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Venom | Crítica

Venom | Crítica

Venom

Ano: 2018

Direção: Ruben Fleischer

Roteiro: Scott RosenbergJeff PinknerKelly Marcel, Will Beall

Elenco: Tom HardyMichelle Williams, Riz AhmedJenny SlateRon Cephas Jones, Reid Scott

Desde que a Sony anunciou a produção de Venom, muitos questionamentos surgiram, mas o principal sempre foi: “Como fazer um filme de um vilão do Homem-Aranha sem o Homem-Aranha?”. E, bem, o longa saiu e respondeu essa pergunta: transformando o vilão em herói, como vimos acontecer recentemente com o dispensável Esquadrão Suicida. “Olha esse spoiler aí!”, você pode estar praguejando. Mas, no fundo, todos sabíamos que esse seria o único caminho a ser seguido pelo estúdio para, assim, poder desenvolver uma aventura para menores sobre o personagem, ainda mais com um grande astro de Hollywood no papel principal.

Na trama, Eddie Brock (Tom Hardy) é um conhecido repórter investigativo que acaba perdendo tudo ao bater de frente com o grande empresário da tecnologia Carlton Drake (Riz Ahmed). O executivo é o responsável por ousadas explorações espaciais, com o objetivo de encontrar um novo planeta para os seres humanos. Em uma dessas, a sua equipe acaba trazendo espécimes para serem estudadas na Terra — entre elas, é claro, o Venom.

Logo, Brock acaba entrando na investigação dos testes realizados no laboratório de Drake e, obviamente, é contaminado por Venom. Inclusive, a maneira como o repórter é infectado pelo simbionte lembra bastante como Peter Parker é mordido pela aranha radioativa. A partir disso, o protagonista passa a conviver com o seu bagunceiro parasita, criando, rapidamente, uma amizade com o bicho. É isso mesmo. Logo, ambos se unem para destruir a empresa de Drake para que outros simbiontes não venham para a Terra e acabem com a vida humana.

Sim, a história é essa. Venom e Eddie Brock unidos contra o empresário malvado. O roteiro, altamente sofrível, não tem inspiração, só conseguindo entregar uma trama genérica e seguindo fórmulas já batidas (mas não aquela eficiente do MCU), lembrando longas da década passada, como Motoqueiro Fantasma. Diálogos ruins e expositivos estão presentes durante toda a projeção, além de frases de efeito extremamente clichês, causando vergonha alheia.

Nitidamente, falta o Homem-Aranha na história e isso é o que afeta mais o desenvolvimento de Venom. Ele não foi concebido para ser o personagem principal — nem um grande coadjuvante muito bom o vilão é. O Amigão da Vizinhança sempre teve antagonistas muito mais interessantes. Venom nada mais é do que a versão do mal do herói, incluindo poderes e aparência. Sem o Cabeça-de-Teia, não existe lógica. O longa segue tanto o enredo da origem do Homem-Aranha que existe a versão do mal do vilão (é…).

O principal destaque de Venom, obviamente, é Tom Hardy, mas isso não quer dizer que isso é uma coisa boa. Apesar do ator sempre se sair bem em cena, ele não combina com o personagem e o seu Eddie Brock só funciona depois que é contaminado pelo simbionte — afinal, Hardy é especialista em personagens afetados. Michelle Williams, por sua vez, não tem espaço para brilhar e sua personagem entrega momentos e diálogos constrangedores. Já Riz Ahmed não poderia ter sido mais subaproveitado.

Tecnicamente, a produção também deixa a desejar. O design de Venom está interessante, apesar da ausência da característica aranha no peito, mas o realismo do personagem, na maior parte do tempo, não convence. O vilão apresentado em Homem-Aranha 3 estava muito mais orgânico — e olha que isso já faz 11 anos. O diretor Ruben Fleischer, que fez um excelente trabalho em Zumbilândia, fica limitado com o material que tem nas mãos e o que precisa entregar. Afinal, como apresentar um personagem que come cabeças sem poder mostrar ele fazendo isso? Fica difícil. Nenhuma gota de sangue é mostrada, mesmo em um massacre.

Em vários pontos da projeção, fica a impressão de que Venom poderia ter sido muito melhor do que é. Há bons momentos entre o simbionte e Eddie Brock e essa relação poderia ter sido explorada de maneira muito mais efetiva, puxando para o lado do humor negro. Mas a escolha foi focar na ação pouco eficiente e em uma história sem criatividade. No final das contas, Venom apenas cumpriu a expectativa que girava em torno dele. Não é tão ruim quanto Mulher-Gato como disseram que seria (teria que se esforçar muito para isso), mas também está longe da qualidade dos filmes de super-heróis que temos hoje em dia. Ah, a trilha sonora é muito boa, principalmente a faixa ‘Venom’, composta por Eminem, se isso vale de consolo…

P.S.: O filme conta com duas cenas pós-créditos. Fique até o final da projeção, vale a pena.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 8    Média: 2.9/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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