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BoJack Horseman – 5ª temporada | Crítica

BoJack Horseman – 5ª temporada | Crítica

BoJack Horseman – 5ª temporada

Ano: 2018

Criador: Raphael Bob-Waksberg

Elenco: Vozes de Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie, Paul F. Tompkis e Aaron Paul

Mudança, ou a incapacidade de mudar, tem sido um dos principais temas de BoJack Horseman ao longo de todas as suas temporadas. Tanto o personagem-título como todos a sua volta parecem ser incapazes de se livrar dos comportamentos nocivos que os torna infelizes e continuam os repetindo. Apesar da natureza repetitiva dos personagens, a série consegue sempre se renovar e encontrar novos meios de contar a sua história.

Onde o quarto ano acabou com um final positivo para BoJack (Will Arnett), não é de se surpreender que ele tenha voltado para a mesma rotina de auto depreciação e abuso de álcool depois da sua irmã, Hollyhock (Aparna Nancherla), ter ido para a faculdade. As filmagens de Philbert, uma série sobre um detetive alcoólatra que tem muitas semelhanças com o nosso protagonista, acaba o afetando de maneiras que ele não compreende. Ele tem um péssimo relacionamento com o criador de Philbert, o pretensioso Flip McViker (Rami Malek), o que ecoa seus conflitos com o diretor de Secretariat.

O divórcio entre Diane (Alison Brie) e Mr. Peanutbutter (Paul F. Tompkins) tem surtido efeitos negativos nos dois. Ao mesmo tempo em que Diane tem problemas de se ajustar a sua nova vida e a insatisfação na carreira, Peanutbutter tem de lidar com o fato de que não amadurece e suas parceiras, todas bem mais jovens do que ele, se cansam da sua personalidade incessantemente alegre e do fato dele nunca estar prestando atenção. Todd (Aaron Paul), agora vivendo com a Princess Carolyn (Amy Sedaris), ainda tenta lidar com a sua sexualidade. Carolyn finalmente tem o desenvolvimento que a personagem merece, com direito a um melhor no passado para explorar suas motivações; a gata tenta adotar uma criança para se tornar mãe, mas sua carreira como agente entra no caminho.

A amizade entre BoJack e Diane é o ponto principal da temporada. Diane repara que a amizade dos dois não traz benefícios para ninguém e tenta se distanciar do protagonista ao notar que, por mais que tente, ele é incapaz de mudar suas piores partes, como o alcoolismo e a mania dele de desistir de algo o qual ele batalhou tanto no instante que consegue. BoJack sempre a arrasta para os seus problemas ao mesmo tempo em que esconde segredos delas. A falta de comunicação dos dois afeta BoJack, que não entende o porquê da Diane ter se distanciado dele, distanciamento que desperta conflitos intensos.

Com a oportunidade de ser a estrela de uma série, BoJack Horseman não se dá bem nas filmagens de Philbert. O papel cai perfeitamente nele pois ambos tem os mesmos traços de personalidade e comportamento auto destrutivo, algo que é evidente para todos menos para o próprio BoJack, que não só não entende porque ele se sente tão mal interpretando o personagem como acaba se tornando ele. O protagonista usa as roupas do Philbert fora da série o tempo inteiro, volta a usar drogas e seu relacionamento com a atriz Gina Cazador (Stephanie Beatriz), interprete da parceira de Philbert, Sassy, acaba por contribuir a falta de discernimento de BoJack entre ficção e realidade.

A animação continua por tratar de assuntos atuais envolvendo Hollywood e celebridades, com seu humor ácido característico. Através de Vance Waggoner (Bobby Cannavale), um ator constantemente envolvido em escândalos por conta de comentários racistas e machista e comportamento repreensível, a série dá uma alfinetada na capacidade do público de condenar os atores que fazem esse tipo de coisa apenas para esquecer-se de tudo após alguns anos — permitindo os atores a continuar com a sua carreira e dando espaço para mostrar que eles não aprendem com os erros. Outra excelente paródia da temporada é o feminismo de BoJack; basicamente todos ignoram os comentários femininos de Diane, mas quando BoJack os repete ele é considerado um ícone por ser um homem falando dessas questões.

Rodado em tempo real, o sexto episódio, Churros Grátis,  explora todo o trauma e questões não resolvidas que BoJack vive diariamente ao ter que dar um discurso fúnebre quando um familiar morre. São mais de 20 minutos com o cavalo falando ininterruptamente e tentando fazer piadas para deixar o clima mais leve. Sem nunca ser cansativo, o episódio é triste retrato de tudo o que ele herdou de ruim dos pais e como ele pode ser nunca capaz de superar os problemas que isso o traz. A cada temporada fica mais difícil torcer para BoJack, mesmo levando em consideração o passado dele e tudo o que passou, é impossível defender ou relevar o quanto ele prejudica as pessoas a sua volta até quanto tenta fazer a coisa certa.

Se BoJack um dia mudará ou não, ainda é cedo para saber. Mas se a animação continuar com o roteiro inteligente, galeria divertida de personagens, senso de humor implacável e não ter medo de tocar em assuntos sérios, Bojack Horseman tem o que é necessário para continuar por anos a fio sem perder o gás.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 13    Média: 4.5/5]

 

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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