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Better Call Saul – 4ª temporada | Crítica

Better Call Saul – 4ª temporada | Crítica

Better Call Saul – 4ª temporada

Ano: 2018

Criadores: Vince Gilligan, Peter Gould

Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Giancarlo Esposito, Mark Margolis

O que é ética? O que nos torna melhores ou piores seres humanos? Por que os mais importantes acontecimentos de nossas vidas influenciam tanto no futuro? A mais recente temporada de Better Call Saul não procura responder nenhuma dessas perguntas, mas as joga bruscamente no ar. Talvez a intenção de Vince Gilligan — o criador deste universo incrível iniciado com Breaking Bad — nem seja discutir ética e moral, mas uma coisa bem mais simples, como contar uma (excelente) história.

O quarto ano do show tem início logo após a última cena da terceira temporada. Depois do suicídio de Chuck (Michael McKean), Jimmy precisa lidar com o fato de que perdeu seu irmão, mas não sente nenhum remorso pelo ocorrido. Sabemos muito bem para onde Better Call Saul caminha, que é para a transformação do advogado picareta vivido por Bob Odenkirk que conhecemos em Breaking Bad. Jimmy perder o irmão já é um salto enorme para que isso aconteça, mesmo que na temporada anterior já tenhamos flertado com o alter-ego de Saul Goodman.

Então tem Kim (Rhea Seehorn), a ex-sócia e namorada de Jimmy, que é a última amarra que o prende de uma vida de saídas fáceis para ganhar dinheiro. Durante esta linda temporada, Jimmy percebe que Kim está cada vez mais distante dele, e por isso vemos o personagem se aventurar em busca de um emprego, pois o mesmo não acredita ser justo que ela banque a casa sozinha. Percebe-se que uma pequena porcentagem da alma de Jimmy quer se manter honesta, mas a maior parte dela está mergulhada na ruindade. Isso só fica mais perceptível quando Jimmy começa a vender burners — os famosos celulares pré-pagos descartáveis — a criminosos em potenciais, e sob a alcunha de Saul Goodman, claro!

Já do lado assumidamente criminoso, vemos que BCS alcançou sua série-mãe. A trama da máfia mexicana desta vez é sobre as consequências do derrame sofrido por Hector Salamanca (Mark Margolis). Enquanto Gus Fring (Giancarlo Esposito) sabe o que provocou isso, ele aproveita para começar sua pequena vingança contra o patriarca Salamanca. Além disso, o incrível “vilão” está começando a planejar a construção de uma cozinha industrial para fabricar suas próprias drogas e se livrar do cartel a que pertence e, para isso, ele conta com a ajuda de Mike (Jonathan Banks), em uma trama aparentemente simples, mas bastante envolvente.

O roteiro da série atinge sua excelência durante a quarta temporada da série, mas este só funciona devido a um conjunto de fatores. A direção primorosa, a montagem criativa e dinâmica, a química entre o elenco, a fotografia bastante pontual, tudo contribui para que essa história seja contada da melhor maneira possível. E já que o elenco foi citado, é preciso elogiar Odenkirk em praticamente todos os episódios. Se o ator for esquecido novamente nas premiações, será mais uma injustiça.

É curioso notar quantas amarras prendem os personagens de Better Call Saul. Jimmy está preso a bondade da Kim, que está presa à rede bancária Mesa Verde. Gus está preso a um cartel. Mike está preso aos limites e valores que guarda de seu tempo como policial. Nacho (Michael Mando) está preso a uma verdade conhecida apenas por Gus, e ele paga por isso. É como se todo o roteiro da série estivesse, também, preso a algo, o conceito de liberdade e o alto preço para alcança-la. Aliás, é até metalinguístico, já que BCS está ligeiramente presa à Breaking Bad.

O emblemático episódio final aplica com mais vigor o conceito de liberdade e a ética citada no primeiro parágrafo deste texto. Estes dois valores presumivelmente descomplicados são mais complexos do que se imagina, e é interessante o modo que Vince Gilligan os trabalha, fazendo o espectador refletir sobre si mesmo e repensar sobre seus atos e valores que defende. A quinta temporada pode ser a última, mas estes valores ecoam na mente de quem aprecia o show.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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