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Sierra Burgess é uma Loser | Crítica

Sierra Burgess é uma Loser | Crítica

Sierra Burgess é uma Loser (Sierra Burgess Is a Loser)

Ano: 2018

Direção: Ian Samuels

Roteiro: Lindsey Beer

Elenco: Shannon PurserKristine FrosethRJ Cyler, Noah CentineoLoretta DevineLea ThompsonAlan RuckChrissy Metz

A Netflix está investindo pesado (ou nem tanto) em produzir comédias adolescentes que viralizam rapidamente e, com certeza, trazem ótimos números para o serviço de streaming. Apenas nas últimas semanas, esse fenômeno aconteceu com A Barraca do Beijo (tenebroso), Para Todos os Garotos que Já Amei e, agora, se repete com Sierra Burgess é uma Loser. No entanto, apesar dos longas caírem nas graças do público, a Netflix está mais preocupada com a quantidade do que com a qualidade — o que não é surpresa.

Protagonizada por Shannon Purser, a Barb de Stranger Things, a comédia romântica é escrita pela estreante Lindsey Bee que — assustadoramente — já está anunciada em diversas grandes produções dos próximos anos, como Dungeons & Dragons e Godzilla vs Kong. O roteiro é inspirado no espetáculo Cyrano de Bergerac, de 1897, que dramatiza a vida do francês de nariz gigante que usa um homem bonito para recitar poemas ao seu interesse amoroso. Sim, você já viu essa história em diversas outras adaptações.

Em Sierra Burgess é uma Loser, a protagonista é uma aluna exemplar que, apesar de sua inteligência, não consegue ser notada, sendo classificada como “a maior fracassada da escola”. Obviamente, para que Sierra seja considerada uma loser ‘boazinha’, é necessário que haja alguém popular e ‘do mal’ para balancear. Assim, Veronica (Kristine Froseth), a típica líder de torcida, para sacanear a protagonista, acaba dando o telefone dela a um atleta da outra escola, que começa a se comunicar com Sierra achando que está falando com Veronica.

Logo, a menina impopular decide fazer uma troca com a sua rival: Sierra ensina para Veronica assuntos para que ela possa conversar com o seu ‘crush’ universitário e, em contrapartida, a líder de torcida fica se passando pela garota que é insegura com a sua aparência. A partir daí, você pode imaginar como a trama se desenrola: altas confusões, uma história fofa e, no final, uma mensagem positiva e redentora. Bem, esse era o objetivo, se a execução não fosse tão pobre.

Com apenas 20 dias para rodar o filme, Ian Samuels, estreante em longas-metragens, não conseguiu construir uma narrativa interessante, que conseguisse criar uma aproximação com a personagem principal. Logo no começo do filme, Sierra se olha no espelho e diz para si mesma: “Você é um animal magnífico”. Com isso, dá a entender que o longa será sobre empoderamento, apresentando uma protagonista forte e de bem consigo mesma. E não é o que acontece. Longe disso, inclusive.

A protagonista aceita passar por diversas situações humilhantes para que Jamey (Noah Centineo) siga interessado por ela (no caso, por Veronica). Assim, Sierra demonstra uma baixíssima autoestima, validando que os padrões de beleza impostos pela sociedade ainda imperam, estragando uma história que poderia ser um exemplo de quebra de padrões. E, para completar, a mensagem final ainda consegue deixar o longa pior, pois a protagonista, que deveria ser a responsável por boas mudanças nos comportamentos daqueles que não conseguiam enxergar a beleza que ela carrega, acaba dando péssimos exemplos.

Sierra mente para os amigos, engana aquele por quem é apaixonada, se deixa levar e, para jogar a última pá de cal na história, elabora um maligno plano de vingança, humilhando alguém da pior maneira possível, deturpando qualquer mensagem positiva que ele poderia passar. Além disso, todas as atitudes equivocadas protagonizadas pela ‘mocinha’ são remendadas nos minutos finais do filme, não trazendo consequências. Sierra Burgess é uma Loser acaba se mostrando uma produção que incentiva ações ruins, desde que elas tragam o objetivo desejado.

Tecnicamente, o filme sofre com uma trilha esquisita, sendo incômoda na maior parte do tempo — parece que tiraram o instrumental de um longa de ficção científica e enfiaram em uma comédia adolescente. Completamente desconexa, atrapalha a imersão na história. A câmera de Samuels até é eficiente, mas ele exagera no filtro alaranjado durante a projeção. O ritmo da história também não colabora, mostrando que faltou mais tempo de filmagens para que o longa ficasse com um desenvolvimento mais consistente. Há momentos simplesmente jogados na trama, sem se aprofundar como deveria.

No final das contas, poucas coisas funcionam de fato no longa. Uma delas é Dan (RJ Cyler, sempre bem em cena), que é um ótimo alívio cômico, apesar de ter piadas mal escritas. A improvável amizade entre a protagonista e Veronica, além da boa profundidade dada a esta, também está entre os pontos positivos do filme. Além disso, Alan Ruck, como pai de Sierra, e Chrissy Metz, como mãe de Veronica, estão muito bem em cena, com papéis convincentes.

Com boas ideias desperdiçadas, é uma pena que, depois de assistir ao longa, poucas coisas positivas possam ser aproveitadas. É melhor lembrar de Shannon Purser como a Barb de Stranger Things, mesmo… A personagem principal de Sierra Burgess é uma Loser merece o adjetivo do título, não por sua aparência, inteligência ou jeito de se vestir, mas sim por suas atitudes.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 2.3/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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