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O Predador | Crítica

O Predador | Crítica

O Predador (The Predator)

Ano: 2018

Direção: Shane Black

Roteiro: Fred DekkerShane Black

Elenco: Boyd HolbrookTrevante RhodesJacob TremblayOlivia Munn, Sterling K. Brown, Keegan-Michael Key, Thomas Jane, Alfie Allen, Augusto Aguilera

O que esperar de um filme de Shane Black? Se você pensou em diversão, é por esse caminho mesmo. O cineasta, que fez o seu nome como roteirista de Máquina Mortífera, comandou Beijos e Tiros, Homem de Ferro 3 e Dois Caras Legais. Conseguiu perceber algo interligando esses longas? A resposta é: camaradagem. Todas as produções investem no relacionamento de homens, seus conflitos e parcerias, sempre com muita brotheragem — e piadinhas adolescentes, vale ressaltar.

Logo, quando Black foi anunciado como o diretor de O Predador, já era de se imaginar a vibe que o longa teria. E essa expectativa se confirma logo no começo da projeção, entusiasmando os fãs da pegada do cineasta e, talvez, frustrando aqueles que esperavam um clima mais ‘Predador’. Guiado pelo seu espírito moleque, o diretor nitidamente se diverte atrás das câmeras, dando o seu olhar para o longa — para o bem e para o mal.

Começando com foco no espaço, remetendo às introduções de Star Wars (até a música lembra um pouco), O Predador já entrega nos seus primeiros minutos as informações que vão guiar toda a trama. E o que é? Uma nave alienígena cai na Terra e, nela, temos um predador que cai no meio de um campo de batalha, espalhando peças de sua armadura. Quinn McKenna (Boyd Holbrook), capitão do exército norte-americano, acaba tendo seus homens mutilados pelo monstrão, mas leva consigo dois importantes componentes do invasor.

Assim, o predador, após ser capturado pelo governo (só para escapar facilmente, obviamente), decide ir atrás de seus pertences — que já estão sob domínio da família de McKenna. Então, o capitão, assim como um grupo de ex-soldados que agora se trata na ala psiquiátrica e uma cientista, precisam parar o bichão. Mas é aí que entra o plus da história: um super predador (acompanhado de cães predadores — sim, é verdade)! O alienígena, muito maior que o seu irmão de espécie, também quer os pedaços faltantes da armadura, assim como liquidar o seu parceiro invasor. Assim, o improvável grupo de humanos terá que correr contra o tempo para salvar o dia.

Mesmo com essa trama mirabolante, carregada de confusões e discussões aleatórias, algo típico de Shane Black, o longa não consegue apresentar uma sensação de perigo que a história necessita, fazendo com que O Predador seja muito mais uma aventura/comédia de camaradas do que um filme de suspense/terror. Com isso, os personagens ‘malucos’ que se aliam a McKenna roubam a cena e o foco do filme, pois eles se tornam muito maiores do que a ameaça do super predador. Facilmente, a atenção se volta para aquela equipe disfuncional, deixando em segundo plano a presença de um ser alienígena caçador de humanos.

Trevante Rhodes, Keegan-Michael Key, Thomas Jane, Alfie Allen e Augusto Aguilera formam o grupo de ex-combatentes com traumas psicológicos que se alia ao herói vivido por Holbrook. Logo, Olivia Munn, que vive uma cientista que rapidamente vira uma guerrilheira, se junta a eles. Do outro lado, Jacob Tremblay interpreta o filho de McKenna, que acaba tendo um papel importante na trama, pois descobre os itens high-tech procurados pelos invasores e decide brincar com eles e, com isso, vira o alvo dos caçadores do espaço sideral. Para completar, Sterling K. Brown encarna um carismático vilão que quer o poder dos alienígenas. E, assim, em maior ou menor escala, todos os membros do elenco cumprem bem o que lhes é proposto, interagindo com uma ótima química e diálogos divertidos.

Na parte técnica, O Predador entrega bons efeitos especiais, apesar de algumas derrapadas —o orçamento de US$ 88 milhões pode parecer alto, mas está bem abaixo do usual para blockbusters. As cenas de ação têm defeitos, afetadas pelos cortes rápidos no escuro, deixando tudo confuso e fazendo com que se perca o impacto na hora de revelar as consequências dos embates. Mas, voltando ao que foi dito anteriormente, o longa não é sobre humanos combatendo alienígenas, mas sim sobre humanos se ajudando por um propósito maior que, coincidentemente, é combater alienígenas (mas também criar laços, contar piadas, zoar uns com os outros…).

O Predador investe na despretensão, abrindo caminho para uma possível retomada da franquia, que tentou seguir adiante em outros momentos, mas nunca conseguindo o sucesso e o impacto do filme original, de 1987. Esse novo longa não conseguirá o mesmo resultado da produção original — e nem almeja isso —, pois o seu objetivo nitidamente é outro. E isso é bem-vindo, pois a imagem do Predador já não coloca medo como antes. O jeito é se divertir vendo a caçada.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 3.2/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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