Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

O Candidato Honesto 2 | Crítica

O Candidato Honesto 2 | Crítica

O Candidato Honesto 2

Ano: 2018

Direção: Roberto Santucci

Roteiro: Paulo Cursino

Elenco: Leandro HassumCassio PandolphRosanne Mulholland, Victor Leal, Flavia Garrafa, Anderson Muller, Paulinho Serra, Mila Ribeiro

Quem diria que, depois dos panfletários que se levaram a sério Polícia Federal: A Justiça é para Todos e O Mecanismo seria a dupla Leandro Hassum e Roberto Santucci a responsável por recortar o atual momento político do Brasil, de uma maneira digna (se compararmos com as outras produções, é claro) e apresentá-lo para o público? Pois bem, foi praticamente isso o que aconteceu com O Candidato Honesto 2, continuação do sucesso de 2014 e que traz Hassum (um dos nomes mais ativos da sétima arte nacional dos últimos anos) dando vida novamente a João Ernesto, o político que não consegue mentir.

Dessa vez, após cumprir quatro anos de pena por seus crimes contra o Brasil, o ex-deputado é convidado a tentar, mais uma vez, ser presidente do país, graças a sua popularidade. No entanto, quem resolver lançar João Ernesto à corrida pelo Planalto é ninguém menos que Ivan Pires (Cassio Pandolph, em uma hilária sátira a Michel Temer) — e, para isso, obviamente, o poderoso político exige ser vice na chapa de João. Logo, não é surpresa alguma que a trama gire em torno de uma ameaça de impeachment e, com isso, o candidato que só fala a verdade aprontará altas confusões para se manter no cargo.

Assim, satirizando e criticando os absurdos protagonizados pela politicagem nacional, em um propício momento (afinal, estamos às vésperas de intensas eleições), O Candidato Honesto 2 consegue ser interessante por diversas vezes. O problema é que, logo em seguida, o filme se autossabota. Para cada boa sacada, são entregues momentos recheados de peidos e palavrões desnecessários — além das cenas em que Hassum, praticamente, fica balbuciando monólogos bobos, atrapalhando o andamento do filme.

“Ah, mas é uma comédia, é natural que situações engraçadas sejam inseridas”, você pode estar pensando. E, sim, concordamos nisso. Mas o longa tem momentos realmente inspirados e que não ofendem intelectualmente os seus espectadores. Um deles é quando o filme, que é nacional, debocha de seus semelhantes — João Ernesto detona, até mesmo, o próprio Leandro Hassum. É hilário.  E são esses enxertos realmente bons que amenizam os momentos de vergonha alheia, que puxam a produção desesperadamente para baixo.

Com um desempenho dentro do esperado de Hassum e Pandolph roubando para si os momentos em que surge na tela como o assustados vampirão usurpador, além dos coadjuvantes divertidos em cena (com destaque para Anderson Muller como João Rebento, satirizando um político por aí que defende o armamento, e Mila Ribeiro, dando vida à uma hilária Dilma Rousseff), o filme parecia estar bem encaminhado no quesito atuações — mas não! Com Luiza Valdetaro não retornando para o papel de Amanda, sobrou para a produção substitui-la por Rosanne Mulholland e, infelizmente, a atriz está muito abaixo de sua antecessora (fazendo caras e bocas vergonhosas), além da personagem não convencer (o desfecho, então, melhor nem comentar).

Apesar de ideias muito boas, como a de Ivan Pires, que o nome, ao ser pronunciado, se escuta ‘vampires’ — e ele realmente vive e age como um vampiro (com direito a castelo e movimentação fantasmagórica), o diretor Roberto Santucci perde a chance de entregar uma comédia que fuja do lugar-comum que as produções nacionais entraram. É como um padeiro que, mesmo colocando bons ingredientes, não consegue entregar um bolo diferente, pois a forma é sempre a mesma. O final, por exemplo, é digno de pena, tamanha a incoerência com a história apresentada. Mas, apesar disso, vale a pensar dar mais uma chance para Hassum e seu João Ernesto, afinal, você não vai se decepcionar mais com o filme do que com a realidade — com O Candidato Honesto 2, pelo menos, é possível dar algumas risadas.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]

 


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close