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PéPequeno | Crítica

PéPequeno | Crítica

PéPequeno (Smallfoot)

Ano: 2018

Direção: Karey KirkpatrickJason Reisig

Roteiro: Karey KirkpatrickClare Sera

Dubladores (vozes originais): Channing Tatum, James CordenZendaya, CommonLeBron JamesDanny DeVitoGina Rodriguez

As animações da Warner Bros., cada vez mais, buscam divertir antes de qualquer coisa. E isso não é um demérito — longe disso, na verdade. A franquia Lego, Cegonhas e Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas estão aí para provar isso. Com PéPequeno, a fruta não caiu longe do pé (olha que maravilha de trocadilho), mas o filme tem um plus: uma mensagem surpreendente poderosa e necessária.

Na trama, Migo é um Yeti  — espécie do Abominável Homem das Neves — que vive feliz em uma comunidade isolada, onde todos os seus iguais passam os seus dias de maneira pacata, cumprindo as regras que há muitos anos foram escritas em pedras sagradas. No vilarejo, questionamentos são desencorajados, pois, de acordo com as escrituras, “a ignorância é uma bênção”.

Certo dia, Migo acaba descobrindo um ser humano que, para todos do vilarejo, seria o terrível e mítico pé pequeno. Com essa novidade, no entanto, o jovem Yeti quebraria uma das pedras sagradas: a que afirma que os pés pequenos não existem. O problema é que Migo não consegue uma prova concreta de que viu criatura e, por isso, acaba sendo desacreditado. Apesar disso, o Migo bate o pé (olha o trocadilho de novo) e, assim, é exilado. O jovem Yeti, então, sai em uma jornada para provar que a sua história e verdadeira, mesmo que isso acabe com crendices de gerações de sua espécie.

Embalado por muitos números musicais — que, infelizmente, ficaram fraquíssimos na tradução para o português —, PéPequeno, claramente, foca em divertir os menores, com diversas situações de quedas e gritos engraçados, por exemplo. Apesar dessa ‘infantilização’, que o público já está desacostumado por conta das animações cada vez mais ‘cabeças’, o filme acaba trazendo boas surpresas para os adultos. A mensagem é a principal delas.

Obviamente, não haverá spoilers nessa crítica, mas é impossível deixar de fora a importante lição que PéPequeno deixa. Como citado acima, as regras do vilarejo de Migo foram escritas em pedras, o que faz com que os integrantes daquele lugar sempre exaltem que elas são inquebráveis, antigas e firmes, que não podem ser questionadas. Assim, o longa consegue fazer uma excelente crítica sobre crer cegamente em algo, e como isso é prejudicial para o desenvolvimento de uma sociedade.

A qualidade da animação também é um dos pontos fortes. Apesar de pouca inovação em relação a outros filmes do gênero, PéPequeno traz nos detalhes alguns elementos que enchem os olhos, como a textura da jaqueta do humano Percy e os pelos desgrenhados dos Yetis, por exemplo. O visual do Guardião da Pedra também é incrível. Além disso, as cores são muito bem empregadas no longa, trazendo alegria nos momentos divertidos e pesando o clima quando necessário.

Já no quesito roteiro, infelizmente, encontramos alguns problemas — mas nada grave. Muitas piadas, por exemplo, não funcionam da maneira que deveriam, conseguindo arrancar risos discretos quando, nitidamente, buscavam gargalhadas. A versão nacional do longa também traz pontos negativos, com as vozes dubladas dos personagens sendo abafadas pela trilha, além das fracas traduções dos momentos musicais, sem ritmo ou rima — reclamação já citada anteriormente, mas que vale o reforço.

Concisa na mensagem em que quer passar, a animação não deixa o clima positivo de lado, sempre guiando o público por um caminho de otimismo, incentivando a todos a respeitarem as diferenças, a manterem a mente aberta e questionar. Afinal, é perguntando e pesquisando que se encontra o conhecimento. E uma mensagem dessas, nos difíceis dias de hoje, não tem preço. Aplausos para PéPequeno.

Nota do crítico:

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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