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Hotel Artemis | Crítica

Hotel Artemis | Crítica

Hotel Artemis

Ano: 2018

Direção:  Drew Pearce

Roteiro:  Drew Pearce

Elenco: Jodie Foster, Jeff GoldblumSterling K. BrownSofia Boutella, Dave BautistaBrian Tyree HenryZachary QuintoCharlie Day

Quando me deparei com a sinopse de Hotel Artemis, fiquei curioso. A ideia de um hospital para criminosos, cheio de regras que garantam aquele espaço como um lugar seguro para que foras-da-lei possam se recuperar tranquilamente após passarem por alguma dificuldade em suas ações escusas, me soou bem. No entanto, rapidamente me deu uma sensação de déjà vu. O conceito lembrava bastante o hotel para criminosos apresentado em De Volta ao Jogo (2014). E, infelizmente, não foi só originalidade que faltou ao filme. 

Dirigido pelo estreante Drew Pearce, que também assina o roteiro, a história se passa em uma Los Angeles de um futuro próximo. A cidade está em estado de guerra devido a uma revolta popular contra o racionamento de água por parte do governo. A força policial é de uma empresa privada (lembrando a OCP de Robocop) e utiliza, inclusive, força letal contra os manifestantes. Neste cenário que se encaminha para a distopia existe o misterioso Hotel Artemis. Lá, a Enfermeira (Jodie Foster) coordena uma espécie de hospital que atende criminosos cadastrados em situações de emergência médica. Uma espécie de plano de saúde destinado a bandidos que pagam suas mensalidades em dia. A Enfermeira dirige o Hotel Artemis há 22 anos, ininterruptamente, mas ela terá uma noite agitada, cheia de situações incomuns e visitantes inesperados. 

Eu me pergunto em que momento será que a ideia original se perdeu e se transformou no problemático roteiro cujo desenvolvimento pode ser visto na tela. O filme tem diversos bons ingredientes, mas parece que, ao se misturarem, nada combina com nada. Pearce, responsável pelo roteiro do tenebroso Homem de Ferro 3 (2013) e com participação no excelente Missão: Impossível – Nação Secreta (2015), aparentemente, deixou aflorar mais o seu lado envolvido na produção da Marvel do que na aventura de Ethan Hunt. Existem, no mínimo, três personagens com um considerável tempo de tela que não fariam a menor falta na história. Tanto é que dois deles simplesmente desaparecem sem mais nem menos, e suas participações não tiveram nenhuma consequência, por mais que dessem a entender que seriam importantes.

Outra coisa inexplicável é o tempo e a quantidade de menções dedicadas à rebelião popular que não possui absolutamente nenhuma influência no desenrolar do filme. Tudo bem, ela serve como desculpa para as quedas de luz no hotel, mas isso é algo que poderia ser feito de dezenas de maneiras diferentes, que não tomassem tanto tempo do longa. A outra influência da rebelião não pode ser comentada aqui por se tratar de spoiler, mas pode ter certeza de que ela tem uma justificativa ainda mais desnecessária.     

A direção de arte compõe um ambiente muito funcional para a cidade de Los Angeles, que é mostrada de forma futurista, mas ainda, de certa forma, realista. Parece que é o meio do caminho entre os dias de hoje e o visual de Blade Runner (1982), por exemplo. O Hotel Artemis contrapõe um visual vintage de hotel clássico, ainda que decadente, com a modernidade dos equipamentos super tecnológicos utilizados pela Enfermeira em seus procedimentos. Além disso, figurinos e maquiagem bem desenvolvidos ajudam bastante na composição dos personagens, com a inexplicável exceção da protagonista.  

Parece que houve um desencontro de informações entre roteiristas, maquiadores e Jodie Foster. A Enfermeira vivida por ela tem a expressão corporal de uma velhinha que nem seu rosto, nem sua vestimenta e sequer a história dão a entender que existe. E isso soa estranho todas as vezes que ela se movimenta pela tela. A personagem possui algumas características emocionais que poderiam justificar alterações no seu caminhar, mas não é essa a ideia que passa. O que vemos é uma mulher adulta que age como se tivesse uns 20 anos a mais, no mínimo. E isso faz com que a atuação de Foster só seja convincente de verdade nos momentos nos quais dependem unicamente da emoção. Ali sim, ela consegue mostrar seu reconhecido talento sem fazer nenhum esforço.

Outro problema é que Foster não está muito bem acompanhada. Se temos um Jeff Goldblum contido e eficiente, temos um Zachary Quinto extremamente canastrão como de costume. Se temos Dave Bautista que, se não dá um show de atuação, pelo menos consegue ser carismático, temos uma Sofia Boutella que, novamente, não consegue convencer nas cenas mais contidas, funcionando um pouco melhor nos poucos momentos de ação. E isso deixa o grande destaque do filme, sem dúvida nenhuma, para Sterling K. Brown. Desde a sequência inicial, é ele quem consegue carregar o filme e proporcionar seus melhores momentos de tensão emocional. Inclusive, parece até ajudar os colegas com quem contracena, visto que são as cenas mais convincentes que podem ser conferidas.  

E, para encerrar, o filme deixa uma má impressão porque, em seu terceiro ato, toda a atmosfera de suspense e preparação para o clímax, que foram criadas com alguma qualidade anteriormente, parecem se desmanchar ao invés de se concluir. Personagens acabam tendo destinos incoerentes com o que mostraram até então e diversas pontas soltas são simplesmente esquecidas. Fica, então, ao acender das luzes da sala, uma sensação de que a história ficou mal acabada, como peças de um quebra-cabeças que não se encaixam.  

Nota do crítico:

 

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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