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A Freira | Crítica

A Freira | Crítica

A Freira (The Nun)

Ano: 2018

Direção: Corin Hardy

Roteiro: Gary Dauberman

Elenco: Demián BichirTaissa FarmigaJonas BloquetBonnie AaronsIngrid Bisu

É inegável que James Wan é o cara que ajudou a remodelar os filmes de terror para o século XXI. Desde Jogos Mortais, o cineasta mostra que tem talento para contar histórias assustadoras e, principalmente, criar franquias rentáveis — os estúdios agradecem, obviamente.

Em 2013, Wan apresentou uma pérola do gênero do terror: Invocação do Mal, baseado nos relatos reais (fica aí o questionamento) de Ed e Lorraine Warren. Ali, além de um ótimo filme, havia uma mina de histórias que poderiam ser exploradas. E, obviamente, os produtores não perderam tempo. Além da continuação de Invocação do Mal, de 2016, dois longas da boneca macabra Annabelle foram lançados — e, agora, chega um novo capítulo desse assustador universo compartilhado: A Freira. Os spin-offs, vale lembrar, tiveram Wan apenas como produtor.

A personagem demoníaca, que foi apresentada em Invocação do Mal 2, agora tem um longa completo para ter a sua história desenvolvida (ou quase isso). Na trama, o padre Burke (Demián Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) são convocados pelo Vaticano para investigar o misterioso suicídio de uma freira em um convento na Romênia. Logo, a dupla se junta a um morador das redondezas, o espirituoso Frenchie (Jonas Bloquet), que encontrou a religiosa morta. Assim, o trio precisará combater a terrível força maligna que reside no tenebroso local.

Com bons protagonistas, o diretor Corin Hardy, responsável apenas pelo irrelevante A Maldição da Floresta, consegue fazer com que o espectador se importe com eles, apesar do clima de urgência ficar abaixo do esperado. O mesmo acontece em It: A Coisa, por exemplo. A criatura maldita, apesar de sua aparência assustadora, não transmite uma sensação real de perigo. O que, para um filme de terror como os citados, deveria ser requisito básico.

Apesar disso, o clima sombrio, que é efetivo em seu papel de passar insegurança, faz com que o longa tenha sempre uma atmosfera coerente com a sua proposta, aguçando a ansiedade de saber o que se espreita nas sombras — e, geralmente, é uma freira monstruosa (que não tem um bom CGI, vale ressaltar). É preciso dizer que a decisão de levar a trama para dentro de um castelo da Idade das Trevas, apesar de parecer clichê, não poderia ter sido mais acertada. O lugar é frio, macabro e inóspito.

A câmera de Hardy, que traz poucas novidades, foca mais nos inúmeros jumpscares desnecessários inseridos durante os 96 minutos de projeção. É interessante notar que muitos desses sustos na tela não colaboram em nada com a trama, sendo que alguns sequer têm lógica, enfraquecendo ainda mais a história escrita — sem qualquer inspiração, diga-se de passagem — por Gary Dauberman.

A Freira, infelizmente, não consegue causar uma imersão satisfatória na história e os prometidos sustos não funcionam tão bem, pois muitas peças que fazem a engrenagem girar estão desalinhadas. Obviamente, nem todos os filmes de terror têm o objetivo de apenas assustar — mas esse era o caso de A Freira, nitidamente. Mesmo assim, é interessante ver o universo de Invocação do Mal se expandindo e, apesar de todos os defeitos desse novo filme, com o gancho no final, é impossível não se empolgar para assistir a uma nova aventura de Ed e Lorraine Warren.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 2.8/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Achei um bom filme, apesar dos clichês e jumpscares excessivos entrega uma trama redondinha. Também não achei a personagem freira tão assustadora assim.

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