subestimado Mike Flanagan já dirigiu alguns bons filmes de terror — e a sua carreira é praticamente toda nessa área. Seu contato com a Netflix começou quando foi convidado a dirigir Jogo Perigoso, filme baseado no livro homônimo de Stephen King cujo tema é horrendo: a necrofilia. Flanagan obteve sucesso nessa empreitada, arrancando alguns elogios da crítica especializada e, principalmente, daqueles que odeiam os filmes originais do serviço de streaming. Então, surgiu a possibilidade de Flanagan tomar a responsabilidade de seu projeto mais ambicioso: A Maldição da Residência Hill, uma série baseada no livro da escritora Shirley Jackson, em que o cineasta atuaria como showrunner, roteirista e, principalmente, diretor de todos os episódios. E deu muito certo.

O romance de Shirley Jackson conta a história de um grupo que faz parte de um estudo paranormal em uma mansão supostamente mal-assombrada, e foi adaptado duas vezes ao cinema: a primeira, em 1963, com A Casa Maldita, uma obra-prima do grande Robert Wise e, em 1999, chamado no Brasil de A Casa Amaldiçoada, estrelado por Liam Neeson e Catherine Zeta-Jones, filme duramente criticado pela imprensa e até mesmo pelo público. A missão de Flanagan era fazer algo a altura do clássico de Wise e a sua série seguiu um caminho diferente, ao colocar os principais personagens do livro como uma família amaldiçoada por essa mansão após alguns meses morando nela.

No ano de 1992, a família Crain foi encarregada de reformar a Residência Hill; Olivia (Carla Gugino) desenharia a obra, enquanto seu marido Hugh (Henry Thomas, em sua versão jovem) ficaria à cargo de construí-la. No meio disso, estão as crianças: Steven (Paxton Singleton), Shirley (Lulu Wilson), Theodora (McKenna Grace) e os gêmeos Luke (Julian Hilliard) e Eleanor (Violet McGraw). Cada um dos filhos do casal tem suas personalidades definidas, e isso fica cada vez mais evidente quando conhecemos suas versões adultas, mas falaremos disso mais tarde. Tudo corria bem até que um episódio mudou para sempre a vida de todos: o suicídio de Olivia, supostamente causado pela casa.

A Maldição da Residência Hill tem um roteiro meticuloso e redondinho. Além de ser uma história de fantasmas, é uma história sobre uma família devastada e quebrada. Não é apenas um conto de terror em que as pessoas precisam confrontar demônios reais, mas precisam confrontar também seus demônios internos, que podem ser chamados de reais. Chega um ponto da série em que você está se perguntando junto com os personagens sobre o que é alucinação e o que é de verdade, visto que não há ninguém psicologicamente saudável naquele universo. Além disso, há os mistérios envolvendo coisas aparentemente pequenas que são jogadas no meio da história, mas que futuramente terão uma importância drástica, como a amiga imaginária de Luke ou, principalmente, o quarto da porta vermelha.

Vamos falar agora das partes adultas dos irmãos. Michiel Huisman (bem diferente de seu Daario Naharis de Game of Thrones) é Steven, um escritor que usou suas experiências de vida como uma forma de ganhar dinheiro, o que não foi bem-visto pelos irmãos; Elizabeth Reaser (a Esme Cullen da saga Crepúsculo) é Shirley, que se tornou dona de uma funerária que hoje passa por dificuldades financeiras, além de ser uma mulher que acha ser capaz de suportar tudo; Kate Siegel (esposa de Flanagan e protagonista de Hush: A Morte Ouve) é Theodora, uma psicóloga infantil que usa uma possível germofobia para encobrir suas habilidades de empata, além de ser assumidamente lésbica; Oliver Jackson-Cohen (de Emerald City) é Luke, um viciado que luta pelo seu bem-estar e para voltar a ser aceito pelos irmãos; e, por fim, temos a desconhecida Victoria Pedretti, que interpreta a atormentada Nellie, a caçula que resolve revisitar a maldita casa depois de anos sem um motivo aparente. Este quinteto tem uma química surpreendente em cena, e isso é mais confirmado quando chega o sexto episódio, o melhor dirigido, composto quase em sua totalidade por 5 longos planos-sequência (o maior com, aproximadamente, 18 minutos), e com o acréscimo do sempre ótimo Timothy Hutton, que faz o pai 26 anos mais velho. O roteiro é cheio de conflitos entre esses personagens, mas o elenco é capaz de transmitir a sensação de que eles realmente fazem parte de uma família problemática, que é um dos principais temas da série.

Carla Gugino talvez seja o melhor membro do elenco. A atriz que, assim como Henry Thomas, trabalhou em Jogo Perigoso com Flanagan, consegue transitar entre os sentimentos de uma mulher que luta para manter uma família e luta contra os demônios que só ela enxerga. Gugino passa perfeitamente a ideia de uma mãe carinhosa e atormentada. A personagem é central na história, mesmo depois de morta, mas o roteiro não-linear permite que Liv seja bem desenvolvida. Bom para Gugino e bom para nós, que podemos ver mais dessa subestimada atriz.

O desfecho de Residência Hill é belo e simbólico. A história tem um final mais agridoce do que as tramas de terror costumam apresentar, mas é lindo entender porque o final não poderia ter sido diferente. Os mais emotivos poderão sentir algumas lágrimas rolando nos últimos minutos, mas não se envergonhe, pois isso é normal.

A Maldição da Residência Hill teve um roteiro fechado, sem gancho para uma possível segunda temporada. Não é possível saber o que virá a seguir, pois o programa de Flanagan não foi concebido como uma minissérie. Neste momento, talvez, a melhor opção seja a Netflix iniciar uma antologia, colocando a casa mal-assombrada como um local repleto de histórias, e isso não seria má ideia, já que há diversos fantasmas morando no local. Talvez um retorno ao passado, nos moldes de Fargo, que mostrasse como a mansão se tornou este lugar amaldiçoado seja uma decisão, e é certo que o público receberia a ideia de bom grado. O que resta a fazer no momento é apreciar a obra em sua totalidade, algo que até mesmo Stephen King, fã da obra de Shirley Jackson, conseguiu fazer a não poupou elogios, chamando a série de “um trabalho de gênio”.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 7    Média: 3.6/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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